Páteo Alfacinha – o Segredo Mais Bem Guardado de Lisboa

Reportagem de Teresa Leal (Texto e Fotos)

pateo_alfacinha-030[dropcap]C[/dropcap]om vista para o Tejo, escondido no meio de casas comuns, fica um dos segredos gastronómicos mais bem guardados de Lisboa. Muitos conhecem o Páteo Alfacinha de nome, por ser um local para eventos e aparecer na televisão, mas poucos já experimentaram o espaço, que foi recentemente renovado e abriu agora as portas de casa ao público.

O C&H teve o privilégio de ir descobrir este fim-de-semana algumas das novidades e não resistiu a partilha-las.

No Páteo Alfacinha é possível desfrutar de dois restaurantes, a Horta, durante o verão com a sua esplanada e a uma vista deslumbrante sobre o casario de Lisboa, olhar a perder de vista, levando-nos até ao rio, à Ponte e ainda mais além. Os dias quentes estão a chegar e esta esplanada, construída num típico terraço português, promete deslumbrar todos os visitantes.

No inverno ficamos-nos pela Mercearia, o nome nasce do novo conceito, em que os clientes podem comer no restaurante e adquirir alguns dos produtos ali consumidos e leva-los para casa. Com vista também deslumbrante sobre Lisboa mas numa versão mais acolhedora, a Mercearia recria o ambiente campestre e típico de Portugal. As ementas, inspiradas na cozinha tradicional portuguesa, são concebidas com ingredientes frescos, provenientes de produtores especialmente seleccionados.

pateo_alfacinha-016Por aqui, o objectivo é que as refeições sejam uma experiência dinâmica. Na carta é possível escolher entre petiscos, que estimulam a variedade de sabores e a partilha à mesa, e pratos. O vinho, que também se pode levar para casa, tem uma taxa de rolha de 6 euros, ou então pedir a copo.

Da ementa faz parte uma interessante tábua de queijos, todos portugueses, que vão variando à medida que acaba o stock, permitindo sempre novas experiências, bem como uma boa variedade de enchidos, todos alentejanos, a fazer lembrar os sabores ricos do campo.

Ainda nas entradas, os ovos rotos com chouriço de Porco Preto e os Cogumelos com Azeite Virgem Alho Su´Alma e o Camarão em Polme Frito com Ervas Aromáticas “Sabores do Monte” conduzem-nos numa viagem através de uma variedade de sabores muito agradável.

Da carta, que aposta nos sabores portugueses, uma excepção: o arroz bomba, vindo de Múrcia, na vizinha Espanha.

Na nossa visita, optámos por provar os petiscos, uma escolha que se revelou a mais acertada, pois assim conseguimos provar o máximo número de pratos possível. Nos peixes a opção recaiu sobre o Lombo de Atúm com Cebolada e o Bacalhau Asa Branca com Arroz Calasparra, Tomate e Poejos; na carne, o Carré de Borrego com Castanhas Caramelizadas com Hidromel e as Almôndegas de Lebre com Flor de Sal “Sabores do Monte”, foram as escolhas, a acompanhar, um vinho tinto.

Para sobremesa, escolhemos o Creme Brulée, queimado na altura; e o Chesecake, diferente do que estamos habituados, a fazer lembrar um bolo suave que se derrete na boca. A rematar, doce de ananás e manga e ainda doce de abóbora e nozes, duas tentações à venda na mercearia.

Para quem quiser tentar estas aventuras culinárias em casa, no espaço da mercearia é possível adquirir produtos regionais variados como o Hidromel (dizem que é a bebida mais antiga do mundo), a Flor de Sal “Sabores do Monte”, Ervas “ Sabores do Monte”, Azeite Virgem Extra com Alho Su´Alma, Licor de Poejo Su´Alma, Choriço de Porco Preto, Atúm Santa Catarina, Mel de Frutos Secos “Apiagro”, Vinagre de Mel “Apiagro”, Arroz Bomba Calasparra, Bacalhau Asa Branca, vinhos de varias regiões de Portugal, doces, compotas, e muito mais.

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Do projecto original de 1981, que pretendia ser uma homenagem à Lisboa de outros tempos, idealizado por Vitor Seijo, podemos ver espaços de habitação popular; de comércio tradicional, como uma barbearia, uma taberna, uma padaria, e uma cervejaria; um antiquário; oficinas; e ainda uma capela e salões nobres.

Atualmente o Páteo Alfacinha não é só um espaço de Restaurantes e Mercearia, pela mão de Miguel Seijo, neto do fundador, fomos levados numa visita guiada.  Espaços para eventos; uma capela; escritórios; uma exposição de arte (com peças de Teresa Rego, Tim Madeira e Jean-Frédéric Bourdier); e ainda uma fábrica de azulejos (onde trabalham já alguns artesãos);  compõem este pequeno mundo, escondido em plena Ajuda.

A reconstituição dos espaços foi toda feita com materiais originais, trazidos de outros locais e utilizando materiais duradouros. Por isso, quem visita o Páteo tem a sensação de que aquela construção é original de época. Construído para ser um museu vivo, o Páteo preserva algumas tradições lusas, como a calçada portuguesa, as ferrarias, as pedras, o azulejos, trazendo à vida o lado pitoresco da cidade. Tudo razões que só por si merecem uma visita.

O Páteo Alfacinha fica na Rua Guarda-Jóias 44, 1300 Lisboa, próximo do Palácio da Ajuda, e funciona das 12h30 às 15h00 e jantares à sexta-feira e sábado, das 19h30 às 22h30. Encerra à segunda-feira. Os preços dos pratos variam entre os 3 e os 14 euros, havendo em alguns casos a opção petisco ou prato, as sobremesas rondam os 3,50 euros.

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