Cozinha ibérica inovadora no Restaurante Pedro e o Lobo

pedro_lobo01Reportagem de Tânia Fernandes

O clássico de Sergei Prokofiev Pedro e o Lobo, por permitir mostrar a sonoridade dos diversos instrumentos musicais, costuma ser uma das primeiras canções apresentadas nas aulas de Música. No Restaurante batizado com o mesmo nome, perto do Largo do Rato, em Lisboa, a ementa é também uma espécie de partitura com potencial para dar a conhecer os mais variados elementos gastronómicos. O maestro é agora Frederico Guerreiro e pede apenas ao cliente que faça a simples escolha de sabores. Ele trata de compor a sinfonia, combinando técnicas e ingredientes.

“Sempre me fez confusão aquelas ementas em que o nome do prato, de tão extenso e elaborado, se tornava intimidatório” conta-nos o chef Frederico Guerreiro. A ementa do Restaurante Pedro e o Lobo é simples. “Quis fazer uma lista em que as pessoas escolhessem de acordo com o que sabem que gostam e que lhes apetece comer. A surpresa vem depois, com a apresentação no prato” explica.

De entrada, há opções como o ovo escalfado, alheira, grelos e cogumelos; barriga de porco, miso e chouriço; creme de ostras, gin e mar ou queijo de cabra e amêndoas, entre outros. Fomos surpreendidos por uma salada de beterrabas. E é mesmo do plural que se trata, pois traz várias variedades, num prato com diferentes texturas, combinado com creme de queijo e amendoim.
Do que nos é dado a conhecer pela ementa, pode-se dizer que é uma cozinha portuguesa. Frederico Guerreiro prefere caracterizá-la como ibérica: “São sabores de Portugal, mas com inspirações do mundo. Com tudo o que trouxe de fora, enquanto viajante e da experiencia e conhecimentos que trouxe de sítios onde trabalhei, como Barcelona, Londres ou Tóquio”.

Bochechas de porco, alfarroba, figos marinados e laranja; Magret de pato fumado, castanhas, dióspiro e romã ou naco de novilho do Pedro e o Lobo são algumas das opções de carne. Em matéria de mar a nossa escolha foi para o Atum patudo, batata doce, mostarda e gengibre que se fica pelo s-u-b-l-i-m-e. Mas há também peixe do Atlântico Nordeste e migas do Sudoeste; Bacalhau, grelos, farinheira, nabo e baunilha; ou Malandrinho de marisco.
As sobremesas seguem a mesma linha de coerência. À partida, parece que conhecemos tudo: Farófias e leite creme; Glaze de chocolate e gelado de leite chocolate; Sablé de maçã. O que nunca na vida eu tinha visto era uma Tarte merengada de limão, completamente desfeita e espalhada pela ardósia em pequenos montes. O slalom de combinar o muito doce com a extrema acidez, harmonizada pela bolacha fica à nossa inteira destreza manual!

Ambiente agradável, cozinha simples e sofisticada e inovação são boas razões para voltar a querer ouvir “esta música”!

O Restaurante Pedro e o Lobo funciona de segunda a sexta-feira, das 12h45 às 15h00 e das 20h00 às 02h00. Aos sábados só abre para jantares, entre as 20h00 e as 02h00. (A cozinha encerra às 23h00).

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