A Barraca apresenta D. Maria, A Louca

D. Maria, A Louca é a mais recente produção de A Barraca, que estreou no Teatro Cinearte, no Largo de Santos, em Lisboa, no dia 20 de Julho e que vai estar em cena até dia 31 de Julho.

A acção decorre nos finais do ano de 1807, com a partida da corte Portuguesa, no mês de Novembro, para o Brasil. Uma frota de 15000 almas que fogem da ocupação francesa, para assim defenderem a independência de Portugal, do reino e da corte. Em Fevereiro de 1808 a frota chega à Baía de Guanabara. O Príncipe Regente não autoriza o desembarque imediato de sua mãe, a rainha louca. D. Maria fica dois dias fechada no mar e passa em revista a sua memória, com os acontecimentos mais marcantes da sua vida. O seu casamento, a morte do filho, a sujeição à igreja, a sua acção pública e privada e assusta-se com a chegada à terra que viu nascer e morrer Tiradentes, o único homem sobre o qual ela usou o seu direito de “mandar matar”.

D. Maria I é filha de D. José, foi a primeira mulher que ocupou o trono. É uma mulher marcada pela época conturbada em que viveu, o processo dos Távoras, a perseguição aos Jesuítas, a Revolução Francesa, a decapitação de Maria Antonieta e de Luís XVI. O seu reinado foi profícuo em actividade legislativa, comercial e diplomática, na qual se pode destacar o tratado de comércio que assinou com a Rússia, incrementou a cultura e as ciências, com o envio de missões científicas a Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique e com a criação de instituições, como a Academia Real das Ciências de Lisboa e a Real Biblioteca Pública da Corte. Para garantir a assistência aos desvalidos fundou a Casa Pia de Lisboa. Fundou ainda a Academia Real da Marinha, para a formação e instrução de oficiais da Armada.

D. Maria está louca, mas dona de uma loucura que a protagonista define da seguinte forma: “a loucura não é uma porta que se fecha mas muitas janelas que se abrem, só que todas ao mesmo tempo”.

Maria do Céu Guerra é a encenadora e a protagonista de D. Maria, a Louca, a peça conta ainda com a participação de Adérito Lopes. A direcção plástica, cenografia e figurinos são de José Costa Reis. O texto é de António Cunha, um brasileiro de Florianópolis.

E como já vem sendo hábito, a parte musical está a cargo do maestro António Vitorino de Almeida, responsável pelos temas ao piano.

As sessões são de quinta-feira a sábado, às 21h30 e domingo às 16h30.

Texto por Clara Inácio e fotos de Francisco Lourenço

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