Três casas cheias com Flagrante Desfado

zambujo_moura01Reportagem de Madalena Travisco e Joice Fernandes

O primeiro espetáculo conjunto de Ana Moura e António Zambujo, realizado no ano passado no CCB, nasceu de um convite do Museu do Fado, no âmbito das comemorações da elevação do Fado a Património Imaterial da Humanidade, e revelou-se um tal sucesso que a dupla se junta novamente nos dias 18 e 19 de março no Coliseu de Lisboa e a 21 de março no Coliseu do Porto.

Na noite de dia 18 [ontem] às 21h45 já se gritava “Está na hora!” e os ruídos de ansiedade do público só foram interrompidos pelos aplausos quando, de cada um dos lados, Ana Moura e António Zambujo convergiram para o meio do palco do Coliseu. Cantado pelos dois, o tema de António Zambujo do último álbum de Ana Moura – “Despiu a saudade”- abriu o concerto. O alinhamento das canções ao longo do espetáculo foi, tal como António disse, reflexo dos percursos de cada um, começando pelo fado tradicional e evoluindo com as influências no tempo.
“Lua nha testemunha”, fez o público regozijar, particularmente quando António Zambujo puxa Ana Moura para dançar esta morna do lado esquerdo do palco. Bô ca ta pensa nha cretcheu / Nem bô ca ta imaginá / O que longe di bô `m tem sofrido / Pergunta lua na céu, lua nha companheira di solidão /

Outra das influências para ambos é, naturalmente, a música tradicional portuguesa, e quando interpretam o “Barco vai de saída” de Fausto arrancam do público uns valentes “Arrepia sim senhora, que vida boa era a de Lisboa”. Na troca de reportórios, em modos próprios, Ana Moura canta “Flagrante” (da autoria de Maria Rosário Pedreira) e António Zambujo interpreta “Os Búzios” (de Jorge Fernando). Longe de haver imitações, António ainda ensaia um abanar de ombros e aponta um dedo, que Ana brinca, dizendo que não reconhecer como seu gesto.
Para uma sala cheia que não demove depois do “Muito obrigado e até sempre” voltam os acordes do “Desfado” com meia sala a cantar: Ai que saudade/Que eu tenho de ter saudade/Saudades de ter alguém/Que aqui está e não existe Sentir-me triste/Só por me sentir tão bem/E alegre sentir-me bem/Só por eu andar tão triste


Ana Moura e António Zambujo estiveram acompanhados por maravilhosos músicos, a saber: Ângelo Freire na guitarra portuguesa, Pedro Soares na viola de fado, André Moreira no baixo, João Moreira no trompete, José Manuel Conde no clarinete, Mário Costa na bateria, Jon Luz no cavaquinho, João Gomes nos teclados, e Ricardo Cruz no contrabaixo e direção musical.

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Esta noite há mais no Coliseu de Lisboa às 21h30 e dia 21 no Coliseu do Porto à mesma hora.

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