Tanta Boniteza Com Matias Damásio No Coliseu

Por Madalena Travisco (Texto) e Ben do Rosário (Fotos)

A bem humorada “Vim Devolver”, na voz de Matias Damásio, consola o público que esperava o início do concerto de Matias Damásio, no Coliseu de Lisboa, na última noite de abril. De um concerto que foi sempre em crescendo numa sala de Coliseu repleta.

“Muito prazer. Que honra, que satisfação (…). Muito obrigada por me terem recebido aqui nesta sala tão bonita e com gente tão bonita (…)”.

Muita música, canções alegres e que puxam quase sempre um pezinho de dança, mas também espaço para alguma reflexão. Antes do “Angola” Matias Damásio foi aplaudido de pé na referência à terra (agora sem guerra), aos cidadãos e à pátria. Porque cada angolano perdeu um familiar, um amigo na guerra, Matias Damásio faz referência a um incentivo que liberte o sofrimento das pessoas. Disse mesmo: “A paz é uma crença. As pessoas têm que acreditar na paz. (…)”.

Para o “Beijo Rainha” fez o repto: “Tem alguém que queira farrar aqui comigo no palco?” Eram muitos e subiram alguns para um momento muito alegre de semba. Seguiu-se o “Saudades de nós dois”.

Fora da “Matemática do Amor” explicou a importância da ciência para uma plateia dividida entre os que gostavam e os que não gostavam de matemática: “Te amo de um milhão/Raiz quadrada do meu coração/He he he…..”

Com Selda, representante das cantoras de Angola, dividiu o “Amanhã” antes de os “Meninos do Huambo” dedicados ao público incentivado a cantar: “(…) Vão saber como se ganha uma bandeira/vão saber o que custou a liberdade (…)”.

Depois do “Venha o que vier” e do “Agi Sem Pensar” houve um momento de particular emoção. Matias Damásio recordou que, tendo nascido num bairro de Benguela, num ponto de África que se chama Angola e em grande pobreza, foi muito injusto com o pai (porque o pai não lhe dava os ténis que queria, não lhe proporcionava as melhores escolas ou um prato de comida três vezes ao dia…). E disse: “Hoje me tornei artista, tenho três filhos e eu não vou conseguir ser tão bom pai. O meu pai não era rico, mas esteve sempre ao meu lado”. Ao pai Raúl, presente na sala, dedicou o “Papá” cuja letra contém: “Papá quando eu era pequeno queria que fosses rico/Julgando eu que riqueza era só dinheiro/Não sabia eu que tinhas dentro do teu peito/O diamante mais precioso do universo (…)”.

Uma bailarina de dança contemporânea acompanhou o “Vai embora” antes do momento mais louco da noite. O Coliseu quase alucinou, ainda mais com a surpresa da presença de Héber Marques, em “Loucos” – tema que bisou (no encore).

Mas o mundo nos chama loucos
porque falamos sozinhos na rua
nos chamam loucos
porque contamos estrelas no céu
nos chamam loucos
porque tatuamos nossa imagem no coração

Em o “Bouquet de Rosas”, Matias surpreendeu atravessando e distribuindo rosas pela plateia. Trouxe também Laton para dividir o “A Culpa é Dela”. A “Outra”, quase no fim, dava o mote para “I Want to Be a Hero” que fecha o alinhamento. Depois da banda pediria uma salva de palmas de pé para o elemento mais importante do espetáculo: “Vocês – uma salva de palmas – todos de pé”.

Foi um herói, sem dúvida.

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