O Sol Da Caparica Fez Gostoso No Primeiro Dia

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Virgul nO Sol da Caparica

Virgul “fez gostoso” no festival O Sol da Caparica, num concerto que contou com vários convidados, entre eles Blaya. A maré deste primeiro dia trouxe também os ritmos quentes de Anselmo Ralph e Calema. E ligações improváveis, como Peste & Sida e Carminho a partilhar o microfone.

A música mas também outras disciplinas como a dança, o cinema, as letras, o surf e o skate têm o seu próprio espaço neste festival. Este ano, uma das peças artísticas centrais é a escultura de Bordalo II. O artista plástico português criou uma baleia, com cerca de seis metros, construída com materiais reciclados. Grande parte destes detritos foram recolhidos na região, alertando assim a consciência de quem se diverte, para os efeitos da poluição no mar. 

Seguimos para as letras. Ao final da tarde, no anfiteatro, saboreou-se a poesia. O projeto Poetry Ensemble de Alexandre Cortez, Filipe Valentim, Luís Bastos e Tiago Inuit marca presença nos três dias de O Sol da Caparica. Usam instrumentos para criar paisagens sonoras, numa interação com a palavra de alguns dos maiores vultos da língua portuguesa. Deste alinhamento faz parte David Mourão-Ferreira, Alexandre O’Neill, António Gedeão, Mário Cesariny com Graça Lobo, Sophia de Mello Breyner Andresen & Jorge de Sena, Natália Correia & Ary dos Santos. Neste primeiro dia de festival, a voz foi dada por Nuno Miguel Guedes, Ana Brandão e Sandra Celas.

Nos palcos, a música arrancou com Filipe Catto, um dos nomes da nova geração de artistas brasileiros. A postura e o próprio timbre recorda-nos Ney Matogrosso. Veste umas calças colantes de lantejoulas brilhantes, um cinturão dourado e por cima de uma camisola de alças, esvoaça uma casaca transparente e brilhante. Há muita gente sentada pelo relvado do parque a assistir ao concerto. Acompanham-na numa versão de “Canção do Engate”, de António Variações. O tema faz parte do seu novo álbum Catto. 

A tarde continua neste sotaque doce com Silva. É também um dos novos nomes que vem do outro lado do Atlântico e que embalou com os teus temas. De vestuário leve, cores claras, sandália no pé, combina a postura com o ritmo ligeiro. Começa nas teclas e depois passa para o violão. Toca e dança, embalado no seu ritmo. Deu para dar o primeiro pé de dança do dia. 

Entretanto, o palco principal abre com o fado de Carminho. O espectáculo atravessou todo o seu repertório, incluindo a mais recente abordagem a Tom Jobim. Pelo meio, e ao apresentar a canção “Bom Dia”, deixou a esperança “que seja aqui, à janela da Caparica, que ele olhe para mim e se apaixone!”.

 Depois, Jorge Palma chegou com . Sozinho e ao piano, dispensou a banda nesta atuação e fez um especial, intimista. Apresentou as canções que todos sabem de cor. “Canção de Lisboa”, “Estrela do Mar”, “Deixa-me Rir”, “Frágil”, “Só”, “Bairro do Amor”, “Portugal Portugal” e “A Gente Vai Continuar”, entre outras. Muita conversa paralela, acabou por se revelar um programa pouco ajustado à ocasião.

Do outro lado do recinto, os Paus quebraram drasticamente com o ritmo brasileiro e impuseram o seu ritmo. Trouxeram temas do mais recente trabalho Madeira. O quarteto envolveu o público na sua atuação que tem na percussão o elemento chave. Entraram depois as guitarras de Linda Martini. Cláudia Guerreiro, Hélio Morais, André Henriques e Pedro Geraldes asseguram o indie rock nacional que tem já uma boa legião de seguidores.

A fechar este palco, o concerto especial dos Peste & Sida foi uma grande festa. Pela recordação de velhos temas, mas também pelos encontros em palco. Um dos primeiros, tão improvável quanto extraordinário, a dar provas do bom relacionamento dos músicos em Portugal. Carminho cantou com os Peste & Sida. 

Fast Eddie Nelson, embaixador do espírito clássico do rock and roll no nosso país, ajudou a relembrar como soa o punk em português. Por fim, João Pedro Almendra, o primeiro vocalista dos Peste & Sida juntou-se a esta festa, assim como coro das “Cotonetes”, as Iolanda Baptista e Suzie Peterson. Ouviu-se “Bule Bule”, o hino “Sol da Caparica”, “Paulinha” e “Gingão”, entre outras. Não faltou uma roda de moche na frente de palco.

Entre palcos, uma surpresa especial. Um showcase de Frankie Chavez enquanto o shapper Nuno Matta fazia uma demonstração do seu ofício. Uma ligação de grande beleza entre o Surf e Música num espaço quase improvisado, em ambiente de descontraído.

No palco principal, os Calema espalharam o amor. Cartazes, dedicatórias e cachecóis forravam as primeiras filas da frente de palco. Muitos telemóveis no ar a registar a atuação da famosa dupla de São Tomé e Principe. Os irmãos António e Fradique são um grande fenómeno de popularidade em Portugal. Cantam histórias de amor, separação, ciúme, reencontro, a que todos quiseram juntar a voz, nesta noite. 

Numa espécie de continuidade música, seguiu-se a Anselmo Ralph. Para além das badaladas “Única Mulher”, “Curtição” e “Não Me Toca”, apresentou músicas do próximo trabalho: Festa Privada. Rei das Kizombas, o cantor angolano mostrou a evolução da sua carreira, neste concerto, com todo o seu calor.

Virgul, artista local, que o ano anterior arrasou no palco secundário, regressou este ano com um concerto especial preparado para este primeiro dia de O Sol da Caparica. 

Sacky Man e Marly Rosário dos Supa Squad com quem gravou “The One”, foram uns dos convidados, num concerto que nunca perdeu o ritmo. Uma crew de vinte bailarinos acompanharam o cantor em coreografias cheias de energia. O antigo elemento dos Da Weasel passou também pelos temas desta banda que integrou no final dos anos 90.

“Onde é que estão os casais apaixonados?” pergunta Virgul. E vai falando com cada elemento do público que se acusa. Acendem-se depois as luzes dos telemóveis para “All We Need Is Love”. 

Com a entrada de Blaya, o recinto incendiou. A cantora apresentou-se vestida de forma discreta, como quem é convidada para uma festa que não é sua. Mas explosiva, como sempre, na atuação. Não faltou o grande êxito do verão, “Faz Gostoso”. Em encore, o cantor apresentou uma homenagem ao cantor Michael Jackson.

Os Horários do segundo dia de O Sol da Caparica:

A música regressa esta tarde ao festiva O Sol da Caparica. A tarde começa em força com o hip hop. Deu (18h00), Bispo (19h00), Wet Bed Gang (20h00), Piruka (21h00) e Jimmy P (22h150) no palco secundário começa com Frankie Chavez (20h00), UHF (21h00), GNR (22h00), Djodje (23h00), Miguel Araújo (00h15) e Moullinex Dj St (02h00) no palco principal.

Os bilhetes para este dia, bem como os passes para os 4 dias já se encontram esgotados.

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