Vénus de Vison no Teatro Aberto

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Reportagem de Tânia Fernandes e Sara Santos

Vénus de Vison é a mais recente estreia do Teatro Aberto. Ana Guiomar e Pedro Laginha são os protagonistas de uma história de sedução, tortura e dominação que decorre em ambiente teatral. Uma espécie de reflexão sobre a arte cénica, com recurso ao encaixe de texto dentro do próprio texto, em que, ao longo da narrativa, se vão fundindo as duas dimensões. Escrita por David Ives, Vénus de Vison estreou em 2010 em Nova Iorque e foi distinguida com os prémios Tony para Melhor Peça e para Melhor Atriz. Foi recentemente adaptada ao cinema por Roman Polanski.

A história gira em torno de um encenador, Tomás, que se vê compelido a fazer uma audição de última hora a uma candidata a atriz. A vaga é a de protagonista de uma peça escrita pelo próprio, com base no livro de Leopold von Sacher-Masoch. A obra escrita em 1870 é conhecida por ter dado origem ao termo masoquismo. Vanda é um acumular de estereótipos comuns à maioria dos jovens aspirantes à carreira artística. Mas só aparentemente, pois no momento em que dá início à audição, a personagem revela-se e começa-se a posicionar face ao seu interlocutor. O prazer em ser humilhado, as relações de poder e domínio, a arte da sedução, a relação entre homem e mulher são temas abordados no decorrer de um intenso diálogo. Com algum humor, vamos sendo chamados ao palco da audição e ao mesmo tempo empurrados para a intensidade do texto dramático. O desejo vai ganhando dimensão à medida que as palavras são proferidas.

Oportunidade para ver estes dois atores em atuações de extrema intensidade. Há suor, lágrimas, respirações ofegantes, um corpo que se revela e um vigoroso ataque de raiva. Tudo capaz de fazer subir o batimento cardíaco. Protejam-se as almas sensíveis, as outras encaminhem-se para esta Vénus de Vison.

 

A versão, dramaturgia e encenação é de Marta Dias. A peça pode ser vista na Sala Vermelha do Teatro Aberto de quarta-feira a sábado às 21h30 e aos domingos às 16h00. Os bilhetes, à venda nos locais habituais, custam 15euros (7,5 euros para jovens até aos 25 anos e 12 euros para pessoas com mais de 65 anos).

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