TNSJ Apresenta Online A Morte De Danton

O Teatro Nacional São João (TNSJ) apresenta a peça A Morte de Danton, de Georg Büchner, com encenação de Nuno Cardoso. A peça chega ontem casa dos espetadores, numa realização de Fábio Coelho, e pode ser vista até ao final do dia 5 de abril, em tnsj.pt.

“Este relógio não tem descanso?”, pergunta Danton, o tempo acelera, a História parece começar violentamente de novo, é esse o sentido primeiro de “revolução”, enfrentar o problema do começo. A Morte de Danton (1835) mergulha-nos no caos poético e sangrento da Revolução Francesa, mas esta peça é também ela revolucionária. Georg Büchner opera uma feroz fragmentação da forma teatral tradicional, lançando cenas curtas e longas, agitadas e meditativas num entrechocado fluxo narrativo que antecipa a montagem cinematográfica. É com ela que Nuno Cardoso inaugura uma nova temporada, a primeira enquanto diretor artístico do TNSJ. Através dela, o encenador vê um corpo social em permanente estado de convulsão e decomposição, uma orgia de carne humana. Mas as ruas de Paris, em 1789, são as mesmas por onde corre agora a revolta dos Coletes Amarelos. Ruas que desaguam nas margens do Mediterrâneo ou do Rio Grande, no regresso dos muros, na potência do ódio, no avanço dos populismos. “Tão maus os tempos que correm. Quem poderá fugir-lhes?” A Morte de Danton continua, ainda e sempre, a confrontar-nos com perguntas difíceis, terríveis. “Até quando continuará a humanidade a devorar o seu próprio corpo?” “Este relógio não tem descanso?”

Uma peça com encenação de Nuno Cardoso e interpretação de Afonso Santos, Albano Jerónimo, António Afonso Parra, Joana Carvalho, João Melo, Mafalda Lencastre, Margarida Carvalho, Maria Leite, Mário Santos, Nuno Nunes, Paulo Calatré, Rodrigo Santos, Sérgio Sá Cunha.

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