Rui Veloso Fechou Em Festa O Terceiro Dia De Sol Da Caparica

Reportagem de Tânia Fernandes e Elsa Furtado

Uma combinação única de rock, kizomba e fado preencheu o cartaz do terceiro dia de festival O Sol da Caparica. A festa terminou quente e em festa, com a atuação de Rui Veloso, que trouxe vários convidados ao palco. Antes, atuaram Os Azeitonas, Nélson Freitas, Ana Moura e Ala dos Namorados no Palco Principal. O Dj Zé Pedro encerrou a noite.

No Palco Blitz atuaram os X- Wife, Keep Razors Sharp, Capitão Fausto, os enérgicos Black Mamba e os We Trust. As temperaturas altas mantiveram-se durante todo o festival, proporcionando mais uma agradável noite de concertos.

Os portugueses We Trust abriram o palco secundário com energia. André Tentugal foi dando a conhecer este projeto a quem ia chegando ao recinto. “Sejam bem vindos. Esta chama-se “Feel It”. Recuperam “Hey Ya” dos Outcast e puseram todos a dançar o refrão “Shake it like a polaroid picture”. Para o final do concerto ficou “Time (better not stop)” e “We are the ones”. The Black Mamba tomaram-lhe de seguida o lugar e espalharam o funk e a música soul com muita alma. Pedro Tatanka avisou, antes de sair, que o podiam ver, mais tarde, no palco principal, com Os Azeitonas.

Às 20h00, já o relvado mais próximo do mar se encontra composto, quando a Ala dos Namorados sobe ao palco. As famílias vão tomando o seu lugar e acompanham as melodias já tão conhecidas que Nuno Guerreiro traz. “Fim do Mundo” ou “Solta-se o Beijo” fazem já quase parte do cancioneiro nacional e são cantadas por todos. Neste curto alinhamento, entram ainda “Loucos de Lisboa” e “Caçador de Sois”. Oportunidade ainda para dar a conhecer novos temas. Saíram , com o público bem animado, depois de “História do Zé Passarinho”.

Prova de que o fado não tem só lugar entre paredes e em silêncio, Ana Moura trouxe-o à Caparica, de branco vestida. Foi acrescentando uma introdução , a cada canção, em jeito de explicação. “Agora é que é” disse ter sido feito por um homem do Norte, Pedro Abrunhosa.  Sobre “Loucura”, disse ser um fado que tem tudo a ver com ela. “Dia de Folga” e “Desfado” não foram esquecidos e mais do que sentidos foram dançados.

Em concorrência com a música mais tradicional, no outro palco dominou o rock. Capitão Fausto, depois o rock sem regras dos Keep The Razors Sharp e a fechar as guitarras ainda mais fortes dos X-Wife.

A crescente popularidade de Nelson Freitas era perceptível , logo desde os primeiros temas da sua atuação . A repetição de “Bo Tem Mel” neste festival, depois de C4, não parece ter incomodado os presentes, que também vibraram com “Miúda Linda”.

O cantor teve um convidado especial, Dino d’Santiago em “Nha Babe” e depois de despediu-se depois de “Cre Sabe”, numa atuação que contou com s entrada de duas fogosas bailarinas.

Como já vem sendo habitual o concerto dos Azeitonas prometia muita alegria, dança, animação e diversão. Temas como “Cinegirassol”; “Tonto de Ti”; “Turné”; “Nos Desenhos Animados (Nunca Acaba Mal)”; “Um Tanto ou Quanto Atarantado”; “Cantigas de Amor” (homenagem a Tony de Matos com António Zambujo e Pedro Tatanka dos The Black Mamba), foram alguns dos temas tocados e cantados por esta banda encabeçada por Marlon (Mário Brandão) – na voz principal e Miguel Araújo. Ele que quase não parou quieto do princípio ao fim do concerto, de cerca de uma hora, puxou pelos colegas e pelo público.

Para a recta final ficaram reservados o emblemático “Anda Comigo Ver Os Aviões”, de novo com o amigo António Zambujo e que teve a companhia do público; “Quem és tu Miúda”; e o elétrico “Ray-Dee-Oh”, difícil de acompanhar tal era a energia da banda em palco aos pulos e a correr de um lado para o outro. A encerrar, em tom calmo e de tributo, “Angelus”, que a banda classificou do seu momento “We Are The World” e um agradecimento a um senhor que apostou neles há alguns anos, quando eram um grupo de miúdos desconhecidos e a começar.

E foi mesmo esse senhor que se seguiu, Rui Veloso – considerado por muitos um dos grandes nomes da Música Portuguesa e até o “Pai” do Rock Português, ele subiu ao palco, no meio de uma grande ovação de cerca de 25 mil pessoas (segundo dados estimados). “Rio Abaixo, Rio Acima”; “Voar Como o Jardel”, foram alguns dos temas que abriram a atuação. Com o seu característico sotaque do norte, Rui Veloso deu as as “Boas Noites” à Caparica e o público correspondeu.

“Sayago Blues”, “Não me Mintas”, “Ai Quem Me Dera a Mim Rolar Contigo Num Palheiro”, “A Gente Vai Na Digressão”, “Fio De Beque” foram os temas que se seguiram e que puseram o concerto em ritmo de Festa, sempre com o público a cantar. Seguiram-se os incontornáveis “Porto Covo”, “O Meu Primeiro Beijo” e “Porto Sentido”.

Depois, o momento romântico e algo nostálgico da noite, “Bairro do Oriente” de Ar de Rock; “Todo o Tempo do Mundo”; “Nunca Me Esqueci de Ti” e o emblemático “Chico Fininho” na companhia de Miguel Araújo – que puseram toda a gente a swingar e a cantar fizeram uma breve viagem pela carreira do Mestre, que este ano completa 36 anos.

“Lado Lunar”  e “Baile da Paróquia” com Manuel Paulo, da Ala dos Namorados, no acordeão prolongaram o bailarico, e a animação. Quase, quase a terminar, “Não Há Estrelas no Céu” e não é que não havia mesmo uma única estrela no céu… mas o público estava contente e o músico também, e a despedida fez-se com “A Paixão (Segundo Nicolau da Viola)” e Rui Veloso a tocar harmónica. Entre agradecimentos e acenos, foi com Rui Veloso a saltar, a pedido do público, que terminou um dos mais memoráveis concertos desta edição do festival.

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