Simple Minds – A Euforia de Um Concerto Sem Restrições

Reportagem de António Silva e Tânia Fernandes

Simple Minds

Foi um dos concertos mais reagendados dos últimos dois anos. Os Simple Minds estavam em Copenhaga e tinham acabado de arrancar a sua digressão mundial, quando se viram obrigados a regressar a casa. A Portugal, conseguiram chegar este fim de semana. Atuaram primeiro no Porto e, esta segunda feira, em Lisboa, no Campo Pequeno. Um noite em que também se celebrou a liberdade, com o regresso dos concertos sem restrições.

Uma arena muito composta aplaudiu, com entusiasmo o regresso dos Simple Minds aos palcos. Dois aspetos permitem datar este concerto: a quase total ausência de máscaras (poucos foram os que optaram por manter a proteção) e uma plateia de lugares sentados que facilmente se desorganizou e transformou em assistência em pé, com o público a cantar e a dançar, frente ao palco. Uma ode à liberdade de celebrar a cultura e os concertos de música ao vivo.

Passavam dez minutos da hora marcada a banda subiu  ao palco. Alinharam-se à frente, abraçados, antes de tomarem os seus lugares. Jim Kerr (voz) e Charlie Burchill (guitarra) são os dois únicos membros fundadores.

A noite começou com “Act of Love”. Foi o primeiro tema da banda, escrito em 1978 e tocado ao vivo na época, mas que só foi editado já este ano, numa compilação de temas antigos dos Simple Minds. “Let me see your hands” grita Jim Kerr e o público acompanha o ritmo, de imediato. O pulso está medido. A euforia é grande. O rock soa bem alto, infelizmente, não nas melhores condições. O som vai melhorando ao longo da noite, mas nos primeiros temas a banda saiu muito prejudicada.

O vocalista mostra-se entusiasmado com este regresso e percebemos que está em muito boa forma física. Atira-se para o chão de joelhos, arqueia as costas e chega mesmo a encostá-las ao chão.

Depois de “Celebrate” abre o diálogo com os presentes. Diz que sabe que falamos melhor inglês do que eles, que são escoceses e promete falar devagar. Agradece a presença de todos, afinal de contas muitas das pessoas haviam comprado bilhete há anos! Espera-se um concerto de greatest hits, coisa que ainda não aconteceu, pois abriram com temas menos conhecidos, ainda assim, prometem uma noite longa.

Continuam com “Glittering Prize”, com um videowall luminescente, a condizer e o primeiro momento alto chega com “Promissed You a Miracle”.

O público é avisado de que o concerto vai ter duas partes, para não haver desculpa para abandonos precoces da sala. Interromper concertos a meio? Para ir beber um whisky? Torna-se difícil compreender a pausa, que chega logo a seguir a um belíssimo “Belfast Child”.

“Theme for Great Cites” abre a segunda parte. Soa a abertura de filme de ação, e é o que nos espera nesta segunda parte do concerto, em que Jim Kerr desarrumou a sala com as palavras mágicas “Podem-se levantar e dançar! Isto é um espetáculo de rock’n’roll” e é como se não existissem mais cadeiras na plateia. As pessoas juntam-se na frente de palco e esticam o braço, de forma insistente, à procura daquele toque especial.

Segue-se “Waterfront”, “She’s a River” – que termina com um solo pela baterista feminina Cherisse Osei – , “Once Upon a Time” e com o público bem na mão, vêm todos os grandes sucessos da banda. “Someone, Somewhere”, “See the lights”, “All the Things She Said” num belíssimo dueto com Sarah Brown, a voz de suporte feminina, e o ponto alto da noite com “Don’t you Forget About Me”. Sempre de bom humor, Jim Kerr pedia ao público versões do “la la la” em italiano, francês e português.

Despediram-se com “New Gold Dream”, mas regressaram para mais três temas. Também eles sem vontade de ir para casa, onde dizem ter estado os últimos dos anos…

“Speed Your Love to Me” deixou os microfones às vozes femininas da banda. Sarah Brown (voz) e Berenice Scott (voz e teclas) seguraram o momento com um bom nível de sedução. Como todo o Campo Pequeno de pé, a cantar e a dançar, a noite fechou com “Alive and Kicking” e “Sanctify Yourself”. Os temas são de 1985, mas soam tão atuais, que o público vibra de emoção. Há toda uma geração, que marcou presença, esta noite no Campo Pequeno, para quem estas musicas são realmente importantes.

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