Skunk Anansie Voltaram Com A Fúria E A Energia Que Os Tem Acompanhado Há 23 Anos

Reportagem de Tânia Fernandes e Magda Marinho

Doces melodias combinadas com furiosas explosões de energia. Foi assim, o concerto dos Skunk Anansie, ontem à noite no Coliseu dos Recreios. Uma noite de celebração, com a banda a festejar, em Lisboa, os 23 anos de carreira.

Sala esgotada, à hora marcada. Ninguém quis perder um minuto de concerto, com muitos estrangeiros a marcar presença na mítica sala lisboeta. Quinze minutos antes das 22h00 a diferença de temperatura entre Rua das Portas de Santo Antão e o interior do Coliseu seria de mais de vinte graus. Um calor sufocante e um clima já bastante quente aguardava o grande regresso dos Skunk Anansie.

À beira dos 50 anos, a carismática líder mantém uma energia inesgotável e oferece um concerto com grande dinâmica. Oscila entre gritos agressivos e contundentes e os falsetes mais emotivos, de embalar corações doridos.

Saltou para o palco, vestida de preto e branco. Saia-calça flexível, a permitir a sua grande mobilidade. Entrou com um casaco igual vestido e boné a condizer, com óculos grandes de sol. Nos pés, as indissociáveis botas da tropa pretas. Frenética, ocupa todos os espaços do Coliseu e não hesita e saltar do palco para mergulhar no público. Percebe-se que há fãs que são já velhos amigos e de uma ponta à outra da sala, as letras das músicas são cantadas por todos os que assistem.

“Twisted (Everyday Hurts)” e depois “Weak”, “Hedonism (Just Because You Feel Good)” trouxeram os grandes coros da noite, com Skin a partilhar o microfone com o público e a proporcionar momentos mais serenos e intimistas. Apresentou novos temas, como “Victim”, “Love Someone Else” ou “Without You” do novo álbum Anarchytecture e por momentos, a plateia do Coliseu virou palco de uma mega rave party, com a batida eletrónica deixar o público em êxtase. Os velhos temas, como “I Believed In You” de Black Traffic, de 2012 entram também em versão remix com um pedido muito especial: “todos a saltar.”

O único indício da passagem do tempo,que encontrámos, terá sido na postura menos provocadora. Os palavrões são agora pontuais, o que não a inibe de gritar contra o fascismo e pedir a todos que tomem uma posição. Faz um apelo sincero à mobilização contra o racismo, o sexismo, a homofobia e a xenofobia. Continuam a fazer parte do alinhamento temas em que descarrega a sua fúria como “Yes It’s Fucking Political” ou “Little Baby Swastikkka”.

Ela nunca abranda o ritmo e apesar das várias incursões no meio do público, é já próximo do final que pede para que se abra um corredor, para ela passar até à regie. Noé sai da arca, mas regressa pelas mãos dos que assistem, entusiasmados, no centro do Coliseu. Sempre de microfone na mão, a colocar no ar a sua voz poderosa.

A devoção da banda a Portugal ficou registada quando partilhou que o álbum Post Orgasmic Chill (1999) foi todo gravado no nosso país. Tinha avisado no início que esta ia ser uma noite especial, e só no regresso para o primeiro encore da noite explicou que os Skunk Anansie celebravam 23 anos, nessa noite. A festa foi assinalada com um bolo gigante e os “Parabéns” a serem cantados primeiro em português e depois em inglês. Skin, cortou depois uma generosa fatia que literalmente empurrou para a boca de algumas das pessoas da primeira linha da plateia. Foi o momento também de agradecer a todos os elementos da banda, com o devido destaque a cada um dos músicos. Para a reta final deixou “Cheap Honesty”, “Tracy’s Flaw” (nunca antes tocada por cá ao vivo, de acordo com a própria) e “Charlie Big Potato”. Antes de fechar a porta, um agradecimento muito especial ao dizer que esta foi a “best night of the whole tour” e um miminho: uma versão acústica de “You’ll Follow Me Down”. A deixar vontade os continuar a seguir. Para sempre!

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