Furacão Florence arrebata e esgota o último dia do festival Super Bock Super Rock

sbsr_42

No último dia do festival Super Bock Super Rock a expectativa de ver Florence + The Machine em ação era enorme, depois do cancelamento do regresso 2012, por motivos de saúde. De igual modo, FFS (Franz Ferdinand & Sparks) e Banda do Mar, atraiam as atenções dos festivaleiros para os concertos deste dia.

No palco EDP, Márcia estreou em palco o seu último álbum, Quarto Crescente, embalando com ele o público festivaleiro que se posicionava à sombra da pala do pavilhão de Portugal, neste sábado soalheiro. Em palco contou ainda com as presenças de Samuel Úria e de Criolo em duas excelentes parcerias.

Os londrinos Palma Violets puxaram do rock de garagem para despertar o público que, no mesmo palco, ainda se encontrava em estado zen depois do concerto de Márcia. Com um álbum ainda muito fresco, lançado em maio passado, Danger in the Club, causaram mais impacto algumas músicas do álbum anterior.

No palco Super Bock, o multifacetado cantor brasileiro Rodrigo Amarante, que ficou conhecido como um dos fundadores de Los Hermanos, apresentou-se sozinho com a sua grande variedade de sons que navegam desde a música popular brasileira (MPB) até ao rock alternativo, passando pelo samba. Com o álbum a solo, Cavalo, a preencher o alinhamento do concerto, Amarante foi cativando o pouco público que se encontrava neste palco, e que mais uma vez prejudicou com um som que ressoava pelos espaços vazios.

De regresso ao palco EDP, o quarteto Unknown Mortal Orchestra cativou com o, muitas vezes, relaxante pop-rock psicadélico e R&B que se misturam nas músicas, tal como em “So Good At Being In Trouble” ou “Multi-Love”. Numa atuação bem conseguida que agradou a todos os que se encontravam nas proximidades e naturalmente se aproximavam para ouvir mais de perto.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Os Crystal Fighters, já conhecidos de outros anos e outros festivais nacionais, chegavam com alguma curiosidade para se ver como encaixava esta música de dança alternativa, folk e meio tribal num palco com as dimensões do palco Super Bock. A acústica complica, mas o género musical descomplica tudo, e o público que vai chegando ao recinto e amontoando-se junto ao palco agita-se em movimentos descoordenados e desordenados, quase involuntários. É assim a música dos Crystal Fighters, estranha-se e acaba por se entranhar nos corpos que poupavam energias para os concertos que estavam para vir. É impossível ficar quieto ao ouvir “You & I”, “Love Natural” ou “LA Calling” e com toda a teatralização em volta da presença em palco deste quinteto londrino.

O trio luso-brasileiro Banda do Mar, formado por Mallu Magalhães, Marcelo Camelo e Fred Ferreira, voltou a deliciar o público português no encerramento do palco EDP, no 21º SBSR. Este projecto que mistura MPB com bossa nova e ainda um rock alternativo, com o álbum homónimo da banda como alinhamento do concerto, intercalou ainda alguns dos sucessos das carreiras a solo pelas quais são igualmente conhecidos. Com um público conhecedor da banda e das letras das canções, acompanhou sempre, levou mesmo Marcelo Camelo a trazer o microfone para junto do público em “Hey Nana”, ficando a parte instrumental para a banda. A música leve e animada, a voz melodiosa de Mallu e o concerto de ar livre numa tarde de verão, tornam a fórmula perfeita para ouvir e cantar “Mais Ninguém”, “Cidade Nova”, “Pode ser”, “Muitos Chocolates” ou as canções de Mallu, “Velha e Louca” e “Sambinha Bom”, que contou com a presença em palco de três jovens amigos, ou ainda o dueto de Marcelo e Mallu, “Janta”. Um dos momentos altos do concerto resultou em “Anna Júlia”, o grande sucesso de Los Hermanos (Marcelo Camelo foi um dos fundadores), dançado e cantado a plenos pulmões por todos, e que não arredaram pé até ao fim. Com o concerto quase a terminar, e sem se cansarem de agradecer ao público por serem a razão da existência da banda, dá-se um emotivo e prolongado abraço do trio enquanto tocavam a bonita e tocante canção, “Clarear”. Um final em beleza de uma banda que promete voltar… ou em último caso, cantamos todos como em “Hey Nana”, «se você não quiser, eu vou te convencer».

FFS no palco Super Bock permitiu reviver o pop-rock dos norte-americanos Sparks acompanhados pelas guitarras indie dos scottish boys Franz Ferdinand. O público saltou de entusiasmo ao som de “Do You Want To” e “Take Me Out”, versões de Franz Ferdinand. As vozes de Alex Capranos e Russell Mael mantiveram a teatralidade que caraterizam os Sparks num concerto que permitiu viajar pelo art rock dos anos 60. “Call girl” é o exemplo deste super grupo que veio para ficar.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Talvez não fosse possível encontrar melhor maneira de culminar estes três dias de rock, do que com o super concerto que Florence + The Machine proporcionaram no encerramento do palco Super Bock. Tal como na véspera em Blur, e no dia anterior com Sting, quase duas horas de concerto cheios de uma energia inesgotável da britânica Florence Welch, que deixou rendidos todos os que esgotaram o último dia do Super Bock Super Rock.

Foi a melhor moldura humana ao longo dos três dias, e onde o público já se encontrava todo de pé, ainda Florence se preparava no backstage. Não havia dúvidas que a expectativa era grande, e quando, descalça e vestida de branco entra de rompante em palco ao som de “What The Water Gave Me”, Florence contagiou todos com aquela energia que emana não se sabe muito bem por onde. “Ship to Wreck” e “Shake it Out” são cantados em constantes correrias em palco, percorrendo o mesmo de um lado para o outro inúmeras vezes. O palco não chegava, pelo que em “Rabbit Heart (Raise It Up)”, Florence decide percorrer rapidamente o corredor no fosso junto do público, até ao momento que decide empoleirar-se tocando nos fãs. No regresso leva uma bandeira de Portugal que não se inibe de exibir bem alto em palco!

Seguiram-se “Cosmic Love” e “Delilah”, onde os desarticulados movimentos das danças de Florence, com um ar meio alucinado, pareciam sair de autênticos momentos de um transe profundo. E assim continuou com “Sweet Nothing”, original de Calvin Harris, e de forma bem mais calma faz uma breve passagem por “People Have The Power” de Patti Smith. Com “How Big, How Blue, How Beautiful”, canção que também dá nome ao álbum lançado em maio, e “Queen Peace” é percetível que as músicas novas estão já bem estudadas e decoradas por todos. Durou pouco a acalmia, pois “What Kind of Man” volta a levar Florence para junto dos fãs e a abraçar alguns deles. E o ritmo manteve-se em “Drumming Song” e “Spectrum”, em que volta às correrias desenfreadas no fosso e mais uns abraços a fãs, culminando com abraços enviados do palco para cada um dos presentes.

Mergulhamos então, em completa apoteose, nos sucessos que lançaram Florence + The Machine para a ribalta. “You Got The Love” e “Dog Days Are Over” são acompanhadas com palmas ritmadas por um público em delírio, aos saltos, entregue à magia daquela ruiva que sem se dar por isso, após pedir para que todos tirem a roupa que não precisem e a agitem por cima da cabeça, decide ser ela mesma, a levar à letra as suas palavras, e enquanto volta a descer do palco, fica em soutien após despir a camisa, para de pronto percorrer em nova corrida frenética e tresloucada todo o corredor no meio do público, voltar ao palco e desaparecer! Ao nosso lado alguns perguntavam incrédulos, “O que foi aquilo?”.

Com o esperado encore a chegar, era só necessário dar tempo para que Florence voltasse a ter a camisa branca vestida, foi com notória alegria e entusiasmo que regressou ao palco para interpretar “Third Eye”, um registo mais calmo do último álbum. Para terminar, ficou reservado “Kiss With a Fist”, nova onda de energia e adrenalina descontrolada a espalhar-se, e nova corrida pelo corredor no fosso. Um Meo Arena rendido a seus pés perante a estrondosa atuação a todos os níveis inesquecível, e também para ela memorável ao dizer que “We Love You! You are awesome!”. O melhor concerto do ano? Não sabemos, e é subjetivo, mas se não foi o melhor até ao momento, está certamente nos três melhores e deixamos o pedido em nome de todos… Florence, voltem rápido!

O palco Antena 3, sempre muito concorrido ao longo dos 3 dias de festival e com muito público que se estendia pela escadaria exterior do Meo Arena, contou neste terceiro dia de SBSR com mais três boas atuações de Thunder & Co, D’Alva e We Trust.

 

Reportagem de Pedro Fonseca e Tânia Fernandes

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.