Django Django fazem o concerto da noite no segundo dia do Vodafone Mexefest

Hora de dar corda aos sapatos e correr para a Avenida da Liberdade para o segundo dia do Vodafone Mexefest. O frio estava mais acentuado neste dia, mas não foi impedimento para mais uma enchente de gente gira em rodopio em toda a avenida.


Começámos por dar um salto à Sociedade de Geografia de Lisboa, afinal era um dos protagonistas de Ornatos Violeta, que veio a lançar-se a solo, que iria atuar às 20h30 com o álbum Apneia para apresentar e promessas de participações especiais.
“Um aventureiro este Peixe”, ouvia-se na plateia, talvez por este disco ser essencialmente experimental. Ouvimos “Escape”, “Mau Tempo” e o êxtase deu-se em “Pára de Ser Sentimental”.
E como o prometido é devido, Pedro Gonçalves, dos Dead Combo, veio de contrabaixo e Norberto Lobo de bandolim para terminar o concerto deste senhor. Sim, o Peixe é um senhor! Despediram-se de nós com um abraço conjunto, tal qual se sentiu o nosso coração quando de lá saímos.

Ali pertinho, fomos à Casa do Alentejo. Era a vez de espreitar o James Iha, ex-guitarrista dos Smashing Pumpkins.
Apresentou-se com um teclista e um guitarrista, este último que se fez acompanhar de um ukelele que, segunda Iha, foi feito pelo próprio. Já é hábito fazê-lo e demora quatrocentos dias nessas lides! O entusiasmo era tanto, que Iha pedia “Clap your hands everytime you hear it”, e assim foi. Iha confessou que tinha fome e queria saber o que mais se passava em Portugal, e, numa casa despida, com pouca lotação, lá gritaram “vinho, troika e impostos”.
Iniciou com o tema “Be Strong Now”, do primeiro álbum, e dedicou o resto do tempo a promover o seu último trabalho Look at the Sky, que conta com a colaboração de Karen O e de Nick Zinner, dos Yeahs Yeahs Yeahs. Para deixar os fãs (sim, fãs, que quem lá estava sabia muito bem ao que ia), James Iha despediu-se numa espécie de encore com “Mayonaise”.

Ao mesmo tempo, no Cinema São Jorge, atuava um conterrâneo, David Santos, com o seu projeto já bastante conhecido: Noiserv; acompanhado da prima, como sempre, leva-nos a cantos e recantos de magia. David é talentoso, sem dúvida, e tem uma voz límpida e translúcida que nos sabe envolver e cativar. Tanto, que de todos os que se sentaram no São Jorge para o ver não arredaram pé de lá. E este, sempre humilde, soube reconhecer isso e agradeceu, meio comovido com a presença de todos nós naquela sala. E nós dizemos, “Obrigada nós, David”!

Num passo acelerado, atravessámos a rua e fomos ao Tivoli, era a vez dos tão esperados Django Django. A fila perdia-se de vista e havia muita gente incomodada por estar à porta. A sala estava cheia. E estes escoceses chegaram determinados a pôr a sala a mexer, e assim aconteceu. Desde o primeiro acorde, o público de pé e não se via vivalma que não mexesse o corpo ao som da música.
Os Django Django estavam estupefactos: “Como é que ainda não tínhamos vindo aqui antes?”. Pois, nós também não sabemos, mas ainda bem que vieram. E esperamos que voltem tal como ficou prometido: “We will come back, we promise”.
Vinham vestidos digamos que a rigor, a rigor deles próprios. Com camisas muito idênticas, a fazer lembrar os tempos de adolescência “Que vais vestir amanhã? Vou vestir igual”. Com uma boa disposição e cheios de vontade de atuar, entraram com “Hail Bop”, passaram pela “Default”, “Life’s a Beach”, Skies Over Cairo”, “Love’s Dart”. Terminaram com “Wor”, aquele que para nós é o tema do álbum. Todo a sala do Tivoli estava a condizer com a banda, todos em modo “feliz”. E para o encore, lá voltaram eles com a “Silver Rays”, surpreendidos com tamanha receção calorosa e mais uma vez prometeram voltar. E nós cá os esperamos.

Mais uma corrida e fomos ao São Jorge de novo, Efterklang estava à nossa espera. A sala encheu e a longa fila não nos deixou chegar à frente para entrar neste espetáculo. Aqui a responsabilidade foi da organização, que já não deixou entrar os meios de comunicação social pelas portas do primeiro piso, obrigando-nos a fazê-lo pelas portas onde a aglomeração de pessoas era tal que tornou-se impossível assistir ao concerto devidamente.

Dirigimo-nos mais tarde para a estação do Rossio, talvez o sítio mais bonito que o Vodafone Mexefest escolheu para assistir a concertos. A vista do castelo por detrás do palco quase que nos deixou na dúvida relativamente a para onde olhar.
Era a vez de Ms Mr; Lizzy Plapinger entrou determinada a espalhar sensualidade com o seu irreverente cabelo azul e a sua voz cheia de garra, que tantas vezes nos confundiu com a Florence Welch.
Vêm de Nova Iorque mas ainda trazem pouca bagagem, com um único EP na mala. A estação estava muito composta, mas só se ouviram vozes quando estes entoaram o “Hurricane”.
E nós, no fim do concerto, lá caminhámos para casa, à espera do próximo ano.

Reportagem de Patricia Vistas e João Ferreira

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