Os Desenhos Animados Conquistaram O NOS Primavera Sound

Reportagem de António Silva e Tânia Fernandes

NOS PRIMAVERA SOUND 2022_ © Hugo Lima

Gorillaz encerraram o NOS Primavera Sound com um concerto incrível. Damon Albarn deu corpo ao projeto que começou por ser virtual – de animação, desenhada por Jamie Hewlett – e que lhe tem permitido desenvolver um trabalho de fusão de géneros, na área da música. Trouxeram um conjunto de convidados ao Porto e arrasaram em palco.

O terceiro dia NOS Primavera Sound estava esgotado. Não era assim, de estranhar que, as primeiras bandas que pisaram os palcos tivessem já grande afluência de pessoas a assistir.
Perto da entrada Dry Cleaning, a banda inglesa composta pela vocalista Florence Shaw, o guitarrista Tom Dowse, o baixista Lewis Maynard e o baterista Nick Buxton recebia as pessoas que chegavam ao recinto. Traziam “New Long Leg”, o primeiro disco, lançado 2021. Dele destacaram “Strong Feelings”, dedicada a um “Pedro” desconhecido e ainda “More Big Birds”, numa homenagem à artista portuguesa Paula Rego, falecida esta semana.

Do outro lado do recinto, num registo completamente diferente, David Bruno, também conhecido como “o rei de Gaia” divertia maioritariamente a população lusitana. O público fica a pedir mais, depois de “Festa de Espuma”, mas o artista explica que os horários rígidos de um festival não permitem que “o baile” se prolongue.

No Palco Principal assiste-se à estreia de Helado Negro no nosso país. Roberto Carlos Lange, mais conhecido pelo nome artístico de Helado Negro, é um músico americano com raízes no Equador. Cantou sobre a família, a natureza e o amor.

De volta ao palco Cupra, às 19h00 já não há quase espaço livre para assistir a um dos concertos do início da tarde. A banda, com um nome difícil de pronunciar Khruangbin é muito fácil de ouvir. Trouxe muitos temas puramente instrumentais com influências musicais globais. A banda é formada por Laura Lee no baixo, Mark Speer na guitarra e Donald Ray “DJ” Johnson Jr. na bateria. Além dos seus temas originais, passaram por temas conhecidos como “Let’s dance” de David Bowie, “True” dos Sapndau Ballet ou “Wicked Game” de Chris Isaak.

Dinossaur Jr sentiram-se um pouco atrapalhados em palco, mas logo explicaram o porquê. É que a banda chegou a Portugal, mas os seus instrumentos musicais não. Tiveram assim de pedir emprestado, por cá, o que lhes causou alguns constrangimentos. Mas ainda assim, mostraram-se satisfeitos de estar a tocar no Porto. “The Wagon”, “Get Me” e uma versão de “Just Like Heaven” dos The Cure, foram alguns dos temas que tocaram.

Na diversidade de estilos que se podem encontrar no NOS Primavera Sound cabe a participação de Pabllo Vittar. O cantor e drag queen brasileiro arrasou em palco. Tem voz, domínio da performance, humor e capacidade para mobilizar a multidão que o adora. “Bandida” ou “Fun Tonight” foram um êxito ao vivo.

Interpol foi o nome que se seguiu no palco principal. As cortinas de fumo e a pouca luz criam o ambiente para a banda expressar as suas preocupações. Debitaram canções umas atras das outras, mas pouco interagiram com o público. Foi como se estivessemos em casa, a ouvir uma seleção de temas da banda, desprovidas de emoção. “Rest My Chemestry”, “The Heinrich Maneuver”, “The Rover”, “The New”, “PDA” e “Slow Hands” encerraram a atuação. O público desinteressou-se e mais parecia estar a guardar lugar para a banda seguinte.

E se o fizeram, deram por bem empregue o tempo a guardar o lugar. Gorillaz arrasaram, num concerto cheio de cor e vida, com uma forte componente visual. Trouxeram um conjunto interessante de convidados. Fácil quando se está a tocar num festival e os amigos e colegas têm também atuações agendadas. Foi o caso de Beck, que apareceu para participar em “The Valley of the Pagans”, Bootie Brown que apareceu em “Stylo” e voltou mais tarde para “Dirty Harry”, Fatoumata Diawara que contribuiu com a sua voz e simpatia em Désolé, a inesperada parceria com Little Simz em “Garage Palace” e o bem humorado Pos (O produtor de hip-hop Kelvin Mercer) em “Feel Good Inc”.
Contámos também com participções a distancia, como foi o caso de Roberto Smith dos The Cure, logo no início, “pendurado na lua”, em “Strange Timez”.

Damon Albarn foi o mestre de cerimónias perfeito e empenhado. Desceu, várias vezes, para junto do palco, onde fez questão de cantar junto ao público. Trepou para cima da vedação e aí ficou, totalmente amparado pelos seguranças, em posição de desequilíbrio. Com Gorillaz, Damon Albarn explora não só diferentes registos musicais como dá enfase a mensagens de mudança e de consciência ambiental. Através de imagens e de mensagens, convida o público a participar nesse movimento de mudança.

O final com “Clint Eastwood” causou um verdadeiro furor. Que teria sido maior, não tivesse acontecido uma falha abrupta no som, já quase no momento da despedida. Hora e meia de concerto depois, preenchida com um alinhamento dinâmico fizeram com que o público aceitasse a falha, sem grandes protestos. Assim, como assim, já estava na hora de recolher a casa. E ainda a cantarolar ” I ain’t happy, I’m feeling glad/ I got sunshine in a bag/ I’m useless but not for long/ The future is coming on”.

Recorde os dias anteriores do festival NOS Primavera Sound Porto 2022:
Nick Cave Regressou Em Grande ao Primavera Sound
Diferentes Estilos Preencheram o Cartaz do Segundo Dia do Festival Primavera Sound

Aguardamos notícias sobre uma próxima edição!

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