Toque Feminino Com Expoente Em Rita Ora Encerra Último Dia De Marés Vivas

Reportagem de César Castro (Texto) e Rodrigo Salazar Oliveira (Fotografias)

A 12ª edição do Marés Vivas recebeu à volta de 110 mil pessoas durante os três dias de festival. E, destes números, fazem já parte aqueles que se quiseram ver e ouvir os artistas da última grande noite, agora numa nova localização, a Antiga Seca do Bacalhau, a 600 metros do anterior recinto.

Rita Ora teve um concerto deveras surpreendente e foi, sem margem para dúvidas, a estrela da noite. Se a homenagem a Avicci era, para uns, já expectável, o que não se esperava é que Rita ficasse verdadeiramente emocionada ao recordar o DJ que partiu em abril deste ano e que compôs para a sua voz “Lonely Together”, um dos marcos da sua carreira.

E se Rita Ora é uma mulher de causas – não fosse ela uma ativista, entre outras, das minorias e das causas LGBT (aliás, Ora chegou mesmo a empunhar uma bandeira “arco-íris”) –, e isso foi visível na mensagem subtil (mas poderosa) que passou. Rita chegou ainda a cantar os parabéns a uma fã, deu a oportunidade a outro de cantar uma música à sua escolha e fez questão de descer do palco para cantar “Black Widow” junto do público. Do reportório escolhido pela cantora constaram ainda outros êxitos como “Girls”, “For You” ou “Anywhere”, com que encerrou a sua performance arrebatadora.  

Antes, a repetente Joss Stone subira ao palco principal para apresentar um concerto integrado na sua Total World Tour, que tem passado por todos os países da ONU sob o lema de juntar as pessoas usando a sua música. Stone mostra-se uma mulher cada vez mais madura e não mais aquela eterna teenager a que possamos cair em tentação de querer associar. Ainda que o concerto não tenha sido o mais marcante da noite (até porque o público não estava familiarizado com as novas canções), tal não impediu que a audiência disfrutasse de (mais) um bom momento protagonizado por Joss.

LP, de seu nome Laura Pergolizzi, foi a escolha da organização para abrir o palco mais prestigiado do festival. Mas, ao contrário do que se sucedera com Carolina Deslandes (que foi a primeira a atuar na noite anterior), a cantora nova-iorquina não tinha tanto público como aquele que a portuguesa conseguiu juntar. Ainda assim, LP não era totalmente desconhecida para uma parte do público que até conhecia as suas canções, quanto mais não fosse quanto entoou a célebre “Lost on You”.

Os D.A.M.A., numa prova de que “bons filhos à casa retornam”, fecharam o palco principal do último dia de Marés com músicas que o público tão bem conhece. E que, convenhamos, com músicas que o público esperava para cantarolar, não fossem eles um produto “radio-friendly”.  

Nos palcos secundários, o destaque vai uma vez mais para o Palco Santa Casa (que se arrisca a ser o mais bem-sucedido palco desta edição do festival). Janeiro e Bárbara Bandeira (que ainda trouxe um convidado “especialíssimo”, Agir) reforçaram a força dos projetos nacionais com as suas atuações. No palco Kia Digital Stage, atuou a youtuber Sea.

O Meo Marés Vivas regressa a Vila Nova de Gaia no terceiro fim de semana de julho de 2019.

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