A Matéria e a Essência do Vinho em exposição no Museu do Douro

museu_douro01Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

O Douro, compreendido através da sua história e interpretação cultural (a matéria) e o vinho (a essência), é o tema da exposição permanente que inaugurou recentemente no Museu do Douro, localizado no Peso da Régua.

As paredes forradas a caixotes de madeira encontram-se gravadas de detalhes da evolução do Douro, enquanto espaço dedicado ao cultivo e produção de vinho. Mas mais do que um lugar de contemplação de objetos, encontramos aqui uma síntese temporal e geográfica da Região Demarcada do Douro, cujo objetivo é o de nos levar à descoberta do contexto real. Encontramos não só objetos arqueológicos de ligação do museu ao território, que documentam o vínculo do povo romano a esta atividade, como imagens mais recentes, das tradições perpetuadas pelas comunidades locais.

Dividida em dois espaços, a Exposição Permanente Douro, Matéria e Espírito tem no piso térreo a exploração da matéria, com a evolução da produção ao longo dos anos e no primeiro piso, o vinho e a embalagem já como produto final.

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Um mapa, ao centro da sala, visível do quase todo o Museu, permite, através de uma projeção multimédia, diferentes leituras da Região Demarcada do Douro, como a evolução demográfica, a delimitação de concelhos, entre outros.

Uma das leituras mais interessantes a fazer é a do mapa (original) exposto, do Barão Forrester, que data de 1848 e assinala, entre outras coisas, os 210 pontos de má navegação do rio. Quem hoje faz a ligação e atravessa as três barragens, ignora por completo a dura viagem, que entre outros, vitimou o próprio autor do trabalho. Aspetos ligados à arquitetura dos barcos rabelos; à filoxera, a epidemia que dizimou quase por completo a vinha na região e a forma como foi ultrapassada através do enxerto com vinha americana; os diferentes tipos de castas; a rotina imposta pela atividade através das estações do ano são cenários que podem ser vistos neste Museu, com ajuda de protótipos e, sempre que possível, acompanhados da projeção de vídeos.

Ao subir as escadas, damos com uma parede repleta de exemplares dos melhores vinhos da região. São cerca de 300 garrafas expostas de diferentes colheitas, na sua maioria, com distinções e prémios associados. A evolução do engarrafamento, as marcas, os rótulos e ainda uma zona mais interativa que permite ao visitante explorar os diferentes aromas que o vinho pode ter complementam este espaço e ajudam a compreender a evolução do Vinho do Porto.

Antes da prova final, os visitantes podem ainda assistir ao documentário “Gigantes do Douro”, de André Valentim de Almeida, em exibição num pequeno auditório.

“A Companhia” é o restaurante do Museu, que está a ser explorado neste momento, pela empresa “Castas e Pratos”, reputado espaço gastronómico da cidade. A comida tradicional da região encontra-se aqui bem representada. O visitante tem, disponível um menu executivo, pelo preço de 10 euros por pessoa , que contempla entrada, prato e sobremesa. No dia em que visitamos o espaço o creme de legumes foi a entrada, seguida de lombo de porco com puré de castanhas ou o arroz de tamboril com gambas como opção e serradura de sobremesa.

O Museu do Douro dispõe ainda de um Serviço Educativo que promove regularmente atividades, indo ao encontro das necessidades educativas dos habitantes da região, ou mesmo do interesse do público em geral. Dispõe ainda de um Auditório, recuperado a um antigo Tribunal que se ocupava somente das querelas relacionadas com os vinhos.

A entrada, tem atualmente uma esplanada de jardim com uma agradável zona de chill out, frente a uma magnífica vista sobre o Douro.

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O Museu do Douro pode ser visitado todos os dias entre as 10h00 e as 18h00. Encerra às segundas-feiras só no período de inverno, entre novembro e março. As visitas ao Museu, com oferta de cálice de vinho do Porto têm custo a partir de 7,5 euros.

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