Optimus Alive – Dia 2: The Cure dominaram a noite com atuação de três horas

Reportagem de Sara Peralta (Textos) e Sara Santos (Fotos)

A música continuou a soar à beira-rio no Optimus Alive este sábado, com Noah & The Whale, Mumford & Sons, Awolnation, Morcheeba, Tricky, The Cure, James Murphy, Blasted Mechanism e muitos outros. A caminho do evento, perdemos a conta aos inúmeros pulsos que ostentam a fita que dá acesso aos três dias de festival, os transportes vão cheios, e mal se ouve falar português.

No palco principal, as honras de abertura couberam a We Trust: a equipa de André Tentúgal contou com a colaboração de diversos consolidados músicos nacionais para apresentar ao vivo o seu álbum “These New Countries”. O público recebeu muito bem as suas melodiosas canções, aplaudindo, e dançando ou levantando as mãos conforme incitação do grupo.

Mais cedo, foi Lisa Hannigan a abrir o Palco Heineken, e Ninja Kore o Optimus Clubbing. Vencedores do Optimus Live Act, os portugueses Ninja Kore têm dado que falar no mundo do dubstep e mostraram o que valem no festival. Big Deal, Here We Go Magic, e Shonky & Dan Ghenacia já tinham também passado pelos palcos secundários quando Noah and the Whale subiram ao principal.

Com o carismático Charlie Fink à frente da banda, os jovens e versáteis Noah & The Whale pisaram assim pela primeira vez um palco português, presenteando a plateia com alguma música com raízes folk e outra de um pop mais ligeiro. E, como era visível, não era necessário estar familiarizado com o reportório da banda (que seleccionou um bom mix dos seus vários géneros e álbuns) para desfrutar do concerto e dançar um pouco ao som de “5 Years Time”, “Rocks and Daggers”, ou “L.I.F.E.G.O.E.S.O.N.”.

E se Noah and the Whale foram bem recebidos, ainda melhor o foram Mumford & Sons, igualmente em estreia nacional. Com uma plateia composta que entoava as suas canções em coro e saltava ao seu ritmo, consegue perceber-se que a banda atraiu bastantes fãs ao festival. E, novamente, não era necessário ser fã e conhecedor, para ser contagiado pela sonoridade folk da banda inglesa, abrilhantada pelo ocasional banjo e a sólida voz de Marcus Mumford. A mão lesionada de Marcus não os impediu de, com a ajuda de um guitarrista substituto, darem um verdadeiro espectáculo, esforçando-se por falar português, e comunicando com os presentes enquanto os faziam cantar e saltar ao som de “Little Lion Man”, “White Blank Page”, “The Cave”, ou “Winter Winds”.

Desiludidos pela ausência de Florence + The Machine, os festivaleiros não acorreram para ouvir Skye Edwards de Morcheeba, como teriam feito com certeza para ouvir Florence Welch.

Antes, os Antlers tocaram no palco Heineken, entre um pop à anos 80 e um rock com sentimento, seguidos de Awolnation, que encheram a tenda, sobrepondo vários géneros de forma surpreendente, com a voz muito própria de Aaron Bruno (que ostentou uma t-shirt onde se lia “I Love Lisboa”) a brincar com falsetes, e este despedindo-se com um crowdsurfing.

Às 22h10 foi então a vez de Morcheeba subirem ao palco principal. Tentando puxar por um público que não acedeu originalmente ao evento por eles, apresentaram um concerto sólido, mas sem grande destaque. Não gozando da popularidade que têm de momento os Florence + The Machine, mais recentes nestas andanças, Morcheeba ainda conseguiram ser bem recebidos com os hits “Rome Wasn’t Built In a Day” ou “Otherwise”, e presentearam o público com uma pequena versão de “You’ve Got The Love” dos Florence. Competentes, procurando agradar a um público infelizmente algo desinteressado.

Destaque da noite, com casa cheia, foi o concerto de Tricky, pelas 23h no palco Heineken, de onde começou a soar um cover de “Feeling Good” (de Nina Simone, popularizado por Muse), e onde se ouviriam outras versões, como “Ace of Spades” (Motörhead), durante a qual o artista convidou o público para o palco. Enérgico e de tronco nu, Tricky salta e faz delirar os fãs num concerto intenso que culmina, após “Psychosis”, com uma multidão a abraçá-lo e mesmo elevá-lo, num crowdsurfing em palco. Embora com a ausência de Martina Topley-Bird e não interpretando “Maxinquaye” na íntegra (conforme estava previsto), Tricky apresentou uma performance estrondosa, acompanhado de bons músicos e de uma voz feminina que não desiludiu na substituição a Martina.

Seguiram-se os cabeças de cartaz da noite, para horas a fio de música ao vivo, com 36 canções desta mítica banda dos anos 80. Liderados pelo icónico Robert Smith, The Cure estão surpreendentemente em forma, passados 33 anos do seu álbum de estreia e apresentando uma setlist que ultrapassa 3h de concerto, percorrendo a sua já vasta discografia para delícia dos fãs. Para quem não é fã, certamente, duas horas cansam, quanto mais três, mas quem o é, não esquecerá o desfilar de clássicos de tal monumental concerto.

Aos 53 anos, o peculiar Robert Smith emociona uma legião de pessoas, dançando levemente em palco muito à sua maneira, entoando as suas muito próprias letras. Começando o concerto com três músicas do reeditado “Disintegration”, seguiu-se toda uma panóplia de canções desde a vertente mais gótica à mais pop ou mais punk, não esquecendo nenhum êxito. “Friday I’m in Love” foi recebida com grande entusiasmo, e já na recta final veio “Boys Don’t Cry”, com a penúltima carta sendo a primeira canção do primeiro álbum, “10:15 Saturday Night”, finalizando com “Killing an Arab”.

E findo o épico espectáculo que desinteressou – passe a redundância – quem não estava interessado (e pôde em alternativa desfrutar dos concertos de Katy B, James Murphy ou Sebastian) nos Cure, não sendo talvez o mais indicado para um festival, vários resistentes ainda rumaram ao palco Heineken para assistir aos portugueses Blasted Mechanism, que deram mais uma vez um sólido e enérgico concerto.

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