Museu Coleção Berardo apresenta retrospectiva de Pedro Cabrita Reis

O Museu Colecção Berardo apresenta a retrospectiva de Pedro Cabrita Reis intitulada One After Another, a Few Silent Steps, que vai estar patente ao público até dia 2 de outubro, que se apresenta em Lisboa após ter passado pelo Kunsthalle de Hamburgo (Alemanha), Museu Carré d’ Art de Nîmes (França) e Museu M de Lovaina (Bélgica).

A versão portuguesa da exposição conta com uma ampliação de cerca de 300 obras, abrangendo o universo de esculturas, pinturas, fotos e desenhos, que pontuam o percurso de 35 anos de carreira do artista nacional.

A exposição está dividida em 17 salas, por onde se caminha e entra no universo de Pedro Cabrita Reis. O que mais se destaca é a utilização do seu corpo como “copo de medida” “para impor as medidas do humano ao mundo das coisas construídas”.

Na sala 1, Pedro Cabrita Reis transforma a memória colectiva em afirmação individual, integra todas as disciplinas, materiais e linguagens ao seu alcance, ricos e pobres, tradicionais e inesperados.

Na sala 2 apresenta uma série de auto-retratos (The Large Self-Portraits, 2005, e Os cegos de Praga, 1998), depois a sala 3 representa as forças primordiais,  braços que se entreajudam, corpos humanos, ou animais e humanos que se confrontam, num diálogo entre o humano e a arquitectura. O Desejo do Eterno, 1984,  Exultar, 1988, e Morituri, 1989 Anunciação II,1984.

A sala 4 traz a realidade definitiva da morta com a simbologia dos ciprestes (pintados ou moldados), com o túmulo e a candeia. Muito tempo, 1989, Natureza Morta e Anunciação, 1988. O tema da natureza é abordado na sala 5, com o desenho Uma árvore (1988), a paisagem abstracta (Linea di terra #1 e # 2, 1999), construções idealizadas (Um quarto dentro da parede, 1989) ou na evocação de lugares concretos que o artista conheceu, como Leuven trapjer e La box de Nîmes (ambas de 2011).

O universo civilizacional do Mediterrâneo está patente na sala 6 com Uma linha afluente, 1990, Escadas de canto, 1991, H. Suite III, 1992. A sala 7 traz um ideia de abrigo (defesa/vigilância) versus natureza, Black and White Flowers #1, de 2001, Uma árvore caída #3, de 2007, uma composição “gráfica” com pneus em Untitled (17 Car Tires), de 2011, Limbo (1990), Una casa, altra casa (final version) (2004) ou D(oor), D(am), também de 1990.

A sala 8 mistura construção e pintura, Echo der Welt I, 1993, A Balance of Light, de 1999, Dans les villes #1 e #2, 1998. A sala 9 revela a fotografia The Arm, Studio Version, the Artist Himself, de 2009, a primeira auto-representação fotográfica que Pedro Cabrita  Reis realiza, em que utiliza o seu corpo como medida-padrão.

A sala 10 apresenta um  número de peças tridimensionais com luz, na sala 12 chega o uso do vídeo como media e como citação, através da repetição de imagens de filme de culto e com a colagem de imagens de filmes hard-core.

Na  sala 13 regressa a luz, com um conjunto de peças, horizontais ou verticais, com ou sem luz incorporada. São utilizados materiais de construção velhos e já utilizados, como portas e madeiras. A sala 14 continua com a luz, numa outra vertente, True Gardens #7 Lisboa, 2011, dezenas de armações de luz inutilizadas que cobrem o chão.

A sala 15 traz mais formas escultóricas e as salas 16 e 17 apresentam pinturas, algumas delas de grandes dimensões.

Os textos da exposição são da autoria de João Pinharanda e estão escritos sem adoptar as regras do Acordo Ortográfico em vigor, por vontade do artista.

Em complementaridade com a mostra existem actividades e visitas orientadas em torno desta.

O museu está aberto todos os dias da semana das 10h00 às 19h00 e sábado até às 22h00. A entrada é gratuita.

Por Clara Inácio (texto e fotos)

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