Prisma, Interferências E Naturezas Visuais – As Novas Exposições No MAAT

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Prisma de Vhils no Maat

As três novas exposições podem ser vistas no MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia até ao início de setembro. Prisma de Alexandre Farto, aka Vhils transformou a Galeria Oval num labirinto urbano; Interferências tem curadoria de Alexandre Farto, António Brito Guterres, Carla Cardoso e revela a diversidade cultural que caracteriza a cidade de Lisboa; Naturezas Visuais tem direção artística de Beatrice Leanza e trata a política e a cultura do ambientalismo nos séculos XX e XXI.

Prisma
Imagens em vídeo, do quotidiano de nove metrópoles são projetadas em câmara muito lenta, em telas gigantes e onduladas. Na traseira, são forradas de uma superfície espelhada, fazendo com que o espaço se transforme num laribirinto urbano. Vamos rodando a cabeça para explorar a ambiente de sítios tão longinquos e diferentes como Cidade do México, Cincinnati, Hong Kong, Lisboa, Los Angeles, Macau, Paris, Pequim e Xangai aqui reunidos no mesmo espaço.
São as cidades onde o artista realizou, ao longo dos últimos anos, importantes trabalhos de arte pública.
Interferências
Interferências é uma exposição que afirma diferentes expressões da cultura urbana, explorando itinerários narrativos da cidade através de um diálogo que privilegia o museu enquanto espaço crítico, lugar de encontro entre várias comunidades e sensibilidades – as instaladas que o frequentam e as subalternizadas que o desconhecem –, ponto de partida para novos começos. O maat transforma-se, assim, em palco de utopias e lutas intemporais, de tensões emergentes, de histórias contadas e por contar.
Organizada em núcleos, a exposição aborda vários temas que estruturam o desenho da metrópole, gerando diálogos entre esse palco e os seus atores. São também estes temas que dão o mote a uma agenda de eventos que contribui para a narrativa de Interferências, parte dos quais se pretende que gerem contributos que integrarão a exposição, tornando-a um projeto dinâmico revelado ao longo dos seis meses em que estará patente ao público.
Esta exposição reúne peças de uma longa lista de artistas:

±MaisMenos±, António Alves, Abdel Queta Tavares, Alfredo Cunha, Ana Aragão, Ana Hatherly, António Contador, António Cotrim, Apollo G, Blac Dwelle, Carlos Bunga, Carlos Stock, Diogo “Gazella” Carvalho, Diogo VII , Ernesto de Sousa, Fidel Évora , Filipa Bossuet, G Fema, Gonçalo Mabunda, Herberto Smith, Herlander, Isabel Brison , Julião Sarmento, Julinho KSD, Kiluanji Kia Henda, Luís Campos, Lukanu, Mantraste e moradores do PER11, Marta Pina, Marta Soares, Mónica de Miranda, Né Jah, Onun Trigueiros, Nuno Rodrigues de Sousa, Obey SKTR, Petra Preta, Primero G, Rappepa Bedju Tempu, Rico Zua , ROD (Rodrigo Ribeiro Saturnino), Rodrigo Oliveira, Sepher AWK, REAL G.U.N.S, Tony Cassanelli (Aurora Negra), Tristany, Tropas di Terrenu, Unidigrazz, Wasted Rita, xullaji.

This slideshow requires JavaScript.

Naturezas Visuais

Resultado de mais de dois anos de investigação crítica em ciência climática, práticas criativas e ecopolítica, Naturezas Visuais é a continuação da jornada iniciada em 2021 com a instalação Earth Bits – Sentir o Planeta, baseada em dados científicos, e o programa público Clima: Emergência > Emergente, com curadoria do primeiro Coletivo Climático do maat.

Este projeto de investigação estuda as práticas de acção coletiva a nível político, social e cultural que, nos últimos cerca de cem anos, têm vindo a demonstrar de que modo a transformadora compreensão humana da “natureza” – filosófica, biológica e económica – está na base dos modos de organização, subsistência e governação das nossas comunidades enquanto modelo planetário em expansão, tanto no plano conceptual como no prático. O mapeamento que daí resulta faz uma leitura cruzada de quatro temas de estudo – produção artística e eventos culturais, inovações tecnológicas e descobertas científicas, movimentos sociais e reflexões sobre governação global – que obedece a uma ordem cronológica aproximada, desde a década de 1950 até aos nossos dias.

Os conteúdos desta investigação são apresentados num interface digital personalizada. Os visitantes podem navegar pelos conteúdos multimédia – imagens, vídeos, textos e registos áudio – seguindo os três principais capítulos temáticos distribuídos cronologicamente pelos 42 lugares de uma assembleia. Cada posto está dotado de um ecrã tátil que permite navegar verticalmente para comparar informação entre os quatro temas de estudo ou horizontalmente para uma deslocação no tempo.

A exposição inclui uma Biblioteca do Clima, que consiste numa zona de leitura integrada na instalação onde uma lista de referência de livros e publicações pertinentes sobre os diversos assuntos abordados é disponibilizada em catálogo digital e, parcialmente, em formato físico.