Prémio Literário Fernando Namora Distingue Julieta Monginho

A escritora Julieta Monginho foi a vencedora do Prémio Literário Fernando Namora 2019, instituído pela Estoril Sol, com o valor pecuniário de 15 mil euros.

O galardão distinguiu a autora pelo seu romance Um Muro no Meio do Caminho (Porto Editora, Fevereiro 2018), romance sobre a dura realidade dos refugiados que, atravessando perigosamente o Mediterrâneo, procuram uma nova casa em território europeu.

O júri da 22ª edição do Prémio foi composto por Guilherme d`Oliveira Martins, José Manuel Mendes (ausente), pela Associação Portuguesa de Escritores, Manuel Frias Martins, pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários, Maria Carlos Gil Loureiro, pela Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, Maria Alzira Seixo, José Carlos de Vasconcelos e Liberto Cruz, convidados a título individual e por Dinis de Abreu, pela Estoril Sol.

Na deliberação do júri, presidido por Guilherme D ´Oliveira Martins, e após debate sobre os méritos das obras apresentadas a concurso, assinala-se que: “Um Muro no Meio do Caminho constrói-se sobre uma das mais pungentes tragédias contemporâneas: a dos refugiados, sobretudo sírios, em fuga de loucuras humanas cada vez mais selváticas. Os tormentos experienciados em campos de refugiados, particularmente no campo da ilha de Sócios, desenha o contexto em que Julieta Monginho situa a problemática deste drama contemporâneo”.

Trazem o que lhes restou: um caderno, um brinco, fotografias, a t-shirt do filho que morreu, um bebé a crescer na barriga, o barulho do seu quarto a ruir. Atravessado o mar, ergue-se o obstáculo inesperado: o muro construído pela hostilidade, esquecida dos que sucumbiram sem refúgio em território europeu, há menos de um século. À porta do muro alastram os campos de refugiados – chão de pedras, ratos, tendas fustigadas pelo sol, pela neve, pelas quezílias.

De todo o mundo acorrem os que ajudam. Levam as mãos para amparar, mimar, oferecer e cozinhar, os olhos para ver e entender.

As histórias são mais que mil e uma. A de Amina e Omid, os fugitivos, a de Dimitris, o grego cercado pelos seus próprios muros, as de Ann e Saud, Juan e Eleni. Vidas suspensas, à beira do muro, à porta da Europa.

A cerimónia da entrega do Prémio está prevista para a segunda quinzena de novembro próximo.

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