Palma e Godinho Juntos a Fazer Música com História e Poesia no Coliseu dos Recreios

Reportagem de Tânia Fernandes e Ana Filipa Correia

Juntos

Aplausos calorosos, de pé, foi o que receberam Jorge Palma e Sérgio Godinho depois de mais de duas horas de concerto, no Coliseu dos Recreios. Dois timbres inconfundíveis, que se complementam. Trocam de papéis, com facilidade e adotam o estilo do outro, enriquecendo, ainda mais a música portuguesa. Foi a primeira de várias noites de espetáculos Juntos. E todos saímos com um brilhozinho nos olhos…

Passam dez minutos da hora marcada e o público começa a “chamar pelos dois músicos”. O Coliseu dos Recreios está composto. As estrelas da noite não são novidade para ninguém. Comentam-se concertos anteriores e confirma-se que a vontade de assistir a mais um nunca é demais.

As luzes apagam-se e a sala faz-se ouvir quando se descobrem as duas silhuetas projetadas no fundo. “Lá em Baixo” de Sérgio Godinho é o motor de arranque para uma noite aconchegante de canções plenas de história e poesia. Ninguém está à espera de ser surpreendido com grandes novidades. O alinhamento é previsível e não anda longe do CD/ DVD editado em dezembro do ano anterior, com a reprodução do espetáculo de Braga. Mas é mesmo isso que este público quer. Encontrar as vozes de sempre, com as quais têm vivido.

Segue-se “Cara ou Coroa” e o disco muda para Jorge Palma com “Dá-me Lume” um dos primeiros momentos grandes da noite. Em “Minha Senhora da Solidão” Palma passa para o piano e Sérgio Godinho está ali ao lado, a acompanhá-lo em dueto. O Coliseu parece muito mais pequeno e acolhedor do que é, na realidade, como se estivéssemos todos em convívio numa pequena sala de estar. “Mudemos de Assunto”, “Só” e “O Lado Errado da Noite” mantém o mesmo embalo, até voltarmos a mudar de ritmo com “Os Conquistadores”, que, como definiu Sérgio Godinho” fala também do lado negro da história”.

“Frágil” vai permitir dar protagonismo às guitarras elétricas da banda que os acompanha, para voltarem depois a mergulhar numa espécie de poema cantado em “Quem és tu, de novo”.

A língua portuguesa cede lugar àquilo que chamam de essência, as suas grandes influencias, e trazem para este espetáculo “Its all over now baby blues “ de Bob Dylan. “Na Terra dos Sonhos” é um marco na carreira dos dois “Em 79 convidei o Sérgio para fazer um dueto comigo” diz Jorge Palma e ficam só os dois a cantar com o mesmo entusiasmo de sempre.

A noite corre e os aplausos são cada vez mais efusivos. “A próxima, eu gostava de ter escrito…” admite Jorge Palma antes de entrar em “A Noite Passada”.

“Fronteiras”, de Sérgio Godinho, é outro dos temas recebidos com entusiasmo, dedicada aos emigrantes e refugiados. “Caso For esse O Caso” é um inédito, criado para este espetáculo Juntos, que percorreu o país em 2015.

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“O Acesso Bloqueado”, “Deixa-me Rir” e “Portugal, Portugal” levam-nos ao primeiro encore. Ninguém está disposto a abandonar já a sala e chegou o momento da revolução com “Espalhem a Notícia”, “Canção de Lisboa”, “Lisboa que Amanhece” e a explosiva “Liberdade”, tema do álbum À Queima-Roupa editado em 1974.

Um segundo encore, mais curto, mas também mais intenso, com todo o Coliseu a fazer-se também ouvir: “O Primeiro Dia” e “A Gente Vai Continuar”. Voltam a sair, mas o público quer mais e o último encore é verdadeiramente surpreendente pela sonoridade folk que assume. O pano desce, os dois músicos vêm para a frente de palco e só com as guitarras brindam-nos com o “Bairro do Amor”. Entram depois os restantes músicos munidos de tambor, banjos, pandeiretas e temos uma nova sonoridade em palco. “Encosta-te a mim” é um hino de multidões, que termina , em grande “Com Um Brilhozinho nos Olhos”.

Hoje soube-me a tanto, Hoje soube-me a tanto, Hoje soube-me a tanto, Hoje soube-me a tanto portanto, Hoje soube-me a pouco.

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