O sofrimento de Orfeu por Eurídice no Teatro Camões

orfeuA convite da Companhia  Nacional de Bailado, Olga Roriz pôs as mãos em Orfeu e Eurídice, de Christoph Willibald Gluck e transformou o palco do Teatro Camões numa tela de pintura dinâmica. Os bailarinos pintam de cor um cenário negro, de dor e amor sofrido. A moldura compõe-se com a orquestra barroca Divino Suspiro, sob direção de Massimo Mazzeo e o coro guiado por Paulo Vassalo Lourenço.

Nuno Carinhas assina a cenografia e figurinos, alternando a cor com a sua ausência. As vestes largas dão dinâmica às movimentações em conjunto, o dramatismo é mais vincado quando os tons são neutros, numa espécie de concentração no contraste.

Olga Roriz focou-se num Orfeu transtornado de tristeza, pela morte da sua amada Eurídice e na sua viagem ao mundo inferior para a tentar trazer de volta. A busca da amada entre corpos inertes, o caminho feito às cegas evitando a tentação do olhar, o insucesso da missão e o lamento do herói trazem a este bailado um turbilhão de emoções.

Olga Roriz conta-nos uma história, nesta narrativa trágica, mas trabalha também sentimentos, que num elenco com mais de trinta pessoas se transforma em algo poderoso. Músicos e bailarinos complementam-se num espetáculo em que se dança ao som de ópera.

Orfeu e Eurídice pode ser visto no Teatro Camões dias 28 de fevereiro, 1, 6, 7, 8, 13, 14, e 15 de março às 21h00, ou dias 2, 9 e 16 às 16h00. Há uma sessão para escolas, dia 5 de março às 15h00. Os bilhetes, à venda nos locais habituais, custam entre 5 e 25 euros.

Reportagem de Tânia Fernandes
O C&H não foi autorizado a fotografar o espetáculo. A imagem é de Rodrigo de Souza e foi cedida pela CNB.

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