Caminhos Da Água Inundam Região Centro

Reportagem de Sónia Ramalho

A clássica ausência de programas culturais no interior do país começa a mudar com iniciativas como os Caminhos do Médio Tejo, um projeto cultural dividido em três ciclos e que pretendem criar momentos de encontro ao percorrer várias cidades da Zona Centro.

Todos os CAMINHOS vão dar à cultura. É assim em Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Sertã, Tomar, Torres Novas, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha. Esse é o objetivo do projeto criado em 2017 e que liga em rede estes treze municípios do Médio Tejo.

Depois dos Caminhos do Ferro, de 13 a 15 e de 19 a 22 de julho ocorreu uma verdadeira inundação cultural proporcionada pelos Caminhos da Água. Teatro de rua, música, circo contemporâneo, percursos e até jogos e histórias para toda a família proporcionaram momentos inesquecíveis.

O C&H teve a oportunidade de acompanhar ao vivo algumas das iniciativas, como o Projeto EZ, onde o EZ SUB – um submarino muito especial – invadiu o centro histórico de Abrantes, na manhã de 21 de julho e convidou miúdos e graúdos para uma viagem muito especial.

À tarde, o Jardim da Cerrada, na Sertã, foi palco de uma iniciativa especial. João Bento, com o percurso Correspondência,convidou os habitantes a colocar headphones e a acompanhá-lo numa viagem sonoro/poética através de uma condução áudio. Todos os participantes ouviam as indicações de João Bento e iam assim descobrindo a história do Jardim da Cerrada contada através da informação obtida por cartas escritas por habitantes locais e enviadas para João Bento.

Um dos momentos altos foi proporcionado pela Companhia PIA que levou às margens da praia fluvial da Sertã o espetáculo EntreMundos, uma mistura entre o mundo dos vivos e dos mortos, onde é criado um universo paralelo. Quem esteve presente na praia fluvial na tarde de sábado por certo não vai esquecer a viagem a um universo mágico com uma performance deambulante e que envolveu marionetas de grandes dimensões que interagiram de perto com o público.

À noite, o Centro Geodésico de Vila de Rei, o ponto mais central de Portugal, recebeu o espetáculo Sonhos de Areia, onde Borja González deslumbrou os presentes através da criação, com as próprias mãos, de desenhos feitos a partir de meros grãos de areia. Imagens surgiram de forma mágica, para no instante a seguir desaparecerem para dar lugar a outro universo criado pelo artista, que foi sempre acompanhado ao piano.

Em outubro, a água mole vai dar lugar à pedra dura, com o ano a terminar pela encruzilhada de estradas dos CAMINHOS DA PEDRA.

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