Xutos & Pontapés Brilharam Ontem À Noite No Arranque Do Festival F Em Faro

Reportagem de Paulo Sopa e Ana Horta

Mais uma edição do festival F: mais um sucesso, a julgar pelo primeiro dia! A cidade de Faro acolheu ontem pela 4ª vez o último grande festival de verão, exclusivamente dedicado à música portuguesa. Este ano, com mais um dia – a quinta-feira – o público aderiu em massa à chamada para “ouver” nomes consagrados da música portuguesa como os Expensive Soul, Bruno Nogueira e o espetáculo Deixem o Pimba em Paz, Xutos & Pontapés, Samuel Úria ou Dengaz, para além de muitos outros.

O festival abriu portas com um concerto a cargo da Orquestra Clássica do Sul – o que se repetirá todos os dias às 19h00 – e pouco depois iniciou a atuação da LST – Lisboa String Trio, num concerto intimista nos claustros do museu que misturou a guitarra portuguesa, a clássica e o contrabaixo num registo jazz.

Ainda antes do primeiro concerto da noite, atuaram Mauro Amaral, Peixe:Avião e os Couple Coffee, os brasileiros que vivem em Portugal e que, com a voz de Luanda Cozetti e o baixo de Norton Daiello, conseguem imediatamente uma ligação ao público com a sua música original e sofisticada. Ainda subiu ao palco como convidada dos Couple Coffe a cantora algarvia Vivianne.

Enquanto se recuperavam energias para o resto da noite – que será longa! – o público foi molhando a garganta com uma imperial e abastecendo o estômago com uma bucha de uma qualquer estrutura de StreetFood – um festival dentro de outro festival – chega a hora do novo palco Ria com vista para a Ria Formosa receber os Expensive Soul num concerto estonteantemente enérgico em que não era permitido ficar de braços em baixo. “Sempre a Bombar”, seria o lema para o espetáculo, que fez o público suar com tantos saltos e agitação.

Ainda o ritmo cardíaco estava elevado e já outros concertos iniciavam: Miguel Martins “Kaleidoscópio” para os amantes da música improvisada e do jazz, o rock de “First Breath After Coma” e o guitarrista Tó Trips e João Doce. Para acalmar mais um pouco, com muito boa disposição, ouvia-se no palco Sé Bruno Nogueira e Manuela Azevedo com o projeto “Deixem o Pimba em Paz”, para fazer as delícias dos que os ouviram. As músicas que todos conhecemos (mesmo que digamos que não…) cantadas de uma forma completamente diferente.

Aproximamo-nos daquele que é claramente o ponto alto da noite e o concerto mais esperado: os lendários Xutos. Mais uma vez, o palco Ria encheu-se para ouvir aquela instituição do rock que nasceu há quase 40 anos, mas que não é só daquela geração; é daquela, da seguinte, da atual e certamente da próxima. Bastou olhar em volta para encontrar crianças de 7 anos e jovens de 70. E este é daqueles “pormenores” que ilustram bem quão grandes são os Xutos & Pontapés. Tão grandes, que já na reta final do concerto, aos primeiros acordes do tema “Ai se ele cai”, problemas técnicos retiraram o som e imagem aos músicos e durante cerca de 15 minutos não se passou nada, mas o público não arredou pé, tal é a “devoção” ao grupo. Foi o público que atuou durante esses 15 minutos de silêncio, cantando “A Minha Casinha”, “Para Ti Maria”, e outros temas conhecidos de todos.

Dali até ao concerto de Dengaz foi um instante: passeou-se um pouco mais pelas ruas da deslumbrante cidade velha farense, ouviu-se um pouco do Samuel Úria e terminou-se a noite com a energia e mensagem do Dengaz. Os mais fortes ainda puderam ficar e ouvir os Dj’s Beatbombers até quase às 5 da manhã. Pelo meio, ficou o espetáculo de Standup Comedy, a tertúlia de Valter Hugo Mãe à conversa com Samuel Úria, as conversas no feminino com Sandra Barata Belo, Rita RedShoes e Sandra Correia, a animação de rua, as artes visuais com exposições e espetáculo de videomapping e as bancas de artesanato.

Se não foi, ainda está a tempo: hoje espera-se mais um grande dia, num festival que se quer também para as famílias.

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