Stereossauro E Convidados Na Apresentação De Desghosts & Arrayolos

Reportagem de Tânia Fernandes (texto) e António Silva (fotografia)

Stereossauro e Convidados na Apresentação de Desghosts & Arrayolos
Stereossauro e Convidados na Apresentação de Desghosts & Arrayolos

Um Capitólio bem composto recebeu, com entusiasmo, a apresentação do mais recente trabalho de Stereossauro. Desghosts & Arrayolos é uma fusão de eletrónica com música tradicional portuguesa. Uns temas mais melancólicos (desghosts), outros mais vibrantes (arrayolos) com algumas visitas ao trabalho anterior, Bairro da Ponte compuseram o alinhamento desta noite de sábado.

O disco conta com a participação de um conjunto alargado de músicos, muitos dos quais marcaram presença, esta noite, no palco. Cada um dos convidados, levou as melodias de Stereossauro aos seus ambientes de conforto.

Dj Ride, com quem Stereossauro assinou a dupla Beatbombers abriu a noite. Uma excelente receção para quem começava a chegar à sala do Parque Mayer. Música a convidar o corpo a mexer, com grande cenário audiovisual a acompanhar. Imagens impressionantes, do músico a atuar na ponte suspensa Arouca 516, estavam sincronizadas com o concerto a que se estava a assistir, combinadas com efeitos e outros cenários. Foi com um remix do clássico “Superstition” do lendário músico de r&b Stevie Wonder que Dj Ride se despediu do público. Mas por pouco tempo, uma vez que foi um dos músicos que acompanhou a atuação de Stereossauro, mais uma vez, nas teclas e nos vídeos.

Pouco passava das dez da noite, quando o palco foi ocupado. Além de Stereossauro e DJ Ride, por Nuno Oliveira na bateria e Bruno Fiandeiro no baixo. “Salto”, um tema que conta com a colaboração do fadista Ricardo Ribeiro abriu o concerto. Qual mestre de cerimónias, Stereossauro agradece a presença de todos e anuncia que esta “vai ser uma noite especial”. As luzes acesas permitem-lhe reconhecer algumas caras conhecidas no meio do público e é com emoção que o pensamento se traduz em palavras. Selma Uamusse é a primeira de uma longa lista de convidados. “Sekeleka” é o tema quase tribal, que a cantora de voz profunda interpreta.

Todos os temas chegam com vídeo a condizer, e mesmo que ausentes, contamos com imagens das respetivas participações. Em “Malmequer” é New Max (cantor/ MC/ músico/ produtor) e voz inconfundível dos Expensive Soul que nos traz a vontade de dançar. Depois Stereossauro apresenta-nos Xtinto como “uma das grandes promessas nacionais”. “Saia” é uma das mais belas e melancólicas melodias da noite e ainda que interpretada com alguma timidez, leva-nos àquela zona de conforto proporcionada pelas canções infantis.

Manel Cruz, é o convidado que se segue e depois da sensação de embalo de Xtinto, somos atirados para o ambiente perturbador de “Marde Gente”. Stereossauro não lhe poupa elogios “para este homem não tenho palavras, só admiração” e no final da atuação admite que o objetivo de fazer uma música com o Manel estava cumprido.

Uma primeira incursão ao Bairro da Ponte recorda-nos “Flor de Maracujá”, aquela combinação de eletrónica com fado que contou com a participação de Camané.
Segue-se Áurea, que leva o beat de Stereossauro para o ambiente mais soul. “Epá é tão bom voltar ao palco! É um privilégio estar aqui convosco”. O sentimento é mútuo. Todos precisamos tanto de concertos como este…

Depois de “Mais que tudo”, mais uma intérprete feminina. Sara Correia, voz do fado, entrega-se a “Mundo Há de Ser Mais”. Mais uma rendida à alegria de voltar a pisar um palco “É um orgulho enorme fazer parte deste projeto, ainda mais esta noite, com tanta gente presente”.

Novo regresso a Bairro da Ponte, desta vez para apresentar um tema feito a meias com Dj Ride e letra que Stereossauro escreveu para Ana Moura. “Depressa Demais” vem colado com “Barco Negro” e toda a componente audiovisual ajuda a intensificar a mensagem.

Blaya vem agitar as águas e com a sua energia contagiante põe todos a bater palmas em “Pensão do Amor”. “Como é que é pessoal, eu quero ouvir barulho!!!”
E o barulho continua com Zuca, voz do hip-hip que ordena “Senta”. No mesmo registo, mas repescado do trabalho anterior, Chullage vem interpretar “FFFF”.

A noite corre fluida, se calhar demasiado, para a sede de música ao vivo que todos sentem. Noite? Sim, é o tema que todos querem dançar, contagiados pela cumplicidade de Carlão e Marisa Liz.
Pouco mais de uma hora de concerto depois, sente-se a dificuldade na despedida, depois de “Verdes Anos”.
“Mais uma?” pergunta Dj Ride e em jeito de encore, chama Sara Correia que volta para interpretar o mesmo tema.
Todos voltam ao palco no final, para as despedidas. Stereossauro admite que só ao jantar tinha percebido que tinha conseguido juntar tantas pessoas. Talento nacional, feito com ligações improváveis que, com orientação de um maestro comum, proporcionam uma noite de concerto única.

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