Delta Tejo: Segundo Dia dedicado às mulheres terminou em ritmo cubano (actualizado)

Texto de Elsa Furtado
Fotos de Sara Santos e Francisco Lourenço

No segundo dia de Delta Tejo, aquele que é dedicado às mulheres, a grande senhora da noite foi mesmo Ana Moura, embora Ana Carolina não lhe tenha ficado atrás. A fadista portuguesa manteve o público suspenso ao ritmo da sua voz durante quase uma hora, e nem o vento nem o frio que se começaram a fazer sentir afastou as pessoas da frente do palco, mas a grande surpresa do dia estava guardada para o fim, com a alegria e o calor da música caribenha.

Considerada como uma das grandes vozes do fado do momento, Ana Moura deliciou quem a ouviu com atenção num concerto especial que contou com a colaboração dos Toca a Andar. “Fadinho Serrano”, “Fado da Procura”, “Rumo ao Sul”, “Fado Locura” e o “Fado da Procura” foram alguns dos temas que embalaram o Alto da Ajuda, com o Tejo e o Palácio da Ajuda como pando de fundo.

Foi em clima  ameno e intimista que Ana Carolina continuou a noite, no concerto que teve mais público a assistir. Ao todo neste segundo dia tiveram cerca de 16 mil pessoas (segundo dados da organização).

Num concerto em que a voz suave da artista brasileira, acompanhada pela sua viola, marcaram o cenário. O público brasileiro presente nas primeiras filas esteve bastante animado e fez questão de acompanhar a sua conterrânea nalguns dos temas mais conhecidos e ritmados.

Entre a MPB (Música Popular Brasileira), a Bossa Nova e uma “perninha” no samba, a artista brasileira deu “show” com temas como “Cabide”, “É isso Aí”, “Quem de Nós Dois” e outros temas do álbum N9ve, o mais recente da artista e com o qual está actualmente em digressão.

Alegre e bem disposto foi sem dúvida o concerto de Susana Félix, o primeiro do dia, do palco principal, que  se vestiu a rigor com um vestido colorido e com muito boa onda, em perfeita sintonia com o festival. Do alinhamento da artista portuguesa fez parte o tema “Mais olhos que barriga”, um dos mais conhecidos, que teve o acompanhamento do público, com palmas e coros.

O encerramento do Palco Delta ficou a cargo da nigeriana NNeka, já passava trinta minutos da meia-noite,  com os ritmos e as influências africanas, tão características deste festival, que tem o café como mote.

Também de África, mas de Cabo Verde veio Nancy Vieira, que com as suas mornas e funanás tentou por o palco Jogos Santa Casa a dançar, só conseguindo convencer alguns pares menos tímidos a dançarem ao som da sua voz “morna”, herdeira de outras vozes “mornas”.

Já antes dela, também a cubana Danae, criada em Cabo Verde, tinha dado as boas vindas aos festivaleiros e animá-los neste segundo dia de Delta Tejo, com a sua música, que mistura as suas raízes crioulas com as novas sonoridades.

A encerrar o  palco Santa Casa estiveram uma das lendas do Tropicalismo, os Mutantes, que com o seu estilo rock misturado com MPB conseguiram finalmente animar o público que aqui se encontrava, chegando mesmo a abafar a voz de Ana Moura, que actuava na outra parte do recinto. Primeiro em inglês e depois em português (com açúcar), a banda brasileira desfilou temas como “Dom Quixote”, “Minha Menina”, “Cabeludo” e “Bat Macum”.

A mudança para “Beck’ Stage” deu-se com a dj portuguesa Mary B, que trouxe a electrónica até este festival, tradicionalmente marcado por outros ritmos e influências.

A grande surpresa deste segundo dia estava marcada para o fim da noite, com a actuação do grupo Ska Cubano, que animou e pôs a dançar o público presente no Beck Stage. Animados, brincalhões, divertidos e cheios de ritmo, esta banda, de influências e raízes caribenhas, mostrou que não é preciso ser jovem para por um público a vibrar.

Natty Bo (Nathan Lerner), Carlos Pena, e Beny Billy (Juan Manuel Villy Carbonell) são uma verdadeira lição de como estar em palco e interagir com o público e entre a própria banda.

“O que se bebe aqui?” perguntaram os músicas, a que se esperava uma resposta como “Tequilla”, o mote para o tema seguinte, e a “Ska, Ska” completava-se com “Cubano”, em estilo sempre alegre, brincalhão e claro a abanar as ancas.

Destaque também para os solos de saxofone, baixo, contra-baixo, flauta de bisel, trompete, piano ou bateria, que se foram ouvindo ao longo do concerto, tão ricos e vivos, tão característicos do jazz e da música cubana, ao melhor estilo do Buena Vista Social Clube.

Um final de noite em grande e com muita dificuldade em deixar o recinto, tal era a vontade de ficar e continuar a ouvir boa música e dançar na companhia dos amigos. Logo à tarde há mais, com a música e os ritmos da Baía a predominar.

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