O Romance De Snu Abecassis E Francisco Sá Carneiro Chega Aos Cinemas Em Setembro

Foi uma das mulheres mais importantes do mundo editorial no Pós-25 de Abril, foi também uma figura de relevo no mundo da política por motivos românticos nos finais da década de 70, falamos de Snu Abecassias a “Deusa Nórdica”, agora a sua vida e obra vai ser dada a conhecer a todos os portugueses, em especial às novas gerações no filme com o seu nome, e que tem estreia marcada para 27 de setembro nos cinemas.

Snu Abecassis é bem conhecida no meio editorial português por ter fundado as Publicações D. Quixote (agora uma das chancelas da Leya), mas também é conhecida por ter sido a mulher que Francisco Sá Carneiro amou e com quem decidiu viver uma relação enquanto primeiro ministro, e por quem deixou a sua primeira mulher (que nunca lhe chegou a conceder o divórcio).

E era com ela que Sá Carneiro estava no dia do acidente de aviação fatídico, a 4 de dezembro de 1980, que tirou a vida aos dois e ao Ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, à sua mulher Maria Manuel Simões Vaz da Silva Pires, ao chefe de gabinete do primeiro-ministro António Patrício Gouveia, e aos dois pilotos do Cessna.

Com argumento de Cláudia Clemente, com consultoria histórica de Helena Matos, e baseado nas biografias de Snu Abecassis e Sá Carneiro e em documentação da época, o filme é produzido pela Sky Dreams em coprodução com a Santa Rita Filmes, tem realização de Patrícia Sequeira e é protagonizado por Inês Castel Branco (Snu) e Pedro Almendra (Sá Carneiro). Participam ainda Inês Rosado, Simon Frankel, Ana Nave, Patrícia Tavares, Pedro Saavedra, entre outros.

Snu relata a apaixonante estória de amor de Ebba Merete Seidenfaden, a editora Dinamarquesa que ficou conhecida por todos como Snu Abecassis, com Francisco Sá Carneiro. Desde os tempos em que desafiava a PIDE, Snu não deixou ninguém indiferente ao seu carácter forte e lutador. Quando nos anos 60 se mudou para Lisboa com o então marido Vasco Abecassis, Snu dedicou-se de alma e coração à sua recém-criada editora, publicando livros polémicos aos olhos do Estado Novo. Contra todas as adversidades, Snu lutou pela cultura e pelos ideais em que acreditava.
Nessa altura estava longe de imaginar que a sua vida iria mudar totalmente a partir da altura em que acedeu almoçar com um dos entrevistados para a coleção de livros “Participar”. Ele era Francisco Sá Carneiro e viria a ser o grande amor da sua vida.

Snu assume-se como um romance e uma obra de ficção baseada em factos reais, não entra no mundo da política, nem das especulações sobre o acidente que vitimou o par amoroso, terminando o filme no momento em que eles entram no avião, é um filme sobre uma mulher à frente do seu tempo, de um amor e do desafio das convenções de uma sociedade ainda muito conservadora. As opiniões e conclusões ficam para os espectadores que vão poder conhecer um pouco mais sobre esta figura e assistir ao filme a partir de 27 de setembro de 2018.

“A Snu é uma bela adormecida num
esquife de gelo que espera o seu
beijo de fogo. Só ele poderá derreter
a clausura glacial que encerra a alma
que se ajusta à sua como se fora de cera quente.
É você o seu príncipe encantado.

Natália Correia