Sting é chave de ouro na abertura do festival Super Bock Super Rock

Festival Super Bock Super Rock
Festival Super Bock Super Rock

A 21ª edição do festival Super Bock Super Rock assinala o regresso deste a Lisboa, bem próximo do local de algumas edições anteriores à passagem pelo Meco. Sting foi a chave da noite, com um concerto a chamar ao alinhamento sucessos da banda que integrou, no final dos anos 70, início dos 80, os The Police. O Meo Arena vibrou com temas como “Englishman in New York”, “Roxanne”, “Everybreath You Take” ou “Desert Rose”. Gordon Sumner, mais conhecido por Sting, deu provas da sua excelente condição física e artística a dar um concerto bem mais entusiasmante do que em anteriores atuações no nosso país.

De regresso a Lisboa, o festival Super Bock Super Rock sacudiu o pó e converteu-se ao ambiente urbano. Tem exposições, workshops, muita tenda de atividades promovidas pelos patrocinadores, demonstrações de flyboard no lago (com direito a fatos especiais iluminados à noite e música a bombar!) e música em vários espaços espalhados pelo recinto, a promover o ping-pong entre palcos. King Gizzard and The Lizard Wizard fizeram tudo para não passar despercebidos no palco EDP e apesar da ainda fraca afluência, gesticularam, berraram e quase sacudiram as pedras da calçada! Pelo contrário, no palco Super Bock, o tom foi evoluindo gradualmente ao som dos alemães Milky Chance tiveram a honra de abrir este espaço. Com as suas influências de reggae, começaram com um balancear tranquilo, para deixar toda a gente a dançar com “Down by the river” e “Stolen dance”.

No palco EDP, Perfume Genius assinalava o regresso a Portugal, depois de em novembro passado ter estado no Vodafone Mexefest. O concerto começou com problemas no sistema de som, rapidamente minimizados pelo singular artista de Seattle, que de sapatos pretos brilhantes e batom vermelho desceu do palco e foi abraçar alguns dos seus fãs visivelmente emocionados. O concerto seguiu com o característico indie pop ao som de “Fool”, “Queen”, “Hood”, entre outras músicas que salientam a suave voz do cantor e fizeram estremecer de emoção os que o seguem mais atentamente.

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The Vaccines começaram a aquecer verdadeiramente o Palco Super Bock ao som de “Handsome”, fruto do último álbum “English Graffiti” editado este ano. A energia positiva contagiante que a banda transmite, não deixou o público indiferente, mesmo o menos conhecedor da banda de Londres. Dando especial destaque ao último álbum, com “Give Me a Sign” ou “Dream Lover”, a banda foi intercalando com músicas de álbuns anteriores, como “Teenage Icon”, “If you Wanna” ou o acelerado “Wreckin’ Bar”. Com o público a não arredar pé até que a última nota fosse tocada, o concerto dos The Vaccines terminou com um dos grandes sucessos do primeiro álbum “Norgaard”.

Sob a pala do Pavilhão de Portugal, já ao cair da noite apresentaram-se os suecos Little Dragon com uma mistura de ritmos de música eletrónica e um pop variado. O quarteto de Gotemburgo, liderado por Yukimi Nagano, foi correspondido por um público dançante, que se agitava de forma livre e espontânea, quase involuntária, ao ritmo das músicas mais conhecidas, tais como “Ritual Union” ou “Summertearz”.

Num dos concertos mais aguardados do primeiro dia, o mais velho dos manos Gallagher, Noel, regressou a Portugal como líder do quinteto Noel Gallagher’s High Flying Birds, e acabou por presentear os fãs portugueses com alguns dos maiores êxitos dos Oasis. Para o público menos atento, poderia não ser expectável isto acontecer, dada a difícil relação que mantem com o seu irmão Liam (a sua cara metade nos Oasis). Num Palco Super Bock com uma plateia ainda pela metade, em que se misturavam portugueses com os mais indefetíveis fãs e seguidores ingleses, Noel começou o concerto com o enigmático “Everybody’s on the Run”. Com o som que saía das colunas do palco Super Bock a ser, nem sempre percetível, o público foi correspondendo, saltando e cantando em “Lock All the Doors”, “In the Heat of the Moment” ou “You Know We Can’t Go Back”, músicas que fazem parte da discografia a solo. Mas quando Noel Gallagher começa a interagir com o público e anuncia «The next song…. “Champagne Supernova”!», sente-se que muitos dos presentes estavam ali porque esperavam por versões dos Oasis. E viajam no tempo, regressam aos anos 90, cantam bem alto cada palavra, cada estrofe, da mesma maneira que o faziam há duas décadas atrás. Aqueles que assistiam das bancadas, e até aí permaneciam sentados, dão um pulo e abanam-se calmamente ao ritmo deste grande sucesso. O mesmo acontece logo de seguida com “Whatever”, e mais tarde em “Masterplan”. O concerto termina a uma só voz com “Don’t Look Back in Anger”, em que público e o irreverente Noel Gallagher se mostram rendidos de forma recíproca, pelo concerto apesar do som, e pela forma calorosa com a banda foi recebida.

 

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O cabeça de cartaz estava para entrar em ação, mas eis que no palco Super Bock aparece um homem bronzeado, de barba farta, com um sorriso marcado e em ótima forma física. Alguma perplexidade de todo o público que já marcava presença no Meo Arena, e também do que estava a chegar vindo de outras paragens, e que foi enchendo o recinto. Ainda assim, era fácil reconhecer que à nossa frente estava o mesmo Sting de sempre, trazendo nas mãos o seu velhinho companheiro, o baixo Precision.

Um concerto que acabou por mostrar um alinhamento fortemente direcionado para os êxitos de uma carreira, quer a solo, quer aos comandos dos The Police. Com uma dedicação e energia a todos os níveis notáveis, Sting foi desenrolando uma panóplia de trunfos musicais que deixou o público rendido, mas também cansado pois foi sempre acompanhando, dançando e cantando em “If I Ever Lose My Faith in You”, “Every Little Thing She Does Is Magic”, “Englishman in New York”, “So Lonely”, “When The World Is Running Running Down, You Make The Best of What’s Around” e “Heavy Cloud No Rain”.

E a magia contínua, para que quem assistiu recorde por muitos e bons anos, este concerto deste Sir do Rock mundial, com “Walking on the Moon”, “Message in a Bottle”, “The Hounds of Winter” e “De Do Do Do, De Da Da Da”. Fazendo-se acompanhar por quatro virtuosos, aos quais permitiu que brilhassem em momentos a solo, Sting fez ainda questão de mostrar que o seu português não está muito enferrujado, com diversas interações com o público em que dizia umas palavras na língua de Camões.

Um dos momentos altos do concerto aconteceu quando numa passagem memorável, introduziu no meio da música “Roxanne”, de forma muito suave mas marcante “Ain’t no sunshine” de Bill Withers, também ela acompanhada por todos. Os encores, sim porque foram dois, não se fizeram esperar, com interpretações extraordinárias de “Desert Rose” e “Every Breath You Take”, no primeiro, e de “Fragile”, no segundo.

O palco Super Bock fechou com música electro house do DJ e produtor musical francês, Madeon,

O palco Antena 3, exclusivo para bandas portuguesas, apresentou Duquesa, Gala Drop e PZ, que tal como é seu hábito, apresentaram-se em pijama.

Esta sexta-feira o 21º SBSR volta a abrir as portas para Benjamin Clementine, Deus, os cabeças de cartaz Blur, entre outros. Mas também para os portugueses Jorge Palma & Sérgio Godinho, mais uma vez juntos em palco.

Reportagem de Tânia Fernandes, António Silva e Pedro Fonseca

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