Poesia E Melodias De Leonard Cohen Emocionam Coliseu De Lisboa

Reportagem de Tânia Fernandes

As Canções de Leonard Cohen

Em noite de homenagem, o Coliseu dos Recreios manteve-se pouco ruidoso. Naquele tipo de silêncio que deixa os sentidos bem alerta para receber. A dádiva chegou pelas vozes de David Fonseca, Jorge Palma, Márcia, Mazgani, Miguel Guedes e Samuel Úria, que se voltaram a juntar, agora em recintos maiores para interpretar temas de Leonard Cohen.

Depois de passar por pequenos auditórios do país, o sucesso de As Canções de Leonard Cohen foi amplificado para os Coliseus. Esta quarta-feira, o Coliseu dos Recreios acolheu a segunda data deste espetáculo. Quem assistiu ao espetáculo, a 21 de setembro, no Centro Olga Cadaval (ver reportagem)  encontrou um alinhamento muito semelhante, mas com interpretações mais consolidadas. Não dispensaram algumas palavras sobre as suas escolhas dos temas, de forma a enquadrar os que estavam pela primeira vez, mas percebeu-se que a cumplicidade entre os intervenientes era maior.

Mazgani abriu a noite com um intenso “If It Be Your Will”, seguido de “Take This Waltz”. Cada intérprete contribui com um pouco do seu estilo para o tema escolhido, fazendo com que o Leonard Cohen que aqui se recordou, fosse um personagem (ainda mais) multifacetado. Miguel Guedes atirou-se de seguida a “Tower Of Song” para depois revelar uma das novidades deste espetáculo “Came So Far For Beauty”. Há quem dê a conhecer o seu encontro com a música de Cohen e quem admita que ouviu mais vezes algumas covers do que os próprios originais de Leonard Cohen. É o caso de David Fonseca com os temas “I Can’t Forget” – chegou lá via The Pixies” – e “Hallelujah” – que lhe ficou na memória através de Jeff Buckley.

A noite estava solene, até à entrada de Samuel Úria, cujo bom humor transbordou para a plateia. Apelou a “comportamentos José Cidescos”, para que o acompanhassem no refrão de “Lover, Lover, Lover” . “E também podem bater palminhas!”. Admitiu a emoção de poder cantar no Coliseu “A Thousand Kisses Deep”. E pediu até para o beliscarem no final, pois não estava a querer acreditar que isso ia mesmo acontecer. “Mas não belisquem assim muito…” acrescentou, trazendo novas gargalhadas do público.

A voz doce de Márcia, único elemento feminino além de Orlanda no coro, veio equilibrar este encontro. Jorge Palma é a última estrela da noite a apresentar-se, primeiro ao piano, com “Bird On a Wire” e depois na guitarra com “Seems So Long Ago…”. Todos eles voltam a cantar a solo e ouvem-se alguns dos temas mais conhecidos de Leonard Cohen.

O dueto de Márcia com Samuel Úria em “Who By Fire” e “Dance Me” chegou agora mais cúmplice do que na estreia, com capacidade para envolver os presentes. Miguel Guedes brilha com o romântico “Suzanne”, para logo de seguida revelar garra em “I’m Your Man”. A voz inconfundível de Jorge Palma encerra este alinhamento com “Manhattan”.

Regressam todos, para o encore, com “So Long Marianne”, o tema em que os vai trazendo um a um ao palco fazendo do microfone o elo de ligação entre todos os elementos desta homenagem. É Jorge Palma quem os guia, na guitarra.

Foram quase duas horas e meia de espetáculo, carregadas de emoção, propícias à recordação de bons velhos tempo.

As Canções de Leonard Cohen

“As Canções de Leonard Cohen” sobem a norte esta quinta e sexta-feira, para mais duas noites de nostalgia no Coliseu do Porto.

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