Super Bock Super Rock 2014 com Final Feliz

Reportagem de José Boaventura Rodrigues (texto) e Tiago Espinhaço Gomes (fotografias)

1407_sbsr.dia3_248_site_kasabianA 20ª edição do festival Super Bock Super Rock chegou ao fim, num terceiro dia marcado por atuações de encher o olho: Kasabian, Foals, Oh Land, Dead Combo e C2C, proporcionaram alguns dos melhores momentos do festival, num dia que merecia mais público.

O palco principal do Super Bock acorda às sete da tarde para brindar festivaleiros “madrugadores” com uma homenagem ao falecido Lou Reed. Autoria de Zé Pedro e os Ladrões do Tempo (Paulo Franco, Doni Bettencourt, Samuel Palitos e Tó Trips), a lembrança de Lou Reed compreende temas da sua carreira a solo e da banda de culto Velvet Underground. Com algumas canções interpretadas pelo alinhamento inicial (“Rock ‘n’ Roll”, “I’m Waiting For The Man”, “Vicious”), a maioria conta com convidados para todos os gostos: “I Love You, Suzanne” na voz e guitarra de João Pedro Pais, “Sunday Morning” com Lena d’Água a fazer de Nico, “Femme Fatale” cantada por Paulo “Tigerman” Furtado, “Venus in Furs” por Tomás Wallenstein (Capitão Fausto), “Perfect Day” na companhia de Jorge Palma e “White Light/White Heat” com o cunho de Frankie Chavez. A cerimônia termina com ensemble de artistas em palco dando voz ao famoso “Walk on the Wild Side”.

Enquanto Time for T (projecto do luso-britânico Tiago Saga) faz das suas no palco Antena 3, o palco principal recarrega baterias para o concerto seguinte: Albert Hammond Jr., também conhecido como “o guitarrista dos Strokes”, marca nova presença em Portugal para apresentar temas garage rock da década passada (o seu último álbum foi lançado há coisa de 6 anos), entre os quais se destacam as performances de “Back To The 101” e “Ever Fallen In Love (With Someone You Shouldn’t’ve)” (um original dos Buzzcocks). Um agradável entretém para uma plateia pouco populada (“intimista”, nas palavras de Albert): se é verdade que do outro lado do recinto tocam os nova-iorquinos Skaters, adivinhava-se que o próprio dia não convidava a enchente (foram 24 mil pessoas pelos números da organização).

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Perante um público mais composto, os The Kills são os próximos da lista: o duo é composto por uma Alison Mosshart com instintos de animal feroz e por um Jamie Hince cool debaixo do chapéu de capitão e casaco de cabedal. Auxiliados por dois percussionistas com aparente experiência em dança sincronizada (e mais tarde por duas vozes secundárias), The Kills tentam estimular o público, com sucesso apenas parcial, através de canções energéticas como “Kissy Kissy”, “Satellite” e “Monkey 23”.

Já no palco EDP encontramos os Dead Combo, produto nacional de Tó Trips e Pedro V. Gonçalves. Com intro de amola-tesouras, o duo de artistas faz-se acompanhar do baterista Alexandre Frazão para expor temas instrumentais do novo álbum A Bunch of Meninos (“Miúdas e Motas”, “Waits”) e repetir êxitos mais datados, sempre com introdução a preceito de Tó Trips: “Rodada” (“dedicada a miúdas que não tenham calças, tenham saias”), “Pacheco” (homenagem ao guitarrista que  “já não vai a festivais”), “Cachupa man” (“alguém gosta de cachupa?”), “Sopa de Cavalo Cansado” (“não é da Nestlé, é vinho”).1407_sbsr.dia3_113_site_dead.combo

Pelo meio, Pedro move-se por entre um cenário macábro (um amontoado de artefactos expostos num altar que evoca cultos de Voodoo ou Santeria), alternando entre a guitarra, contrabaixo e melódica. Para a parte final do concerto ficam temas como “O Assobio (Canção do Avô)” (o assobio do amola-tesouras ficou mais uma vez de fora), “Blues da Tanga” e “Lisboa Mulata”.

De regresso ao palco principal, para ver os britânicos Foals, somos presenteados com um início surpreendente: a subida ao palco é acompanhada do tema “Nautilus” (da compositora escocesa Anna Meredith) e antevê um concerto grandioso. Com um jogo de luzes estonteante e reportório recolhido dos três álbuns editados até ao momento, os Foals levam a multidão ao delírio com cativantes entrelaçados de guitarras e ritmos portentosos. Temas como “My Number”, “Spanish Sahara” , “Late Night” e “Inhaler” conduzem os ânimos do público ao rubro e, em “Providence”, o exuberante Yannis Philippakis arrisca-se mesmo a um crowdsurf no meio da multidão.

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O palco EDP prepara-se para Oh Land, projecto da compositora e interprete Nanna Oland Fabricius. Munida de saia rodada (pareceu que ouviu o comentário de Tó Trips), a dinamarquesa demonstra criatividade elevada na criação de sons e imagens de fantasia, num pop com traços electrónicos e experimentais. Dotada de bela voz e habilidade com as teclas, Oh Land seduz uma modesta concentração de fãs com temas como “Speak Out Now” e “Sun of a Gun”.

Eis que o palco principal chama de novo para queimar os últimos cartuchos na edição deste ano. Longe do ambiente calmo e descontraído proporcionado por Eddie Vedder na noite anterior, os cabeça de cartaz desta noite trazem um concerto de aspirações megalómanas ao festival do Meco. Sob um pano de fundo que exclama “48:13” (título do novo álbum da banda),  Kasabian alternam entre sonoridades rock e ritmos dançantes em canções como “Club Foot”, “Eeh-eh”, “Underdog”, “The Doberman”, “Bumblebee” e “Treat”.

Após “L.S.F. (Lost Souls Forever)” (com direito a versão de “Praise You” de Fatboy Slim em jeito de prefácio), a banda abandona o palco para retornar num dos raros encores do festival, tocando “Switchblade Smiles”, “Vlad The Impaler” e “Fire”. Enquanto a banda se despede, Tom Meighan tira um truque fácil da cartola e começa a trautear “All You Need is Love” dos Beatles, deixando o público com o tema na mente e o coração cheio.

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Em noite de despedida, há ainda tempo para uma última incursão noturna ao palco EDP, onde atua o colectivo francês C2C: os quatro DJ’s franceses alternam entre mesas de mistura ambulantes, empilhando scratch atrás de scratch numa selecção meticulosa de temas resgatados a campos musicais tão distintos como hip hop, funk, soul, house, swing jazz, samba e bossa nova. Uma actuação memorável que inclui animações visuais de encher o olho, rap colectivo com sabor a Beastie Boys e danças pela noite dentro por parte do público abundante.

Uma despedida em condições, que nos deixa a pensar: ainda falta um ano para a 21ª edição.

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