Raízes Brilharam E Encantaram No Fado Cascais

Reportagem de Elsa Furtado (Texto e Fotos)

Depois de Lisboa, do Porto, agora foi a vez de Cascais dedicar um festival ao Fado, foram 3 dias com casa cheia, e nem mesmo o vento e o frio afastou o público, que bem agasalhado se dirigiu durante três noites ao Parque Palmela, junto à marginal. Por aqui passaram grandes nomes da canção Património Imaterial da Humanidade, como António Zambujo,e Maria Emília (ambos na quinta feira) Ângelo Freire, Fábia Rebordão e Camané no sábado, e claro os “estreantes” Raízes.

O C&H esteve no recinto na sexta feira, para assistir à estreia ao vivo destes “jovens” e conta-lhe aqui um pouco do ambiente e da noite que se viveu.

Mas afinal quem são os Raízes? Raízes é o nome do novo projecto musical, que junta grandes nomes do Fado e da música nacional como Jorge Fernando, Pedro Jóia, o guitarrista Custódio Castelo, o angolano Yami, e a bela e inconfundível Mariza, que se juntaram para “fazer música de que gostam, cantar e tocar músicas deles e de outros”, como explicou Mariza.

E foi em Cascais, na primeira edição deste festival, que o grupo fez a sua primeira aparição, numa noite com a lotação esgotada, apesar do frio que se fez sentir, e a que o público não quis deixar de comparecer.

A atuação do grupo começou ao som das cordas, com a guitarra portuguesa de Custódio Castelo e a viola de Jorge Fernando, a dois, interpretaram “Ondulância” e “Sobre Lisboa”, depois foi a vez de se ouvir a voz de Jorge Fernando, um veterano deste meio, com “De Mim Para Mim” e “Tantos Fados Deu-me A Vida”, dois temas com letra e música da sua autoria.

Um afobeado, mas feliz Pedro Jóia, entrou em palco, vindo diretamente do Festival MiMO em Amarante, para nos mostrar a sua destreza e brilhantismo no dedilhar das cordas da guitarra, acompanhado do jovem João Frade no acordeão. À sua entrada, ouviu-se um grito vindo da parte de trás da plateia “Ah grande Pedro” e Pedro Jóia foi mesmo grande nos dois temas instrumentais que se seguiram.

E eis que chegou a hora da Senhora entrar, Senhora com S maiúsculo porque é o que ela é, Mariza – umas das vozes mais emblemáticas e marcantes da “nova” geração. Bem disposta, brincalhona, sorridente, a meter-se e a puxar pelos presentes, assim esteve a artista nesta noite fria.

Entre os primeiros temas interpretou “Fado Tango”, depois, o conhecido “Chuva”, da autoria de Jorge Fernando interpretou Trigueirinha, para o qual desafiou o público a acompanhá-la no refrão.

Bate o fado Trigueirinha, dá-me agora a tua mão
Trigueirinha acerta o passo, no bater do coração
Bate o fado Trigueirinha, dá-me agora a tua mão
Trigueirinha acerta o passo, no bater do coração

Mantendo o ritmo animado e a apoio do público, seguiu-se “Barco Negro”, que Amália imortalizou e Mariza tão bem canta.

Um instrumental de Pedro Jóia, o tema Fins do Sol” foram os temas seguintes, sem vozes, nem letras.

Mariza volta ao microfone com “Sem Ti” e de Elba Ramalho “Aconchego” com um sotaque tão natural, como se dela fizesse parte, afinal a sua alma é lusófona e a música para ela não tem barreiras nem fronteiras.

Regressamos a Portugal e ao ambiente típico com “Quem Vai Ao Fado”, da autoria de Jorge Fernando, composto para a bela e sensual Ana Moura, aqui cantado ao estilo de Mariza, que incitou e ensinou o público a cantar”.

Quem vai ao fado meu amor
Quem vai ao fado
Leva no peito algo de estranho a latejar
Quem vai ao fado meu amor
Quem vai ao fado
Sente que a alma ganha asas quer voar

Num registo diferente, em ambiente romântico e pela voz de Jorge Fernando o tema “A Valsa dos Amantes”, que nos deixa no ar a melancolia e saudade do Fado.  E para terminar esta parte do concerto “Encantador de Tristezas” de mostra todo o brilhantismo do veterano guitarrista Custódio Castelo, deixado sozinho em palco.

Para o encore, ficaram guardados “Mãe Negra” pela voz de Yami, o bem disposto “Fado Errado”, e o popular “Pode Ser Saudade” de Jorge Fernando.

Para encerrar o concerto o grupo escolheu “Asa Branca” de Luiz Gonzaga, mais um tempo trazido do Brasil, terminando assim a primeira atuação do grupo, com direito a ovação de pé.

Nada de estranhar, diga-se de passagem, para a maioria deles, que fecharam com chave de ouro esta primeira apresentação em grande de um projecto que tem tudo para ser acarinhado pelos portugueses e não só.

A primeira parte da noite esteve a cargo do jovem Ângelo Freire, que tantas vezes acompanha Mariza e outros grandes nomes do Fado por essa estrada fora.

“Fado Cravo”, “Nocturno”, “Variações em Ré menor (Alcino)”, “Fado Alexandrino do Estoril”, “Variações Camarinha”, “Variações do Fontes”, “Fado Menor”, “Fado das Horas”, “Além Terra + Vira de Frielas” e “Guitarra Triste”, foram os temas tocados, que o público cantarolou, acompanhou e saudou no final, numa também brilhante exibição deste jovem talento nacional.

Uma noite em grande, seguida também de outra noite em cheio com o talento e as vozes de Fábia Rebordão e Camané, que encerraram em grande esta primeira edição do Festival Fado Cascais.

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