Variedade De Estilos Volta A Encher Salas Do Festival Super Bock Em Stock

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Michael Kiwanuca
Michael Kiwanuca

Música para todos os gostos, com grande variedade de estilos. Concertos que deixam vontade de repetir, como Michael Kiwanuka, Orville Peck ou Balthazar. Estas foram algumas das boas surpresas que encontrámos nesta edição do Super Bock em Stock, esta sexta-feira e sábado.

Primeiro Dia

Ive Greice, a cantora brasileira que cantou na Casa do Alentejo, no início da noite de sexta-feira quase fez esquecer o temporal que caiu em Lisboa, durante todo o dia. Trouxe o calor das suas origens e com facilidade encheu o espaço de alegria. Explicou como se sentiu influenciada pela música lusófona e africana e acrescentou um toque pop às melodias. Menos público tiveram Yagmar, no Rossio ou Polivalente – projeto musical do músico lisboeta João Valente e direção musical de Tom Maciel, músico de São Paulo residente em Lisboa – no Palácio da Independência, talvez pela hora a que atuaram.

Foi Luís Severo quem conseguiu atrair maior número de pessoas, neste arranque de festival. Com apenas dois álbuns editados, é um dos nomes que têm conseguido captar a atenção da sua geração. Alternou entre a guitarra e as teclas para apresentar o seu reportório.

Um Coliseu já muito composto recebeu Sinkane de braços abertos. Um concerto com boa vibe, do músico inglês, com raízes no Sudão. Com um estilo polivalente do afrobeat ao reggae, e voz distinta, criou uma atmosfera interessante no recinto

Entretanto, os Dream People projeto nascido em outubro de 2018 dava a conhecer a sua curta história no Palácio da Independência. Francisco, Bernardo, Nuno, Chris e Bóris andam pelo rock psicadélico, com alguma dream pop e a honestidade de trazer temas que ainda estão a trabalhar.

Sem grande surpresa, Michael Kiwanuka foi o nome mais consensual da noite, com o Coliseu a abarrotar. “Cold Little Heart” era mais esperada da noite, mas a verdade é que antes de usar o seu grande trunfo, o músico já havia conquistado o público com o seu talento e simpatia. Já com três discos de originais gravados, o músico trouxe para o concerto uma experiencia de soul e folk indie que vai além do registo simples que gravou. E envolveu o público no que está a fazer, criando bons momentos de interação.

Murta foi um dos nomes que este festival trouxe quase em modo de estreia. O jovem natural da Figueira da Foz escreve e compõe a sua música e varreu o São Jorge com a sua batida rap.

Segundo Dia

Com 21 anos, a brasileira Tainá assegurou a sua atuação sozinha. Voz e viola, numa beleza visual e sonora exemplar. Ao mesmo tempo, e como alternativa à doçura a dupla portuense Baleia Baleia Baleia mostrava no Rossio um punk rock, com marcas da década de oitenta.

Nova avalanche de gente voltou a acontecer na Casa do Alentejo para o concerto de Orville Peck. A figura é decalcada de um filme de índios e cowboys, provavelmente dirigido por David Lynch. A verdade é que a música se impõe, pela sua voz forte e melodramática. Mas quem é este Orville Peck? Um verdadeiro mistério. Atua com máscara e mantém a sua identidade uma incógnita. Já a música, atinge todos os que a ouvem.

Curtis Harding foi o primeiro nome da noite a pisar o Coliseu e rapidamente encheu a sala. Postura divertida, com um reportório versátil, Curtis Harding foi muito aplaudido pelo público jovem que marcava já presença no recinto, para assistir à atuação do senhor que se seguiu.

Slow J, um dos artistas portugueses do momento, era o nome de destaque deste segundo dia do festival.  Veio apresentar o novo álbum, You Are Forgiven editado recentemente. Já todos pareciam conhecer bem os novos temas, o que fez com que Slow J, em vários momentos, partilhasse as rimas com o grande coro de vozes do público. Recebido com gritos e aplausos, trouxe algumas surpresas ao longo do concerto, como foi o seu amigo Papillon e um duo de guitarras portuguesas que o acompanharam num momento mais intimista.

Concertos em simultâneo dificultam a vida de todos, mas ajudam quando a lotação dos espaços é limitada. Era longa a fila para entrar no São Jorge, para a atuação dos Balthazar. Mas eram muitos os que vinham na certeza de voltar a assistir a um bom concerto (memórias do festival Paredes de Coura?). A verdade é que a banda belga, tem muita energia e uma originalidade e criatividade musical que às vezes já é difícil de encontrar. “Todos vocês têm uma cadeira, mas não se sintam obrigados a usá-la”. Foi desta forma que abriram o concerto, com a “benção” para o público sentir a sua música com toda a liberdade.

Ao Rossio, foram todos os que queriam assistir ao fenómeno Viagra Boys e confirmar os ecos que aqui chegaram da sua atuação no Primavera Sound. Não saíram desiludidos com a performance com que Sebastian Murphy, o vocalista, os brindou. Apresentou-se de tronco nu, de corpo tatuado, sempre em pose provocadora. A energia, a fúria e o excesso que os caracteriza é o apelo desta banda sueca de punk rock.

A organização já anunciou nova edição do festival Super Bock em Stock para 2020. O festival vai ter lugar nos dias 20 e 21 de Novembro.

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