Gradiva lança Cartas de Amor de António José Saraiva a Teresa Rita Lopes

cartas_amorA editora Gradiva publica agora o livro Cartas de Amor de António José Saraiva a Teresa Rita Lopes, com edição de Ernesto Rodrigues, na sequência do trabalho que tem vindo a desenvolver a compilar e editar a obra do ensaísta.

Sobre ele diz a editora: “Um diálogo de almas em palavras, sobre temas literários e quotidianos, imbuído de grande ternura e afecto. Nestas missivas, revêem-se os acontecimentos coetâneos – Maio de 68, Abril de 74 – pelo olhar entusiasmado e cândido de quem via alvorecer um mundo novo. Documentos e testemunhos históricos, que importa preservar para memória futura.

Com edição do ensaísta e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Ernesto Rodrigues, este volume reúne, segundo as suas próprias palavras no prefácio a esta obra, a melhor colecção de cartas de amor do século XX português. Vemos a relação de um lado, na letra difícil de um dos nossos principais ensaístas, e não há uma fraqueza do sentimento, nem ameaça de ridículo. A vida flui, entre estudiosa e veraneante, mas a paixão não esmorece durante duas décadas, entrando pelos sessenta anos de António José Saraiva. É o seu livro mais inesperado, e sem correcções. Que outras cartas de amor portuguesas, afinal, se lhe equiparam?”

 Querida, cada vez que disponho de um vão de tempo, ponho-me a falar contigo por escrito. É o que imediatamente me apetece. E posso-te dizer coisas absolutamente insignificantes, como vês. No entanto, não sofro agudamente com a tua ausência. Acho que realmente te trago comigo, não só dentro, mas um pouco a meu lado. Como se tu realmente estivesses aqui e não te pudesse falar de viva voz. Mas, às vezes, sou chamado à realidade e penso, por exemplo, que, enquanto eu vou apanhar sol e mar, tu ficas aí a secar, no barulho dos tramways e nos cafés.

Excerto de Carta da autoria de António  José Saraiva, Paris, 4 de Agosto de 1964.

Gosto de vincar essa sua “nobreza de não saber viver” que o Professor Vitorino Nemésio lhe diagnosticou quando o demitiu de seu assistente, na Faculdade de Letras… De facto, ele que precisava tanto de se sentir amado, tinha a coragem de ser impopular, detestado mesmo, quando defendia uma ideia ou tomava uma atitude que se lhe impunha como justa e verdadeira.

 

Teresa Rita Lopes, in Prefácio

 

Cartas de Amor de António José Saraiva a Teresa Rita Lopes, Ernesto Rodrigues (ed.), com 172 páginas e à venda por 14,00 euros, uma edição Gradiva.

Texto de Sandra Dias

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