Resistência – O Amor Renasce Selvagem

Reportagem de António Silva (fotografia) e Tânia Fernandes (texto)

Resistência
Resistência

Esta segunda feira celebrou-se a oportunidade de voltar a comemorar, em conjunto, o dia dos namorados. Miguel Ângelo – dos Resistência – admitia, na abertura do concerto, este 14 de fevereiro no Coliseu dos Recreios, que em janeiro estavam todos muito receosos com a evolução da pandemia. De máscara na cara, mas com muito ânimo, os pares de namorados e admiradores da banda puderam mesmo fazer a festa na noite de S. Valentim.

A bandeira com que Olavo Bilac percorreu o palco, no final do concerto, ao som de “Nasce Selvagem” ampliava o sentimento dos presentes. O desejo de todos se libertarem das restrições que tem afastado o público dos recintos de espetáculos e de bons momentos culturais.

A pandemia foi tema recorrente ao longo da noite. “As guerras parecem intemporais” referiram antes de interpretar “Aquele Inverno”. Sobre “Vai Sem Medo”, escrito por Pedro Ayres Magalhães, antigo membro dos Resistência, disseram ser “a homenagem que poderia ter sido escrita sobre a luta, nestes últimos dois anos, contra a pandemia”.

Mas a noite era de celebração do amor, e por isso também um alinhamento especialmente romântico. Abriram com “Fado”, um original dos Heróis do Mar, e de seguida deram nova vida a “Sete Naves” dos GNR, explorando a vertente mais latina do tema. “Cantiga de Amor”, dos Rádio Macau e “Se Te Amo” dos Quinta do Bill deram continuidade aos trovadores da noite.

A celebrar 30 anos de carreira, os Resistência reúnem músicos de varias bandas que dão novo arranjo a músicas portuguesas contemporâneas. As canções tornam-se mais interessantes, quando ganham novos contornos melódicos, como é o caso de “Esta Cidade” (Xutos e Pontapés) ou “Só no Mar” (Heróis do Mar). Nesta, o público delirou primeiro com um solo de Fernando Júdice, no baixo e depois com a energia de José Salgueiro na percussão, seguida da explosão de Alexandre Frazão na bateria. Tim, na voz e guitarra, Mário Delgado, na guitarra, Pedro Jóia na guitarra clássica, Olavo Bilac e Miguel Ângelo na voz, chegaram mesmo a sair de palco, mas voltaram para fechar o tema.

A noite foi longa, com mais de duas horas de concerto e tempo para saborear os mais estrondosos êxitos. Entre eles, “Lugar ao Sol”, que deixou no ar o anúncio do regresso dos Delfins para este ano, “Não Voltarei Fiel” (Santos e Pecadores) o tema mais “impróprio” da noite, comentavam os músicos a rir, ou “A Noite” quando finalmente conseguiram arrancar todo o público das cadeiras. Com um período tão longo de restrições, sente-se alguma inibição das pessoas, em celebrar de forma mais livre.

Em encore, cantou-se “Amanhã é sempre longe de mais” (Rádio Macau), “Marcha dos Desalinhados” e “Nasce Selvagem” (Delfins), o momento mais eufórico da noite com os músicos também de pé a tocar e a cantar.

A noite começou com a atuação de O Gajo. O músico João Morais apresentou-se em formato de trio com Carlos Barretto no contrabaixo e José Salgueiro na percussão. Uma introdução surpreendente que animou a plateia, que ainda se estava a compor. Durante meia hora, apresentou temas dos seus três discos já editados. O músico explora a criatividade da sua viola campaniça, também conhecida como viola alentejana.

O concerto dos Resistência, no Coliseu dos Recreios, foi uma das datas do festival Montepio Às Vezes o Amor, que espalhou música pelos palcos, de norte a sul do país, com muitas salas cheias. O concerto da banda The Black Mamba, no Porto, teve de ser cancelado e o de Lena d’Agua, no Teatro Tivoli BBVA foi adiado para dia 6 de novembro de 2022.

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