Uma Chuva De Devoção No Concerto De Smashing Pumpkins No NOS Alive

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

The Smashing Pumpkins
The Smashing Pumpkins

O festival NOS Alive voltou a lotar a sua capacidade, no último dia. Smashing Pumpkins, Thom Yorke e Bon Iver estavam entre as preferências. Dois deles, com atuações coincidentes e a obrigar a uma difícil escolha.

Smashing Pumpkins foi, para muitos, um recordar da adolescência. Sentiu-se, no ar, a emoção dos fãs, que puderam reviver momentos, ao som dos grandes êxitos da banda: “Ava Adore”, “Tonight, Tonight” ou  “Today”. Melhor que isso, só mesmo ouvir, Billy Corgan, de braços abertos, a dizer que o melhor concerto da banda foi em Portugal (1996, em Cascais, a banda tocou sob chuva intensa). Começaram por temas mais antigos, depois quiseram apresentar temas de “Shiny and Oh So Bright, Vol. 1 /LP: No Past. No Future. No Sun”. Trata-se do primeiro trabalho de estúdio do grupo, em 18 anos, que reúne os membros fundadores Billy Corgan, James Iha, Jimmy Chamberlin e o guitarrista de longa data Jeff Schroeder.

The Chemichal Brothers fechou o palco principal. A dupla eletrónica de Tom Rowlands e Ed Simons apresentou um espetáculo que combina a batida eletrónica com uma forte componente visual. E de copo na mão, a festa continuou pela madrugada fora.

Thom Yorke é outra das devoções do público português. Conhecido pelo seu percurso nos Radiohead, apresentou-se, pela primeira vez em Portugal com o seu projeto em nome próprio. Uma carreira paralela, que mostra outros caminhos que o músico tem vindo a desbravar na área da eletrónica. Juntamente com o seu produtor e colaborador de longa data Nigel Godrich e o artista visual Tarik Barri, Thom Yorke montou uma pequena rave no palco sagres. Só não terá sido maior, pela sobreposição de horários com The Smashing Pumpkins. Uma viagem sonora acompanhada de imagens abstratas guiadas pela vocalizações de Thom Yorke.

Antes, Bon Iver, foi um concerto que levou muita gente às lágrimas, como mostrou a produção nos ecrãs. Um verdadeiro momento de catarse, em que a música, combinada com a voz permitiram um fluir de emoções, à beira do Tejo. “Skinny Love”, “Holocene” e “33 ‘God’” não faltaram neste emocionante concerto. “Gostamos tanto de estar em Lisboa. Obrigada por nos receberem mais uma vez” disse no final do concerto. De aplaudir e chorar por mais.

Um dos espetáculos exclusivos, com estreia no NOS Alive foi Variações. Criado no âmbito do filme de tributo a António Variações, este espetáculo junta o ator Sérgio Praia aos músicos Duarte Cabaça, David Santos, Vasco Duarte e Armando Teixeira. Foi uma recriação, ao vivo, da banda sonora do filme, que repetiu todas as noites no Fado Café. A afluência foi desmedida, com o publico a tentar ver, mesmo da rua e o ator/ cantor, a interagir com eles. “Toma o comprimido”, “Teia”, “Perdi a Memória”, “Canção do Engate” ou “Quero dar Nas Vistas” (tema inédito encontrado nos registos de António Variações) foram aqui tocados e interpretados por Sérgio Praia, com grande sucesso. Entre os temas, pudemos ouvir alguns dos registos originais do cantor português.

O punk rock está bem vivo e de saúde, demonstraram os Idles, neste regresso a Lisboa.  A raiva cantada, a refletir os problemas de uma geração e a incerteza dos tempo que o Reino Unido vive tem espaço em palco. O vocalista Joe Talbot salta, cospe para o ar, incita a multidão a reagir. E o público reage mesmo, em movimentações loucas de crowdsurfing.

Um ambiente mais melódico e calmo acolheu muitas pessoas no palco principal. Tom Walker é um dos nomes em ascensão da música pop. “Leave A Light On”, uma das suas mais conhecidas pôs toda a gente a cantar. Outra atuação surpreendente, foi a de Gavin James, ao final da tarde. A boa disposição do cantor irlandês sobressaiu logo nas primeiras músicas quando fez questão de dirigir algumas palavras ao público em português, com o auxílio de uns papeis: “Sou o Gavin James. Sou Irlandês. O meu português é horrível. Amo-vos muito!”. “Coming Home”, “Always” ou “Easy” foram temas que não faltaram, assim como uma incursão pelo meio do público.

Ao relvado, desceu também Sónia Tavares, dos The Gift, para interpretar “Primavera”. A banda portuguesa abriu o palco principal, neste último dia, e encontrou já muita gente para o encontro com o novo “Verão” desta banda. Depois, subiu ao palco a banda de rock espanhola Vetusta Morla. Num português muito fluido, o vocalista Pucho dedicou o concerto ao Amor. Disse também que estava muito feliz de estar de volta ao palco onde se estrearam em Portugal, há três anos. E não faltaram conterrâneos a cantar com eles.

Enquanto isso, no palco sagres atuaram os Rolling Blackouts Coastal Fever. Mais uma banda que veio da Austrália para dar a conhecer o seu trabalho de estreia, Hope Downs.

O NOS Alive regressa ao Passeio Marítimo de Algés, entre 9 e 11 de Julho de 2020. Já há um nome confirmado, anunciado ontem em conferência de imprensa de balanço do festival. Os Da Weasel vão dar um concerto único e exclusivo no dia 11 de Julho de 2020.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.