Santa Casa Alfama – Quando O Fado Se Empolga

Santa Casa Alfama

O grande festival do Fado, já na sétima edição, voltou às ruas, escadinhas e igrejas do bairro de Alfama, desde o pôr-do-sol de 27 até à madrugada de 29 de setembro. Empolgado, de boca em boca, ou simplesmente escutado, houve fado para todos os gostos nos mais de 12 palcos do Festival Santa Casa Alfama.

O palco Ermelinda de Freitas, nesta edição no rooftop do terminal de cruzeiros, recebeu a matiné do “Clube de Fado” seguida de “Um fado ao por do sol”, com Ângelo Freire, Marino de Freitas, Diogo Clemente e a banda de música da Força Aérea sob a batuta do maestro major António Rosado. Entre cantar e tocar a guitarra portuguesa (sim, sim, a cantar também), Ângelo Freire quase abriu e fechou o primeiro dia de festival; no início em nome próprio – do Fado às marchas populares, no final a acompanhar Ana Moura.

A igreja de São Miguel foi pequena para a afluência do espetáculo Até Deus Gosta de Fado em que José Gonzalez, com Guilherme Pança, Rogério Ferreira e Filipe Larsen convidou Maria da Nazaré e José Cid (e André Amaro, de surpresa) num reportório pensado para o local e para o festival.

Do lado de fora, as escadinhas de São Miguel já estavam preenchidas por rabos sentados à espera de Pedro Moutinho que, com tanta gente à volta, mostrou que “Lisboa Mora Aqui”. Descendo o bairro, estava Nelson Lemos no palco Bogati no Grupo Sportivo Adicense.

No palco principal, aberto este ano, por Sara Correia, esteve Marco Rodrigues – veterano neste festival – que recebeu Marisa Liz e Tiago Pais Dias como convidados. Ficou revelado o potencial desta Marisa com s em “Fado loucura”. Marco Rodrigues confessou que, para os fadistas é incrível levar a nossa música pelo mundo inteiro mas que cantar em Alfama é sempre especial. É onde tudo nasce. Também o último trabalho “Copo meio cheio” foi apresentado neste festival há 2 anos depois do “Fado dos Fados” que faz jus aos homens do Fado.

No segundo dia, o palco principal recebeu o “Tributo a Amália” por um trio composto por Gonçalo Salgueiro, Diamantina e Tânia Oleiro acompanhados por Henrique Leitão, Luís Pontes e Paulo Paz. Um pouco antes, mas quase à mesma hora, o concerto surpresa de Gisela João aconteceu no palco Ermelinda de Freitas preparado como se de uma sala se tratasse: três cadeiras brancas para Bernardo Romão, Francisco Gaspar e Nelson Aleixo; um sofá verde para Gisela João. Gisela declarou-se uma romântica que gosta de coisas simples, de poemas simples, de desconstruir e de tratar o público como se fossem amigos na mesma sala. Mesmo com o vento, nas palavras da própria “… a querer lixar-me o concerto, mas eu não vou deixar”, os poemas foram explicados para depois revelar a intensidade das palavras ou das melodias que fazem as pessoas sonhar (e também para refletir como nos casos do fado bicha ou da versão tão contemporânea da casa da mariquinhas).

Com a edição a chegar ao fim, as pessoas confluíram à zona ribeirinha, abrigando-se do frio e do vento como podiam. Lá esteve, feliz por voltar ao berço do fado, Kátia Guerreiro acompanhada por Francisco Gaspar, André Ramos, João Veiga, Luis Guerreiro e Pedro de Castro. Ricardo Ribeiro, com José Manuel Neto, Carlos Manuel Proença e novamente Francisco Gaspar, foi o senhor que fechou a edição deste ano do festival do fado, desejando que o festival se mantenha por muitos e muitos anos.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.