Rod Stewart – Sedutor E Sexy Aos 71 Anos

Reportagem de Tânia Fernandes (texto) e Joice Fernandes (fotografia)

Rod Stewart

Rod Stewart é um exemplo de vitalidade. A noite passada, no Meo Arena, o septuagenário deu os seus característicos passos de dança, rodopiou e abanou a anca, em posse provocadora. Uma noite que se fez na continuidade da emoção da vitória de Portugal, com um bom desfile de velhos êxitos. E sim, Rod Stewart ainda é sexy!

Um olhar sedutor para a plateia faz saltar as menos jovens, que abandonam as cadeiras e correm para a grade, que as trava, fisicamente, da suprema vontade de abraçar o ídolo. Os seguranças tentam serenar as que foram adolescentes há décadas a trás (mas mantêm vivo o espirito) convencendo-as a voltar ao lugar, mas os momentos de “transgressão” são repetidos várias vezes ao longo da noite.

A estrela está em palco e continua a arrebatar corações com o seu jeito descaradamente provocador. Quase duas horas de concerto, com intervalo de 10 minutos pelo meio, num alinhamento feito de 23 canções que souberam a pouco, a avaliar pelos assobios do público, depois de cair o pano no final de “Da Ya Think I’m Sexy?”. Queriam prolongar a noite e certamente faltaram algumas peças importantes da extensa discografia.

Rod Stewart
Rod Stewart

Tal como anunciado no início da semana, o concerto tinha hora indefinida de início. O Meo Arena recebeu assim uma primeira parte atípica, de jogo de futebol, seguido pelos ecrãs, que acabou por ser uma grande celebração coletiva. Minutos depois do apito do final dos noventa minutos, a festa fez-se com música e foi Rod Stewart o primeiro a querer celebrar connosco. “Estou tão feliz por terem ganho!” comentava no início do concerto. “Having a Party” e “Some Guys Have All the Luck” abriram os festejos. Os anos passam, mas o perfil mantém-se: cabelo loiro espetado, a voz rouca inconfundível, os padrões leopardo, os brilhantes e tachas na roupa.

São vários os momentos em que pega em bolas de futebol e distribui pelo recinto, à mão ou ao pontapé. Quer chegar a todos e partilhar o momento com os portugueses, cantando por isso, em vários momentos, com cachecóis de Portugal que recolhe do público.

“You Can’t Stop Me Now” chega com imagens antigas suas, e na introdução do tema, conta como foi apoiado pelo pai, enquanto era rejeitado pelas editoras. A verdade, é que agora ninguém o pára mesmo. Duas meninas com violino acompanham-no em “Forever Young”, mas é com “Downtown Train”, a cover de Tom Waits que Rod Stewart conquista o primeiro (de vários) momentos de emoção. Desce ao fosso e os lugares mais valiosos do recinto ficam subitamente vazios, na ânsia de tocar na estrela. Deixa o saxofonista brilhar, retira-se por momentos, para voltar com rock’n’roll puro e mostrar que ainda sabe abanar a anca. “Stay With Me” fecha a primeira parte.

Regressa com “Rhythm of My Heart” para depois trazer um dos grandes coros da noite: “Maggie May”. Com cinco dos elementos da banda, passeia-se divertido pelo palco e incita o público a cantar com ele. Abre depois um parêntesis, diz que é hora de aproveitarem os lugares caríssimos que compraram, pois tem preparado um set acústico. O elenco é composto por dois violinos, uma harpa, elementos do coro e na frente de palco as guitarras. Começam com “You’re in My Heart”, cuja emoção é potenciada pela repetição dos golos de Portugal no ecrã superior. “The First Cut is the Deepest” e “I Don’t Want to Talk About It” trazem turbilhões de emoções para o recinto, que culminam na mais romântica das odes ao amor “Have I Told You Lately”. Rod Stewart aproveita os solos dos músicos para se sentar ao colo das meninas do coro, sempre com o seu jeito malandro e olhar de quem continua a gostar de apreciar umas boas curvas.

Encerrado o momento mais intimista, o cantor deixa o microfone entregue a Di Reed – uma das vozes que o acompanha no coro nesta digressão – a assegurar “Young Hearts Run Free”. Regressa, vestido de preto, para fazer ouvir a sua voz rouca, com toda a evidência, em “Baby Jane”. Depois de “Hot Legs” é a hora de outro coro impressionante e já esperado em “Sailing”. A cortina desce no final, e volta a subir uns metros só para vermos que a banda está toda caída no chão. Exaustos? Não foi preciso muito tempo para recuperar, pois regressam para a despedida com “Da Ya Think I’m Sexy?”.

De chapéu à cowboy na cabeça, Rod Stewart é o espelho da animação. Há balões no ar e muita vontade da parte do público em continuar a festa. Mas o alinhamento estava mesmo fixado e não houve espaço para  improviso. A lenda continua a encantar e mais do que as portuguesas, são as estrangeiras quem marca presença na linha da frente de fãs.

“If you want my body and d’you think I’m sexy?
Come on sugar let me know
If you really need me just reach out and touch me
Come on honey tell me so”

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