The Gift – 20 Anos Depois

The Gift -Reportagem de Diana Catalino (texto) e Carlos Paixão (fotografia)

Já passaram 20 anos? Parece que não, os The Gift demonstraram-no bem a avaliar pela quantidade de hits que foram apresentando ao longo dos anos. As três horas de espetáculo são o espelho da banda de Alcobaça.

O espetáculo abre com “Clássico”, as explosões de confettis e Sónia Tavares a voar sobre o público são a melhor forma de demonstrar que a banda cresceu e que longe vão os tempos do sótão em Alcobaça.

É aqui que começa a viagem ao passado. O palco do Meo Arena é transformado no tal sótão. A banda une-se num espaço avançado do palco para apresentar sons retirados do EP Digital Atmosphere (1994) e de Vinyl (1998). Ricardo, Nuno, Miguel e Sónia estão confinados em termos de espaço, mas de alma cheia à frente de um público que os tem acompanhado desde os tempos de Vinyl.

Para Nuno estes são os tempos do trip hop de Alcobaça. 20 anos depois, as melodias ganham ainda mais intensidade e força, pela presença em palco de um septeto de cordas.

Com os primeiros acordes de “Ok! Do you want something simple?”, a plateia, que até aqui se tinha mantido sentada, levanta-se tal como em 1998, quando esta música se tornou no primeiro grande êxito da banda. Nas próximas músicas há clássicos entrelaçados com músicas do presente e Sónia bebendo da sabedoria de 20 anos de estrada, toma conta do palco e de Lisboa para mostrar a todos que a sua voz é capaz de ir sempre mais além. Sónia é mais que um poder vocal é alguém que se preocupa com a demonstração de força, de energia, uma mulher que tem na imagem uma boa representação daquilo que são as músicas dos Gift. Alguém que faz a mistura perfeita entre o negro melancólico do fado português e o colorido dos ambientes festivos da Índia, que os acompanharam na produção do álbum Explode (2011).

The Gift -

Os êxitos como “Butterfly”, “Wallpaper” e “Primavera” vão marcar a noite, que a espaços, quando se fecham as luzes de palco, nos traz aos ecrãs gigantes uma personagem, que em jeito poético vai filosofando e dizendo palavras que fazem parte das vivências da banda, das inquietações, turbulências e momentos de euforia vividos pelos The Gift.

“Question of love”, “RGB” são motivo de festa que antecipam mais um dos grandes momentos da noite… “Driving you slow”. É com este hino que Nuno chama a palco Luna, o transformista que deu corpo ao vídeo desta música e que esta noite partilhou o palco com Sónia. Uma das grandes ovações da noite.

Nuno aproveita o momento de êxtase para contar que a intensidade da gravação de Film (2001) os tinha deixado adormecer num sinal de trânsito, na noite em que gravaram a música, deste álbum, preferida de Sónia. Assim se dá início a “Front of”.

“Singles” leva Nuno a sair das teclas e estava lançado o frenesim na sala, com Nuno e Sónia a correr o palco de ponta a ponta, para dar voz a um dos momentos mais poderosos da noite, o que facilitou a introdução de “In repeat”, que fecha mais um capítulo deste concerto.

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Um encore de gala viria a encerrar a noite. As luzes apagam-se e os dois focos iluminam a personagem poética, como que a consciência dos The Gift, que mais uma vez nos exalta para o poder das emoções de uma das maiores bandas portuguesas. É com esta introdução que Sónia aparece a voar sobre a plateia. Nuno desce numa estrutura enquanto toca ao piano “Fácil de Entender”. Os olhos estavam postos no centro do Meo Arena, onde os dois membros da banda se viriam a juntar ao público, que ao longo de 20 anos sempre os apoiou.

No momento mais íntimo da noite, tal como em Guimarães, Sónia apenas acompanhada pelo piano, brinda-nos com “My Way” de Frank Sinatra.

Era quase uma da manhã mas a banda ainda se voltara a juntar em palco, para um final épico com “My Lovely Mirror” e “Music”, que também teve direito a uns versos de “Chandelier”, de Sia.

Regressamos 10 atrás e “Music” representa bem o que é a garra, a determinação, a melodia e capacidade de fazer músicas que nos ficaram para sempre, porque como diz a letra, eles fazem-no por amor.

I’m doing it for music,
I’m doing it for love,
I’m doing it for everyone around me

Por amor à música, ficou prometido que lá estaremos daqui a 10, 20 anos, sabendo de antemão que 2016 nos trará novidades em forma de álbum.

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