Sol da Caparica – 5-30, Expensive Soul e Pedro Abrunhosa na segunda noite

FReportagem de Tânia Fernandes e António Silva
 

À cadencia de 20 mil pessoas a entrar por dia, de acordo com a organização, o festival Sol da Caparica parece querer ganhar alicerces para continuar. O ambiente é familiar, como se o bairro tivesse ganho uma mega festa. A escolha de estilos de música muito distintos pelos dois palcos fez com que, ontem, o palco secundário tivesse menor afluencia. Os festivaleiros aderiram em massa às sonoridades mais recentes, que fazem disparar decibéis. 5-30 foram os mais acarinhados, Pedro Abrunhosa o grande mestre de cerimónias que chamou todos ao palco!

O arranque do segundo dia de Festival faz-se com sons que vêm da maresia. A Orlando Santos seguiu-se Freddy Locks que a dar as boas vindas e aquecer o ambiente. As pessoas vão chegando e espalham-se pela zona verde. Cruzam-se no ar os olhares intensos dos 15 anos, distribuem-se boas energias com “aquele abraço”.

Diabo na Cruz, no palco principal, vai buscar os presentes à inércia e poe tudo a mexer.”Tão lindo” é primeiro coro de muitos que se seguem. “Os loucos tão certos”, “Casamento”, “Bom tempo”, mas também temas do mais recente álbum “Rock Popular” foram ouvidos neste início de festa. Um comboio de gente, em jeito de romaria, cruzava a frente de palco no final da atuação da banda.

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Macadame mostra a música tradicional portuguesa no palco secundário, mas contam-se pelos dedos os interessados em ouvir. Reinventam as canções populares, que nos são familiares. Júlio Pereira dá continuidade a esta linha de sonoridade ligada às raízes e traz o seu cavaquinho para o palco. Há mais gente a prender-se a este palco, e o mestre é efusivamente aplaudido pelos presentes. “Vamos tocar uma música de uma pessoa que gostava muito desta zona até Azeitão. Vocês vão conhecer” e através do dedilhar, traz a memória de Zeca Afonso para os nossos ouvidos.

Enquanto isso, a festa ao som da música dos balcãs faz-se no outro palco com os Kumpania Algazarra a distribuir boa disposição. Puseram famílias inteiras a dançar e até uma aula de ginástica deram.”Vamos abanar os braços no ar e mexer bem a cintura” pedem. Esta grande orquestra é uma animação e são muitos os que a preferem aos sons mais urbanos do outro palco.

O cinema é outra das vertentes deste Festival. Há uma zona, bem escurinha, a passar curtas metragens. Mas entre concertos, no palco principal, o público também é entretido com estas animações. Excelente ideia para aquele compasso de espera, para quem não quer por nada abandonar o pedaço de terreno conquistado.

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A festa segue com os Deolinda no topo do recinto. Público conquistado ao primeiro refrão com “Mas ele toca fon-fon-fon-fon/ E, às vezes, não me domino/ Mando todos fon-fon-fon-fon/Que ele vai é ficar comigo na COSTA DA CAPARICA”. Como de costume, é uma coversa pegada durante toda a atuação entre Ana Bacalhau e o público. Recomenda a loucura saudável de “Doidos” e continua para “Movimento Perpétuo Associativo”. “Um contra o outro” e “Musiquinha” fecham este curto alinhamento que antecipou uma das bandas mais aguardadas do dia. 5-30 têm à frente gente da terra e por isso muito amigos distribuídos pelo público. São os muito jovens, sub-15, os que desesperam pela entrada dos músicos, e mais recados têm para dar, a avaliar pela quantidade de mensagens escritas em cartazes. “A duvida cai/ Como chuva grossa/ O animo vai/Mergulha numa poça/ A minha esperança/ Trava na insegurança” o tom é duro e urbano, mas Carlão, Fred e Regula são aclamados como heróis. “É muito bom tocar em casa” diz Carlão acrescentando que “Já estava na hora da Costa da Caparica ter um espetáculo destes. Espero que se repita nos próximos 20 anos, pelo menos!”. A despedida faz-se com “Chegou a hora” o tema que mais sucesso tem feito.

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Expensive Soul têm uma espetáculo já bem montado e coreografado. O público é parte importante dele e a interação constante. Entre soul, hip pop e funky, ouviu-se “O Amor é Mágico”, “Dou-te Nada” e dedicam “Que Saudade” aos Da Weasel, em jeito de recado ao vocalista da extinta banda, Carlão, que havia pisado o palco antes “Voltem!”.

Pedro Abrunhosa é o nosso Mr. Entertainment. Passos estudados, gestos calculados, as palavras certas sempre em atitude de quem orienta uma carreira com profissionalismo e com a preocupação agradar ao público. Entre baladas e muito funk trouxe “Todos Lá pra Trás”, “Não desistas de mim”, “Socorro”, “É preciso ter calma”, “Momento” e “Eu não sei quem te perdeu”. Pelo meio, convidou os reportes fotográficos a subir ao palco em “Hoje é o teu dia” e o público em “Pontes entre nós”. O discurso politico está sempre presente, ainda que agora mais comedido. Uma palavra de apreço para com aqueles que abandonam o país em “Para os braços da minha mãe” e a despedida com “Talvez”.

Anselmo Ralph hoje à meia noite trará, certamente, maior afluência de público feminino ao Sol da Caparica! Antes disso, há Capicua, Sensi, António Zambujo e David Fonseca. Os bilhetes podem ser adquiridos nos locais habituais e custam 15 euros.

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