TNDM II relembra Grande Incêndio de 1964 com Exposição de Homenagem

vhils tndmIITerramotos, marmotos, cheias, incêndios, tudo desgraças que a Capital já viveu, mas nenhuma como a que ocorreu numa noite fria de 1964, em que Lisboa e o país quase perderam o seu Teatro Nacional. 50 anos passaram e a tragédia do D. Maria II é agora relembrada e as suas vítimas homenageadas na exposição O Nacional Está a Arder!O Incêndio de 1964 e o Fim de Uma Época, inaugurada no dia em que se assinala o aniversário do incêndio.

A mostra está inserida no projeto Memória, um dos elementos da programação do Teatro Nacional D. Maria II para a temporada 2014/2015, e “recupera imagens e testemunhos que permitem entender o impacto que teve esta calamidade na cidade de Lisboa e no país”.

Comissariada por Cristina Faria a “iniciativa procura mostrar as implicações do incêndio “no edifício e na vida da sua companhia residente, através de documentação de arquivo e de testemunhos orais de quem conheceu e habitou o espaço em momentos distintos – antes e depois do sinistro – procurando “reconstruir” as narrativas possíveis sobre o acontecimento e manter viva a memória do que não pode voltar a acontecer., explica o teatro em comunicado.

Há época, o Teatro apresentava uma tragédia – Macbeth, de William Shakespeare, mas os momentos de terror e angústia que os seus atores e funcionários viveram foi muito maior, com a destruição quase total do edifício. Desapareceram o palco, a sala, o teto pintado por Columbano em 1894, e o vasto guarda-roupa da Companhia Rey Colaço- Robles Monteiro, concessionária do Teatro desde 1929. Salvaram-se o arquivo histórico, as paredes exteriores, o átrio de entrada e o salão nobre.

A exposição mostra ainda o impacto social e político do incêndio, a sua alteração de gestão por parte do estado, que termina em 1978 com o teatro comercial e dá início ao ciclo de teatro como serviço público e seu percurso até hoje.

Inserido neste contexto está a intervenção de Alexandre Farto, também conhecido como Vhils, nas paredes do Salão Nobre do Teatro Nacional. O artista que se notabilizou pelo seu trabalho de arte urbana criou nas paredes deste monumento nacional retratos de quatro grandes atrizes portuguesas que marcaram, em diversos géneros, o teatro, o cinema e a televisão durante grande parte do século XX: Palmira Bastos (1875-1967), Amélia Rey Colaço (1898-1990), Beatriz Costa (1907-1996) e Laura Alves (1922-1986).

Inaugurado a 13 de abril de 1846, o TNDMII, também conhecido por muitos como a Casa de Garrett – que propôs a sua construção, viveu um momento de luto e quase abandono entre o incêndio de 1964 e a sua reabertura em 1978, com a peça Auto da Geração Humana / O Alfageme de Santarém de Almeida Garrett, momentos tristes para os artistas, para o Teatro e para a cidade, agora relembrados nesta mostra tão especial.

A exposição O Nacional Está a Arder! O Incêndio de 1964 e o Fim de Uma Época, pode ser vista gratuitamente até dia 31 de julho, na 1.ª ordem, de terça a sábado, das 15h00 às 18h00, e de quarta a domingo – 30m antes do início dos espetáculos da Sala Garrett, do TNDM II, no Rossio.

Por Elsa Furtado (texto) e Tânia Fernandes (fotos)

 

 

 

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