Teatro Experimental de Cascais Apresenta Guernica

guernicaGuernica de Fernando Arrabal, com encenação de Carlos Avilez é a peça que estreia amanhã, às 21h30, no TEC (Teatro Experimental de Cascais), e conta com as interpretações de António Marques, Luiz Rizo, Madalena Almeida, Renato Pito, Rita Calçada Bastos, Sérgio Silva e Teresa Côrte-Real.

Escrita em 1961 por Fernando Arrabal (1932), Guernica é uma obra com duas relações diretas evidentes, primeira com o célebre quadro de Pablo Picasso, segunda com os bombardeamentos de 1937 de que o município basco foi alvo.

A peça gira em torno de uma lógica do Absurdo pela desconstrução e pelo absurdo filosófico da existência. Nesse sentido, o dispositivo base de Arrabal é o de colocar as suas personagens com mentalidade e discurso de criança, aliás, elas não compreendem o mundo porque o vêem através desse olhar monocromático e infantil, o que faz com muitas vezes tenham atitudes cruéis para com o Outro, não obrigatoriamente por maldade, mas apenas porque, tal como as crianças, não têm a compreensão suficiente para distinguir o Bem do Mal, o que as coloca num estranho jogo de amoralidade; se o que elas fazem para nós é cruel, para elas é apenas uma ação, umas vezes egoísta e narcísica (pela indiferença em relação ao Outro), e outras (principalmente quando rodeadas de solidão) cheias de altruísmo e auto-sacrifício, numa tentativa de recuperar a dimensão humana que lhes escapa.

Numa altura em que nos deparamos com terríveis imagens de crueldade vindas um pouco de todo o mundo, mas em particular da Síria, que trouxe até às portas da Europa a crise dos refugiados, é urgente revisitar textos como Guernica para nos recordarmos que a dimensão do Mal não é algo que faz parte do passado da humanidade, mas que se mantém tão presente agora como antes.

Para ver, de 13 de abril a 22 de maio, no Teatro Experimental de Cascais de quarta a sábado, às 21h30 e domingos, às 16h00. Os bilhetes estão à venda no local.

Texto de Ana Filipa Correia

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