Vitorino em entrevista ao C&H fala sobre Douro, Tejo e Guadiana

Entrevista de Elsa Furtado 

vitorinoÉ já amanhã que se apresenta ao vivo pela primeira vez,  o espetáculo Douro, Tejo e Guadiana, projecto composto por Carlos Tavares, Manuel Rebelo e Vitorino Salomé. Projecto inédito na música portuguesa, o espetáculo apresenta um alinhamento de 20 canções que pretendem homenagear e representar a música portuguesa. Para o perceber um pouco melhor, o C&H falou com o cantor alentejano, do Redondo, Vitorino Salomé, que aqui representa o Rio Guadiana.

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C&H: O que está por detrás da ideia deste projecto?

Vitorino Salomé: A ideia do projecto partiu do Douro. Um dos textos do livro de leitura da 4ª classe do Carlos era uma bela e singela lenda sobre os três grandes rios que, vindos de Espanha, atravessam Portugal e se acomodam no Atlântico em diferentes latitudes. A lenda reflecte a diversidade geográfica dos seus percursos, que acabam por traduzir de alguma forma a diversidade dos povos que se fixaram nas regiões por eles atravessadas. E ela veio à memória do Carlos numa noite em que num jantar de amigos e antigos alunos da Faculdade de Economia, o Carlos improvisou um trio para cantar algumas canções no final.

Tínhamos assim um trio com um nortenho (Carlos Tavares, que para além das origens estarrejenses viveu 17 anos na cidade onde o Douro tem a sua foz), o Manuel Rebelo (que apesar das origens paternas sempre nasceu e viveu na cidade do estuário do Tejo) e eu, de raízes alentejanas ali bem perto do Guadiana. E nessa noite nasceu a ideia de fazermos em conjunto algo mais trabalhado, associado ao tema da Lenda dos Três Rios: Douro, Tejo e Guadiana.

A este trio juntou-se a Banda Visconde de Salreu, composta por músicos em geral muito jovens e abordando obras de géneros e exigência diversificado, e o Maestro Afonso Alves. A ideia foi concretizada em cerca de quatro meses de trabalho intenso, sobretudo do maestro Afonso Alves, que fez ou adaptou arranjos notáveis para 20 canções.

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C&H: E o porquê destes parceiros?

Vitorino Salomé: A amizade e a competência, são excelentes razões.

C&H: Quais os critérios na escolha destas músicas? O que pretendem passar?

Vitorino Salomé: Os critérios são partilhados. O gosto musical dos três Rios é diferente mas com unidade na qualidade da proposta.

C&H: Com estas músicas nota-se que há algo em comum na música tradicional portuguesa, independentemente se é do sul, ou do norte. Tentaram mostrar isso propositadamente?

Vitorino Salomé: O que vamos mostrar não é exactamente música tradicional. Talvez mais urbana e aí a língua Portuguesa é o elemento comum e de excelência pois temos muito cuidado com ela.

C&H: Estão a pensar levar o projecto ao estrangeiro, e não me refiro a concertos nas comunidades portuguesas?

Vitorino Salomé: Deslocar cerca de uma centena de elementos nos tempos que correm, pode ser complicado.

C&H: Vitorino – para quando um novo projecto a solo?

Vitorino Salomé: Gosto muito de partilhar projectos.

C&H: E os Rio Grande sempre vão voltar?

Vitorino Salomé: O Rio Grande nunca pára de correr.

O concerto de amanhã está marcado para as 18h30, no Salão Preto e Prata e destina-se a apoiar a escola de música da Banda Visconde de Salreu e a favor da associação “SER+”, instituição de solidariedade social para apoio aos doentes com HIV.

Ruma depois para o Norte, onde vai animar a Casa da Música, no próximo dia 27 de dezembro, pelas 18h00, e o valor da bilheteira reverterá a favor da associação “Mama Help”, instituição cuja principal missão é o apoio à melhoria da qualidade de vida de doentes com cancro da mama, seus familiares e amigos.

Os bilhetes para Lisboa encontram-se à venda nos locais habituais e custam entre 20 euros para adultos, 10 euros para jovens com mais de 10 anos, bem como adultos com mais de 65 anos. Para crianças com menos de 10 anos a entrada é gratuita.

Foto arquivo C&H

 

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