Mariza É Do Fado, Como Sabe

Reportagem de Madalena Travisco (texto) e Joice Fernandes (fotografia)

Mariza
Mariza

A digressão dos concertos de apresentação de Mariza passou pelo Coliseu de Lisboa na noite de 14 de março com sala cheia, claro. “Sou do fado, como sei (…)” sem microfone marcou o começo de uma noite com Mariza e cheiros das raízes de todo o mundo por onde Mariza passa e (en)canta a nossa canção. Mariza é do Fado, como sabe.

Confessando-se ansiosa por estar connosco, agradecendo a nossa presença no Coliseu, Mariza anunciou que passaria por todos os discos mas principalmente pelo último. Trouxe “Sou (Rochedo)”, “Sem Ti”, “Meu Fado Meu”, “Semente Viva” e daí para a frente, reptos para cantarmos as mais conhecidas. Êxtase aos acordes de “Quem me Dera”, crescendos de vozes no refrão “(…) tentar a sorte e ganhar teu coração”, e regozijos maiores quando Mariza exclamou “O meu coração já é vosso!”

Ainda sem recuperar dos contentamentos do coração com “Quem me Dera”, a plateia ficou ainda mais cantadora e inebriada com

O melhor de mim”: “Sei que o melhor de mim está pra chegar (…) Sei que o melhor de NÓS está pra chegar.

Seguiram-se ritmos africanos no tema “Beijo de Saudade” (de Cabo Verde) antes do tema assinado pela própria – “Oração” em que Mariza confessou “(…) É difícil cantar as minhas palavras… Às vezes é mais fácil cantar as palavras dos outros (…)”.

Não podia faltar o “Chuva”, tema de Jorge Fernando que integrou o disco de estreia de Mariza, e que tem que integrar o alinhamento de todos os concertos. Segundo Mariza, se a canção não constar do alinhamento, recebe mensagens do género: “O concerto foi muito bom, mas….”.

As palmas ampliaram as percussões de o “Barco Negro” antes de uma recriação mais alegre da “Triguerinha (de olhos verdes)”, “Amor Perfeito”, o belo “Fado Errado” (Maria da Fé estava presente na plateia), “Rosa Branca” e a apresentação de todos os Mestres que acompanham Mariza nesta digressão: João Frade no acordeão, Pedro Jóia na guitarra acústica, José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Yami Aloelela no baixo e Vicky Marques na percussão. “Primavera”, fado que Mariza tanto gosta, fez a transição entre o final do concerto e um encore ferozmente demandado pelas ovações do público.

Esse momento prolongou os apontamentos de homenagem e de encontro de culturas; ao Brasil de Elis Regina (“canto de ossanha”), a Maria da Fé no “É Mentira” e com o “Ó Gente da Minha Terra” a servir de despedida.

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