Teatro Do Montemuro Apresenta Seis Conselhos Para Um Rio Na Rota Do Românico

O Teatro Regional da Serra do Montemuro apresenta, nos dois primeiros fins-de-semana de junho, o projeto Seis Conselhos Para Um Rio, um texto original de Ricardo Alves, em seis municípios da Rota do Românico.

A estreia está agendada para o dia 4 de junho, às 21h00, no Auditório Municipal de Cinfães. No dia seguinte, à mesma hora, o espetáculo viaja até ao Centro Cultural Maria Amélia Laranjeira, em Amarante. No domingo, 6, às 16h00, será a vez do Emergente Centro Cultural, no Marco de Canaveses.

Nos dias 11 e 12, às 21h00, o Teatro do Montemuro visita o Auditório Municipal de Resende e a Casa de Chavães, em Baião. A digressão termina no domingo, 13, às 16h00, no Auditório Municipal de Castelo de Paiva.

“E mais a mais, cada um faz o que quer com as histórias que aprende.”
A primeira coisa que se tem que fazer para contar uma história é ouvir. Depois decidir se se a reconta ou não. Se se decidir recontar pode-se pensar o que se vai mudar e o que se vai passar para o próximo ouvinte. Ou, então, deixar o mecanismo da memória seletiva escolher os factos que nos tocaram e merecem ser recontados e quais os que devemos atualizar ou personalizar.
E é à soma de todas essas histórias e das suas adaptações que se chama a memória coletiva. A tradição oral vai mantendo a sua importância inalterada porque se vai alterando com o tempo.
“Quem conta um conto acrescenta um ponto. Se você levar a história escrita fixa-a para sempre. Até parece que a história morre. As histórias querem-se livres, a mudar todos os dias. A crescerem e a adaptarem-se aos dias que passam.”
E as histórias nascem num lugar. Podem renascer noutro, mas já são novas histórias, apesar de serem iguais a outras. O Douro tem o seu próprio imaginário. Deverá haver centenas de penedos de cornudos espalhados pelo mundo, mas o penedo da serra da Aboboreira é especial porque soubemos trazer a sua lenda até aos dias de hoje. E se alguma coisa esta história prova é que há coisas que não mudam. Quem tem tempo livre inventa histórias. Transforma em narrativas as suas angústias. Serei cornudo ou não serei? Vou perguntar à pedra.
“Eu vou-lhe explicar como a coisa funciona. Você vai lá e atira uma pedra para cima do penedo, se ela ficar lá em cima equilibrada é porque a sua mulher sempre lhe foi fiel. Se a pedra cair ao chão, prontos, tem um par de cornos, mas prontos são os cornos pequeninos que sua mulher só o traiu uma vez. Deve ter sido por curiosidade. E nesse caso você só tem uma solução, pega na pedra e atira outra vez. Se ficar em cima é porque foi mesmo por curiosidade, se voltar a cair foi porque a primeira traição correu bem e ela quis mais. E é assim enquanto a pedra cair você vai contando as vezes que ela o traiu. Só para quando a pedra ficar lá em cima ou então quando se cansar. Percebeu? Mas também lhe digo uma coisa: no penedo de Travanca há mais pedrinhas no chão, que as que ele carrega nas costas.

A entrada é gratuita e sujeita à lotação dos espaços.

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