Copenhell: O Festival Dos Clássicos Heavy Metal

Reportagem de Cláudia Costa Storti e Fotografias de Thomas Kjeldsen

Copenhell
Copenhell

Copenhell foi a capital do Heavy Metal, entre 19 e 21 de Junho. Copenhaga albergou, pelo décimo ano consecutivo, este emblemático festival de rock e heavy metal, na ilha de Refshale.

Durante três dias, doze horas por dia, três palcos acolheram bandas como os Slipknot, Lamb of God, Tool e Scorpions, transformando décibeis em descargas de adrenalina libertadora e terapêutica. 27000 pessoas esgotaram o espaço, decorado com fogueiras das profundezas, caixões acetinados e igrejas hereges. Nos festivaleiros, as tatuagens, os lenços pretos e as acrobacias pirotécnicas criaram uma efémero doce inferno, na pacata cidade de Nórdica.

Quinta feira os Tool incendiaram. Copenhell sonhava com esta banda desde o início do festival em 2010. Ao fim da noite, os quatro homens entraram furtivamente em cena, com um cantor refugiado ao fundo do palco projetando uma voz única, para criar uma noite mágica, com um groove orgânico, exponenciado pela interação entre o baterista Danny Carey e o baixista Justin Chancellor. Apesar da estrutura jazzística da batida, a banda foi levada a sério pelos veteranos da Heavy.

Sexta Slipknot possuíram a noite. Num set de 90 minutos, ocuparam o palco principal e descarregaram baterias com ´Get This’ e ‘People = Shit’, bem como o melódico ‘Before I Forget’. O seu novo single ‘Unsainted’ já é um clássico de repertórios loucos. Concerto divertido, forte e variado que esmagou uma multidão inebriada. A fúria desta banda de Des Moines, levou a multidão a um febril divertimento, entre caveiras e fogueiras musicais.

Sábado, Rob Zombie apresentou um show glorioso. O artista de 54 anos, de Massachusetts, incendiou uma legião de fãs, indisciplinada e divertida. Tirou uma mistura bem esgalhada de Bob Marley e Charles Manson, reinventado o clássico “Helter Skelter” dos Beatles para um público ao rubro. Scorpions atearam sem se reinventarem.

 

Copenhell
Copenhell

No mundo dos festivais, o movimento de massas moshpit surgiu no mundo da metal. Consiste em pequenas multidões de espectadores, que originam um movimento de massas espontâneo e inesperado. A massa de gente corre num círculo, simula lutas gentis, grita e pula. Queima as angústias do quotiano, sem ferir, numa violência controlada e ordeira, amigável. Terapêutica. Descarga uma energia libertadora, politicamente incorreta, mas hiper espontânea e saudável. É esta a seiva que arde em Copenhell. Porque o que aqui se passa, este doce inferno de decibéis tem de ser contado.

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