TNSJ Apresenta Nove Estreias Entre Abril e Junho

misantropoO Teatro Nacional São João (TNSJ), no Porto, anunciou a programação para o último quadrimestre da temporada de 2015/2016. Entre abril e julho, o TNSJ acolhe 17 espetáculos, nove deles são estreias.

A programação arranca a 7 de abril, no TNSJ, com a estreia de O Misantropo, uma encenação de Nuno Cardoso ao texto de Molière. Segue-se a estreia absoluta de A Despedida, de Martas Freitas, no dia 8 de abril no Teatro Carlos Alberto (TeCA) e  Peregrinação, um espetáculo infantil de Marcelo Lafontana, em cena no Mosteiro de São Bento da Vitória (MSBV) a partir de 11 de abril. Entre os dias 14 e 23 de abril, o Salão Nobre do TNSJ acolhe Subterrâneo, peça encenada por Luís Araújo e recebida com grande êxito aquando da estreia no Centro Cultural Vila Flor.

Um dos grandes destaques da programação é a inauguração, no dia 30 de abril, da exposição Noites Brancas no Mosteiro de São Bento da Vitória, que revela vários elementos cenográficos de algumas das peças de maior sucesso que passaram pela Casa.

Noites Brancas: uma exposição dos lugares inventados

A mostra Noites Brancas vai expor, no corredor que dá sobre o claustro do Mosteiro de São Bento da Vitória, fragmentos cenográficos de alguns dos espetáculos mais emblemáticos apresentados no TNSJ. A exposição tem a inauguração agendada para dia 30 de abril, às 16h00, e integra ainda figurinos, adereços, projeções vídeo, fotografias de cena e cartazes. Noites Brancas pode ser vista durante as visitas guiadas ao MSBV, que decorrem de segunda a sexta-feira, entre as 12h00 e as 13h00, e que têm o custo de três euros.

O Misantropo: uma sátira impiedosa aos costumes sociais

O Misantropo de Molière é um texto subtil, mas com uma grande carga satírica sobre as regras e costumes sociais da sociedade. No centro da história encontra-se Alceste, o herói monomaníaco, que odeia e censura todos os homens, expondo diferentes relações de poder. O espetáculo tem encenação de Nuno Cardoso e conta com uma nova tradução de Alexandra Moreira da Silva. Está em cena entre os dias 7 e 24 de abril, no TNSJ.

A Despedida: enfrentar o silêncio dos mortos

Com texto e encenação de Martas Freitas, A Despedida começa num cemitério, numa noite tempestuosa, onde dois irmãos aprendem a enfrentar o silêncio dos mortos, o frio da terra e a dor da perda. Em estreia absoluta, a peça envolve o teatro com o cinema e a morte, com o luto e a melancolia e o thriller e o film noir. Sobe ao palco do Teatro Carlos Alberto, entre os dias 8 e 17 de abril. 

Joana Craveiro explora a intimidade de casas particulares

Entre os dias 5 e 15 de maio, Joana Craveiro põe em cena o interior das casas e seus objetos, explorando as pessoas e as suas coleções, os seus fetiches e os seus despojamentos. Espólios é inspirado no estudo “As coisas fazem-nos, tanto quanto nós fazemos as coisas”, de Daniel Miller, e é apresentado em casas particulares, com ponto de partida do TeCA.

Novas criações de João Mota, Simão Do Vale e João Samões

Espectros, obra prima do norueguês Henrik Ibsen, é uma das tragédias maiores da idade moderna. Envolta em grande indignação aquando a sua publicação por defender o “amor livre” e violar tabus como o incesto, a peça estreia-se agora no palco do TNSJ, entre os dias 12 e 29 de maio, pelas mãos de João Mota. 

Já no dia 13 de maio, é a vez de Simão Do Vale levar As Criadas, de Jean Genet, até ao TeCA, com uma tradução inédita a cargo de Luísa Costa Gomes. A peça centra a sua história em duas irmãs, Claire e Solange, que se confundem em jogos de poder e submissão, amor e ódio. O espetáculo pode ser visto até dia 22 de maio. Hotel Louisiana Quarto 58 é a última estreia do mês de maio e é uma peça de teatro livremente inspirada na vida e obra literária do egípcio Albert Cossery. Com encenação de João Samões, o espetáculo está em cena no TeCA entre os dias 26 e 29 de maio.

TNSJ recebe o FITEI e duas estreias

Integrado no FITEI, Nunca Mates o Mandarim estreia-se no TNSJ no dia 9 de junho. A partir da obra de Eça de Queirós, a peça transporta-nos para um cenário exótico e fantástico do Oriente onde a avareza e ambição convivem com os remorsos. O espetáculo tem encenação de Gonçalo Amorim e está em cena até dia 19 de junho. Também durante o Festival, o TeCA recebe a estreia de Mundo Persistente, encenado por Tito Asorey. A peça, que materializa a segunda edição do Projecto NÓS – Território (es)cénico Portugal Galicia, aborda o mundo dos universos virtuais e pode ser vista entre os dias 8 e 12 de junho.

Rei Lear: um enredo shakespeariano de ambições e traições

Com encenação de Rogério de Carvalho, Rei Lear chega ao palco do TNSJ entre os dias 30 de junho e 17 de julho. O espetáculo conta a história de Rei Lear que decide dividir o seu reino em três partes, sendo que o tamanho do território destinado a cada uma das filhas terá de ser merecido por um eloquente discurso. A partir daqui, Shakespeare põe em movimento um enredo pleno de ambições, cegueira, hipocrisia e traições, em confronto com uma forte presença de ações ligadas à verdade, à honra e à fidelidade.

Texto de Sandra Mesquita

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