The National – Fácil De Encontrar No Campo Pequeno

À boleia de I Am Easy to Find, os The National regressaram esta quinta-feira a um palco nacional. Para muitos, o período de abstinência até nem era longo. Remetia ao festival de Paredes de Coura, no verão. Ainda assim, a euforia com que a banda foi recebida no Campo Pequeno, continua  ilimitada.

Matt Berninger, o vocalista mantém a posição de figura de destaque. Uma espécie de maestro imparável de uma grande orquestra, que transporta um concerto de música ao patamar de experiência emocionalmente intensa. Foram mais de duas horas espetáculo, em que nos sentimos, tanto à beira do abismo com vontade de saltar, como  confortavelmente envolvidos na sua voz forte e segura. Cabe de tudo um pouco, nas prestações ao vivo dos The National: do embalo romântico, à fúria das cordas de guitarra a vibrar. Da alegria de ter Matt Berninger, quase sempre, junto ao público, a cantar bastante próximo da plateia, à surpresa de o ver galgar vedações, deixar-se levar no ar pelas pessoas, numa linha reta de trajeto em direção ao bar mais próximo, com direito a escalada até ao nível da bancada. E é por tudo isto, que os The National podem continuar a voltar a Portugal, que o público continua a agradecer e a comparecer, entusiasmado, à sessão.

“It is awsome to be back” foram as primeiras palavras proferidas. Abriram com temas do novo trabalho, “You had your soul with you” e “Quiet Light”, “The Pull of You”. Logo desde o primeiro tema, o palco foi curto para segurar Matt Berninger. O vocalista usa as colunas do fosso, a maior parte do tempo e mergulha no meio do público, sem hesitações. Aponta, abraça-se, vai ao chão. É como se estivesse a contar historias, olha para as pessoas e gesticula de forma exacerbada.  E a sala mergulha num vermelho intenso com “Bloodbuzz Ohio”. Ao longo da noite, é referida, por várias vezes, um momento anterior ao concerto, em que mantiveram uma conversa com astronautas da Estação Espacial International. E é a eles, em particular à norte americana Jessica Meir, que dedicam “Looking For Astronauts”, um tema que surge de forma inesperada no alinhamento deste concerto. “Cantem bem alto para ela vos ouvir lá em cima”, pede.

“Day I Die” foi o tema em que assistimos à travessia de Matt pelo recinto, para euforia dos presentes e desespero da equipa de produção. Seguiu-se um dos grandes momentos da noite com “The System Only Dreams in total Darkness”. Em “Light Years”, de forma espontânea, o público começa a iluminar o recinto com as luzes do telemóveis. No final, a banda revela-se emocionada com o gesto e o vocalista verbaliza “nunca nos fizeram isto!”. A euforia continua a tomar conta das duas parte e assistimos ao entusiasmo de Matt Berninger a virar copos por cima do público, a recolher cartazes e a entregar alinhamentos (que vai descolando do chão). É uma espécie de crescendo de emoção que parece não ter fim e que tem outro momento alto em “Fake Empire”.

A notícia que todos queriam ouvir,  foi anunciada pelo próprio no início do encore: a data de regresso a Lisboa, a 21 de junho. The National integram o cartaz do Rock in Rio.  Continuaram com uma explosão de angústia e de fúria em “Mr. November” e “Terrible Love”, para depois aterrar num sombrio “About Today”. Uma versão acústica de “Vanderlyle Crybaby Geeks”, em que todos cantam, fechou a noite.

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