Vampire Weekend E Grace Jones A Fazer A Festa E A Surpreender Na Segunda Noite De NOS Alive

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Vampire Weekend
Vampire Weekend

Gente que gosta de estar em palco e que consegue surpreender o público. Foi assim o concerto dos Vampire Weekend, que deram uma grande festa nesta segunda noite de NOS Alive. E foi também de queixo caído que Grace Jones deixou os que conseguiram entrar na multidão que sobrelotou o palco Sagres.

“Estão aqui? Mas eu não sou a Grace Jones, nem os Vampire Weekend!” comentava Beth Dido, a vocalista dos Gossip, quando entrou em palco. É verdade que não era grande a multidão frente ao palco principal, pela uma da manhã. Depois de Vampire Weekend, foi como se a maré tivesse vazado na direção do palco Sagres, para assistir à atuação de Grace Jones. Mas aos poucos, os Gossip conseguiram chamar a atenção e quando começaram a tocar “Standing In The Way Of Control”, era já um número considerável gente que dançava de braços no ar.

A queixar-se do calor, Beth Dido deu o seu ar de graça, sempre a pedir desculpa por não saber falar português e com muita vontade de brindar com os presentes. Dez anos depois do lançamento do disco Music For Men, a banda voltou à estrada. Trouxe um conjunto de boas músicas e passou por versões que surpreenderam como “Smells Like Teen Spirit” dos Nirvana ou “Careless Whisper” dos Wham.

Antes o NOS Alive assistiu ao regresso dos Vampire Weekend. A banda de Ezra Koenig trouxe novos temas mas passou pelos grandes êxitos dos trabalhos mais antigos, como “A-Punk”, “Cape Cod Kwassa Kwassa” e “Oxford Comma”. “É bom regressar a Portugal, faz tempo que cá estivemos” diz logo no início do concerto. Um globo gigante, no meio do palco, determina a posição desta banda, pondo todos a olhar para e pelo planeta. Também o NOS Alive deu, nesta edição, um passo na direção da sustentabilidade, ao utilizar copos reutilizáveis. Gesto que, para quem já esteve no recinto, em edições anteriores, tem um impacto evidente.

A festa foi grande, com a atuação dos Vampire Weekend. Pelo meio, trouxeram uma versão de ”New Dorp.New York” dos SBTRKT et ambém “Jokerman” de Bob Dylan. Para o fim, deixaram tudo a dançar com “Worship You” e “Ya Hey”.

Grace Jones deu uma atuação surpreendente. Aos 71 anos, temos muita dificuldade em associar a figura sensual e escultural em palco, à sua idade. O espetáculo é uma verdadeira encenação, do principio ao fim, com Grace Jones a trocar de roupa em cada tema. Apresenta-se de corpo exposto, parte dele pintado. Entra a cantar “Nightclubbing”, um tema de Iggy Pop, ao cair do pano. A diva surge numa plataforma elevada, de capa esvoaçante e voz potente. Depois troca chapéus e traz adereços de grande impacto visual, sempre a fascinar, muito pela atitude irreverente. Nascida e criada na Jamaica, Grace Jones traz essa herança para os seus espetáculos. Quer saber se há alguém presente ou alguém que já lá tenha ido, antes de avançar para “My Jamaican Guy”. Fechou com “Slave to the Rhythm” e quem conseguiu assistir à sua atuação, com o bailarino, terá certamente elevado a esperança para uma nova vida na terceira idade.

Greta Van Fleet, a banda de hard-rock americana, estreou-se em Portugal, no NOS Alive. O quarteto formado pelos três irmãos, Josh Kiszk, Jake Kiszk, Sam Kiszk e o amigo de longa data Danny Wagner apresentaram o álbum de estreia “Anthem of the Peaceful Army”. Muitos fãs, nas primeiras filas, pediam a atenção dos músicos através de mensagens em cartaz. 

Do outro lado do mundo, veio Tasha Sultana. A cantora, e multi instrumentista tem apenas 23 anos, mas um groove muito especial, que apresentou, pela primeira vez em Portugal. Com uma espécie de altar no meio de palco, onde não faltaram neons luminosos e incenso a queimar, deslaça, corre, salta, troca de instrumentos e magnetiza pela forma simples e direta com que interage com as pessoas. Não faltou “Jungle”, o tema que define bem a sua identidade. 

Johnny Marr, antigo membro da banda The Smiths carrega o legado de um dos nomes grandes da música dos anos oitenta. Com pose de rocker, combina os seus trabalhos a solo e a arte de fazer soar a guitarra, com uma boa dose de nostalgia. Recuou-se no tempo e sentiu-se a energia bem lá em cima com “Bigmouth Strikes Again”, “How Soon Is Now” dos The Smiths, mas também com com “Getting Away With It” e “Get The Message” dos Electronic”. O ponto alto, em que deixou o público a cantar sozinho, eufórico, foi com “There Is a Light That Never Goes Out”.

Foi de look total rosa choque que Bobby Gillespie, o vocalista dos Primal Scream, se apresentou em palco. De braços abertos, a pedir para bater palmas com ele, sempre em movimento de uma ponta à outra, a banda da cena indie pop dos anos 80 continua conquistar. Maximum Rock N Roll: The Singles é o trabalho mais recente editado, que reúne os singles da banda desde 1986 até 2016. Chegou, ao NOS Alive, uma boa seleção deles.

Ao final da tarde, o australiano Ry Cuming, conhecido pelo nome de palco RY X mergulhou o palco Sagres num ambiente de melancolia, com a sua combinação de sons hipnóticos. Vestido de tons claros, tecido alinhado, chapéu na cabeça, transmitiu aquela sensação de bem estar e harmonia. Gere vários equipamentos de som, que mistura com vocalizações. E o resultado é pacificador. 

Perry Farrell’s Kind Heaven Orchestra encaixaram-se numa selva acrílica e trouxeram uma atuação surpreendente. Perry, antigo líder bandas como Jane’s Addiction, Porno for Pyros e Satellite Party tem agora a sua orquestra e cria uma experiência musical diferente do que se costuma assistir neste palco. 

Os irmãos Pip e Tender Blom juntamente com Dareck Mercks e Gini Cameron compõem a banda holandesa Pip Blom que abriu o palco Sagres. Um estilo indie pop, muito jovem, com um espetáculo cheio de energia, marcado pelas guitarras.

Os espanhóis Izal abriram o palco principal e todos os seus conterrâneos estavam lá na frente, para apoiar, cantar e agitar os braços no ar. O grupo de indie rock, formado por Mikel Izal, Alejando Jordá, Emanuel Pérez, Alberto Pérez e Iván Mella conta já com vários prémios. E levaram certamente, do NOS Alive, mais seguidores!

O NOS Alive volta a abrir portas este sábado. O Cartaz anuncia as atuações de The Smashing Pumpkins, Bon Ver, Idles, Gavin James e Thom Yorke, entre outros. Os bilhetes

Encontram-se à venda nos locais habituais e custam 60,98 euros.

Saiba como chegar ao recinto da melhor forma.

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