Sol, skate e muito reggae no Sumol Summer Fest

SReportagem de António Silva e Tânia Fernandes

Verde, amarelo e vermelho foi a combinação de cores que vestiu a zona norte da Ericeira este fim de semana. A 6ª edição do Sumol Summer Fest tomou conta da área de estacionamento do Ericeira camping, nos dias 26 (Welcome Party), 27 e 28 de junho com o mais genuíno som do reggae. Neste Mundial de música, a Jamaica veio jogar à terra dos Jagozes. Foi forte e intenso o cheiro que se fez sentir por estas bandas, que não propriamente o da maresia.

O caminho de acesso ao recinto dava uma ideia das tribos que convivem neste Festival: os muito jovens de mochila e tenda às costas que se encaminham para um fim de semana de folia, os rastafaris que vêm beber dos que vivem na origem dos seus ideais e os locais que se dividem entre o SSF e as festividades locais do S.Pedro. Não é estranho, neste Festival ver entrar gente de skate debaixo do braço. O skate park, instalado dentro do recinto é uma das grandes atracões do evento. Nos intervalos dos concertos do Palco Principal entram em cena os melhores skaters nacionais. Quando há bandas a atuar, o espaço vira zona de treinos, com aulas gratuitas e monotorizadas para destemidos voluntários, interessados a aprender a rolar em rampa.

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O reggae foi tom dominante, mas houve espaço para outras sonoridades.
Dia 27 de Junho os colombianos Bomba Estereo arrancaram os festivaleiros da dormência do sunset com uma forte batida latina. “Arriba todo o mundo” gritou a vocalista. E o “mundo” acedeu à chamada e aproximou-se do palco, para dançar ao som do forte ritmo tropical. “Levanta la mano se quieres bailar comigo” continuou a incentivar e com isso a chamar ainda mais gente.

John Butler Trio trouxe à Ericeira o domínio da guitarra, com o novo álbum lançado este ano “Flesh & Blood”. Há sintonia neste trio australiano, cumplicidade na forma como se apresentam e, apesar de ter sido uma banda um pouco à margem do tom do alinhamento do Festival, souberam cativar o público. “Zebra” um dos primeiros temas de sucesso da banda teve direito a versão bem comprida, com John Butler a pedir a colaboração do público para a cantar. Fecharam com “Funky Tonight” tema bem ritmado do álbum “Grand National”.

Seguiu-se Ky-Mani Marley, o terceiro filho de Bob Marley, provocando o momento de maior afluência junto do palco principal. Depois de uma entrada patética ao som dos acordes de “The Final Countdown” Ky-Mani mergulhou na sua mais valiosa herança. Juntou “Lyon in Zion”, “Is this Love”, “I Shot the Sheriff” e “Could you be Love” ao apelo de consumo de marijuana e o publico vibrou com o mestre. Um tributo ao pai, que passou também por temas seus.

Pela terceira vez em Portugal, Protoje já dispensa apresentações. “Resist Not Evil” foi um dos temas que a assistência acompanhou em coro. Apesar da atuação ter entrado já madrugada fora o jamaicano conseguiu manter o entusiasmo dos que assistiam.

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Uma das novidades desta edição foi a dub zone, uma espécie de laboratório de reggae e hip hop. Aqui, a experiência diferencia-se por retirar os pés dos festivaleiros do asfalto para os assentar na terra. Já a cabeça, pelo que conseguimos perceber, estaria noutra estratosfera. O espaço foi animado por DJ’s que marcaram o ritmo, corpos a dançar…e o mundo a girar.

“Quem é que está disposto a saltar conosco?”grita Dengaz, estrela nacional do hip hop. “Put your handzzzzzup!” repete vezes sem conta e aquece o coração das fãs com “Eu consigo” e “Rainha”. No final, em sessão de Meet & Greet era extensa a fila de jovens para o cumprimentar e colecionar a preciosa foto com o artista.

Angus & Julia Stone pisaram o rock alternativo, numa espécie de compasso de espera nesta viagem à Jamaica. Não incomodaram, mas também não entusiasmaram. A festa aqueceu depois com a entrada de Popcaan, um dos dos mais famosos artistas da cena reggae atual.  Êxitos como “Ravin'”, “Party Shot” e “Only Man She Want” fizeram parte deste alinhamento.

A energia continuou a subir com a entrada de Perfect Giddimani. O cantor jamaicano correu por todo o palco, saltou com grande vigor provando que o reggae de hoje está longe do estado de dormência. Transformou palavras de ordem em música e levou consigo o público que o acompanhou “My policy is equal rights and justice”. Ainda com a mesma banda, Johny Cool fez a passagem para o nome mais esperado da noite: Anthony B, outro músico jamaicano e membro do movimento rastafari que entrou também no concurso “Eu consigo pular mais que os anteriores”. Energia inesgotável, que abrandou apenas para um momento de homenagem a John Lennon com o tema “Imagine”.

Um cartaz despido de nomes sonantes faz com que a afluência tenha sido moderada. Circular entre espaços era relativamente fácil, com pouco tempo de espera no acesso à restauração ou às zonas animadas pelos patrocinadores. Bons acessos, simpatia no acolhimento local e área envolvente de qualidade são pontos fortes deste Festival. Merece investimento no alinhamento de artistas.

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