Festival Músicas do Mundo de Sines: 16 mil já “embarcaram” na volta ao mundo da música

Reportagem de Ângela Nobre (Texto e Fotos)

Três dias e 14 concertos depois, 16 mil pessoas já terão passado por Sines para sentir e viver o “espírito de aventura” proposto pela organização do Festival Músicas do Mundo (FMM), “embarcando” numa viagem pelo mundo da música.

Entre os espectadores que fizeram questão de ouvir de perto os músicos que já passaram pelo palco do Castelo de Sines e os que optaram por ficar fora das muralhas e assistir aos concertos através das telas instaladas na rua, a organização do FMM, a cargo da Câmara Municipal, estima que já tenham passado por Sines, entre os dias 19 e 21, cerca de 16 mil pessoas. E ainda faltam cinco dias e 21 concertos de músicos dos “quatro cantos do mundo”.

Mas mais importante que os números, é a experiência proporcionada pelos espetáculos, muito bem recebidos pelo público que, embora não tenha lotado ainda o recinto entre muralhas, foi crescendo visivelmente entre quinta-feira e sábado.

A passagem do guitarrista Marc Ribot, que esteve em palco com os ‘Cubanos Postizos’ na noite de sábado, mas também, ainda durante a tarde, com os portugueses ‘Dead Combo’, foi uma das mais marcantes do primeiro fim-de-semana do FMM, bem como de ‘Oumou Sangaré & Béla Fleck’, no mesmo dia, e ainda ‘Bombino’, na sexta-feira, todos com espetáculos destacados pelo diretor artístico do festival, Carlos Seixas.

Também a folk nórdica dos finlandeses ‘Frigg’ e o projeto que junta o cantor árabe Lofti Bouchnak ao grupo europeu de rock progressivo ‘L’enfance Rouge’, com estilos bem diferentes, cativaram o público do Castelo na noite de sexta-feira, que terminou com a fusão da música de dança com instrumentos de sopro e de cordas dos mexicanos ‘Clorofila + Los Mezcaleros de La Sierra’.

Após dois dias de “descanso” o FMM regressa hoje para mais cinco noites de muita música, mas também mais ateliês, exposições, feira do livro e do disco, cinema documental e conversas com escritores.

Esta noite, pela primeira e única vez este ano, o FMM entra no auditório do Centro de Artes de Sines. A música minimalista, que conjuga a voz de Jessica Kenney e a viola de Eyvind Kang, vai fazer-se ouvir no auditório do Centro de Artes, para um público reduzido, já que a lotação ronda os 200 lugares. Por esse motivo, embora as entradas sejam livres, é necessária uma reserva prévia. O único concerto recebido no Centro de Artes de Sines na 14.ª edição do FMM, começa pelas 22h00.

Na quarta-feira (25), há mais dois espetáculos de acesso gratuito. No Castelo de Sines, 15 músicos, cantores e bailarinos trazem a tradição da região de Apúlia, em Itália, com ‘Ensemble Notte Della Taranta’, a partir das 22h00. Segue-se a estreia do palco do pontal, junto à baía de Sines, que cabe ao caboverdiano radicado em Portugal, Bilan, com música cantada em crioulo, mas com uma abordagem urbana e cosmopolita.

Nos últimos três dias de festival, geralmente os que atraem maior número de pessoas a Sines, o programa “retoma” o formato “habitual”, com espetáculos a decorrer intercalados entre o Castelo e o pontal, a partir das 18h45.

Embora tenha havido alteração do local dos concertos na marginal, passando da avenida Vasco da Gama, atualmente em obras, para o pontal (junto ao porto de recreio), o diretor artístico do FMM, Carlos Seixas, não acredita que isso altere a dinâmica existente entre os locais onde decorrem os espetáculos.

“Tentámos evitar ao máximo que a dinâmica fosse alterada”, disse, lembrando que são apenas “mais uns passos” para lá chegar. “Claro que as escadinhas [que descem a falésia junto ao Castelo] facilitavam muito esta dinâmica de deslocação, mas penso que não vai ficar muito alterada”, acrescentou.

Os portugueses Couple Coffee, Uxu Kalhus, Diabo a Sete e Orquestra Todos, são os primeiros concertos de final de tarde, todos gratuitos, agendados para quinta, sexta e sábado.

Astillero (Argentina), Fatoumata Diawara (Mali), Dubioza Kolektiv (Bósnia-Herzegovina) e os “repetentes” Staff Benda Bilili (República Democrática do Congo), que com uma atuação explosiva em 2010 conseguiram meter o castelo a dançar, sobem ao palco na quinta-feira.

Kouyaté-Neerman (França/Mali), Dhafer Youssef Quartet (Tunísia), Mari Boine (Noruega), Zita Swoon Group (Bélgica/Burkina Faso) e Juju (Gâmbia/Reino Unido) atuam na sexta-feira.

No sábado, dia de encerramento do Festival Músicas do Mundo 2012, há ainda para ver espetáculos de Socalled (Canadá), Hugh Masekela (África do Sul), Tony Allen’s “Black Series” Feat. Amp Fiddler (Nigéria/EUA), Jupiter & Okwess Internacional (República  Democrática do Congo) e Lirinha (Brasil).

A música só acaba com o sol a raiar, com diferentes Dj’s em cada noite a dar música aos mais resistentes, a partir das 4h00, junto à praia de Sines.

 

Deixar uma resposta